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Vila Nova de Famalicão
Sábado, 4 Fevereiro 2023
Francisca Sequeira
Tem 22 anos, é licenciada em Línguas e Literaturas Europeias e está no último ano do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura na Universidade do Minho. Autodidata em dois instrumentos musicais, tem na música e no design as suas maiores paixões, e acredita que o igual acesso às artes e à cultura é uma das bases de uma sociedade evoluída.

Com saudade, MARO

De Lisboa até Turim: com o avô no coração e a responsabilidade de representar Portugal nos ombros.

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Francisca Sequeira
Tem 22 anos, é licenciada em Línguas e Literaturas Europeias e está no último ano do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura na Universidade do Minho. Autodidata em dois instrumentos musicais, tem na música e no design as suas maiores paixões, e acredita que o igual acesso às artes e à cultura é uma das bases de uma sociedade evoluída.

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Com um título sem tradução literal em qualquer outra língua, chega-nos a representante de Portugal na Eurovisão 2022.

MARO ganhou o Festival da Canção no passado dia 12 de março, e ganhou também o coração de milhares espalhados pelo mundo, que acompanham o concurso de forma fiel, e torcem para que, acima do seu país, quem saia a ganhar seja sempre a música.

Depois da vitória por larga margem de Salvador Sobral em Kiev, as esperanças num novo triunfo renascem desde então, a cada ano que Portugal pisa o palco da Eurovisão. Se Conan Osíris gerou discórdia devido à sua peculiar apresentação e ainda mais ímpar conteúdo, e Black Mamba dividiu opiniões em relação à língua em que a sua canção era cantada, Maro parece agradar ao público em geral e encontra-se muito bem cotada nas casas de apostas.

Se em 2017 venceu a simplicidade, em 2022 levamos na mala até Turim mais uma prova de que, na música, com pouco se faz muito.

Com uma letra carregada de sentimentalismo, “saudade, saudade” oferece-nos tanto que quase nos obriga a deixar a mesquinhez de certas questões de lado, fazendo-nos trocar a aversão a sermos representados por uma canção em que parte da sua letra é cantada numa língua que não a nossa, pela aceitação de que o português conjugado com o inglês, aqui, resulta na perfeição.

MARO apela-nos ao coração, faz-nos ver que adereços extravagantes, instrumentais extremamente complexos e uma atuação com macacos acrobatas ou bailarinos a fazer o pino, não nos prendem mais a um ecrã que um coro de vozes. Adoçada com um timbre fora do comum, “saudade, saudade” tem a particularidade que já todos lhe conhecemos, que faz deste título uma escolha inteligente e adequada, uma vez que assenta na palavra da língua portuguesa que mais nos carateriza.

A verdade é que precisávamos de uma canção assim, que transporta consigo a tal saudade e melancolia que tanto nos diz, que desperta em nós a memória de um avô como o da MARO, de um colo que conforta, de um melhor amigo que guardamos para o resto da vida, da impossibilidade de pôr em verso o vazio que sentimos e que nos faz trocar todas as palavras do mundo pela mais simples e ao mesmo tempo mais complexa: saudade.

Se precisávamos da confirmação que música é muito mais que fogo de artifício, “saudade, saudade” leva-nos a acreditar que a vitória já esteve mais longe. Precisamos de mais MAROs, que ponham o coração em cima da mesa e os sentimentos à flor da pele. Precisamos de mais música, pela simplicidade de a produzir e pelo prazer de a ouvir, e não pela repercussão mediática e retorno financeiro que ela possa trazer.

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Francisca Sequeira
Tem 22 anos, é licenciada em Línguas e Literaturas Europeias e está no último ano do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura na Universidade do Minho. Autodidata em dois instrumentos musicais, tem na música e no design as suas maiores paixões, e acredita que o igual acesso às artes e à cultura é uma das bases de uma sociedade evoluída.