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Terça-feira, 29 Novembro 2022
Vera Carvalho
Estudou Línguas e Literaturas Europeias. Atualmente está no mestrado de Espanhol na Universidade do Minho. Tem dois livros publicados: Eterno Inferno (2019) e Nostalgia Inquietante (2021). Também participou em antologias poéticas: Sentidos Despertos (2020) e A poesia dos dois lados do Atlântico (2021).

A arma revolucionária

As artes têm a capacidade de mostrar a humanidade e o ser humano de uma forma direta e diferente.

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Vera Carvalho
Estudou Línguas e Literaturas Europeias. Atualmente está no mestrado de Espanhol na Universidade do Minho. Tem dois livros publicados: Eterno Inferno (2019) e Nostalgia Inquietante (2021). Também participou em antologias poéticas: Sentidos Despertos (2020) e A poesia dos dois lados do Atlântico (2021).

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“Ha probado la Historia la capacidad demoledora de la Poesía y a ella me acojo sin más ni
más” (Neruda, 1973).

Em 1999, na cidade de Paris, a UNESCO decidiu declarar o dia 21 de Março como “Dia Mundial da Poesia”. De acordo com esta associação, o principal objectivo desta decisão é que é uma forma de promover a diversidade linguística através da expressão poética. Visa também promover o ensino da poesia, mostrando que a poesia não é uma “arte antiga” e complexa, mas que pode permitir um livre fluxo de ideias em verso, encorajando assim a criatividade e a inovação (pessoal e profissional). No final, a poesia pode também dar-nos uma perspectiva diferente, mas bonita, sobre um determinado assunto.

“Disposto em palavras, colorido com imagens, golpeado com o medidor certo, a poesia tem
um poder que não tem correspondência. Este é o poder de nos sacudir da vida quotidiana e
o poder de nos recordar a beleza que nos rodeia e a resiliência do espírito humano” (Azoulay, 2020).

Devido à sua riqueza, humanidade e transparência de sentimentos e pensamentos, acredito que é uma área que pode (e deve) ser aplicada numa sala de aula ou em qualquer outro contexto da nossa vida.

Contudo, existe ainda um pensamento enraizado de que, por exemplo, algumas profissões são mais importantes do que outras, mas o que rege este pensamento tradicional e retrógrado é o critério económico, ou seja, que a profissão só é “boa” se ganhar muito dinheiro. Portanto, quando se trata de criar arte, muitos ainda argumentam que não é sequer uma profissão, mas apenas um hobby que deve ser combinado com um “trabalho real”.

O facto é que este tipo de pensamento continua a ter tal impacto que a prova é que ainda prevalece na nossa sociedade atual.

É quase impossível viver da arte porque, de facto, nunca houve um investimento igual por parte dos governos para todos os setores da sociedade: da ciência, à saúde, à economia, à política…

E a cultura? E quanto à arte? O que podemos ver cada vez mais é uma desvalorização, mesmo da própria educação, e depois, quase nenhum investimento em cultura.

Como se pode ver na seguinte notícia: “Os países da União Europeia investiram em média 1% do Produto Interno Bruto (PIB) na área cultural, enquanto Portugal está abaixo dessa média, com apenas 0,6% do PIB dedicados a esta área, enquanto países como a Letónia ou a Hungria gastam quase 3% do PIB em cultura, recreação e religião.” (Castro, 2020).

Há também a opinião de que as áreas da saúde ou da economia deveriam ter mais investimento e importância, portanto mais valorização social, porque são áreas que são necessárias em qualquer circunstância.

E quando penso nisto, coloco-me a seguinte questão: Porque é que a cultura ou a arte não podem também ter o mesmo peso ou a mesma percentagem de investimento igual às outras áreas consideradas de “extrema importância” na sociedade?

A cultura e a arte também educam e, dependendo da sua finalidade ou utilização, podem ter poder curativo, esclarecedor e, claramente, educativo.

Por essa razão e, talvez por uma bonita coincidência da vida, a Poesia deixou de fazer apenas parte da minha vida para então estender-se a outras áreas. Por isso, gostaria de mostrar que a arte, mais especificamente a Poesia, tem a sua importância, não só para a admirar, mas também para a compreender realmente e também para a ensinar. Ao decidir fazer o meu trabalho de mestrado sobre este tema pretendo que os alunos desenvolvam o seu sentido crítico, mas, acima de tudo, fiquem a conhecer-se a si próprios através de textos poéticos. Porque sim. Porque a Poesia realmente também nos dá riqueza, principalmente espiritual e mental. Funciona como a medicina, mas esta entra
diretamente dentro de nós e cura-nos interiormente e mentalmente, chega a lugares que talvez, a própria medicina ainda desconheça…

Portanto, as artes devem ser incluídas na educação, porque não só nos ensinam determinados conteúdos e disciplinas a trabalhar em aula, mas também têm a capacidade de mostrar a humanidade e o ser humano de uma forma direta e diferente. Por diferente, não quero dizer que seja uma coisa má, é por isso mesmo: por ser diferente, deveria ser cada vez mais incluída no ensino dos jovens e na educação da nossa sociedade.

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Vera Carvalho
Estudou Línguas e Literaturas Europeias. Atualmente está no mestrado de Espanhol na Universidade do Minho. Tem dois livros publicados: Eterno Inferno (2019) e Nostalgia Inquietante (2021). Também participou em antologias poéticas: Sentidos Despertos (2020) e A poesia dos dois lados do Atlântico (2021).