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Vila Nova de Famalicão
Domingo, 19 Setembro 2021
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Luís Paulo Rodrigueshttps://www.luispaulorodrigues.com
Cofundador dos jornais “Cidade Hoje” e “Opinião Pública”. Jornalista de títulos nacionais como “Público”, “O Comércio do Porto” e “Gazeta dos Desportos”. Autor do livro “Comunicação – Riscos e Oportunidades”. É consultor de comunicação e cofundador do projeto NOTÍCIAS DE FAMALICÃO.

“Ele não é de cá…”. A xenofobia na campanha de Famalicão

É atacado por não ser de cá, mas a verdade é que Eduardo Oliveira é um símbolo da capacidade do concelho de Vila Nova de Famalicão para atrair e fixar pessoas e profissionais de excelência.

6 min de leitura
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Luís Paulo Rodrigueshttps://www.luispaulorodrigues.com
Cofundador dos jornais “Cidade Hoje” e “Opinião Pública”. Jornalista de títulos nacionais como “Público”, “O Comércio do Porto” e “Gazeta dos Desportos”. Autor do livro “Comunicação – Riscos e Oportunidades”. É consultor de comunicação e cofundador do projeto NOTÍCIAS DE FAMALICÃO.

Famalicão

Candidatos do CHEGA, IL, PAN e PS recebem apoio da liderança nacional em Famalicão

Ao contrário de eleições anteriores, a liderança nacional do PSD e do CDS-PP está ausente da campanha famalicense. Rui Rio participou ontem na campanha eleitoral de diversos municípios no Minho, mas não veio a Famalicão. Francisco Rodrigues dos Santos disse que não foi convidado.

PAN Famalicão apresenta programa eleitoral

O documento é dividido em quatro grandes eixos: Ambiente, Efetivar os Direitos Humanos, Proteção e Bem-estar Animal e Administração Municipal.

André Ventura presente na campanha do Chega em Famalicão

Centenas participaram no jantar com a participação do líder nacional no último dia 15, em Ribeirão.

António Costa dá força a Eduardo Oliveira hoje em Famalicão

Comício com a presença de António Costa realiza-se este sábado à tarde no Parque de Sinçães. Além do secretário-geral do Partido Socialista, outros nomes nacionais do partido têm vindo a Famalicão apoiar a candidatura de Eduardo Oliveira à presidência da Câmara Municipal.
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A questão do local de nascimento de Eduardo Oliveira, o candidato do PS à presidência da Câmara de Vila Nova de Famalicão, é irrelevante e nem deveria ser assunto de campanha num concelho desenvolvido e com aspirações a ser uma cidade média europeia.

Eduardo Oliveira não é o primeiro e certamente não será o último candidato à presidência da Câmara de Famalicão que não nasceu no concelho. E se fosse, a terra onde nasceu continuaria a não ter importância.

Porém, torna-se inevitável escrever sobre esta questão, transformada num tema de campanha ao ter sido sublinhada ou referida mais ou menos sub-repticiamente em entrevistas ao candidato como sendo uma fragilidade política.

Curiosamente, nenhum meio de comunicação local fez ainda qualquer referência, talvez por desconhecimento histórico, mas, 42 anos depois, os famalicenses podem escolher novamente um presidente da Câmara Municipal nascido em Trás-os-Montes.

Nas autárquicas de 1979, Antero Martins, natural de Carrazeda de Anciães, conquistou a Câmara de Famalicão para a Aliança Democrática, coligação formada pelo PSD, CDS e PPM, no tempo de Francisco Sá Carneiro como presidente nacional dos social-democratas.

Não consta que, então, tenham ocorrido manifestações de xenofobia contra Antero Martins. E não consta que Antero Martins tenha sido melhor ou pior presidente da Câmara pelo facto de não ter nascido em Vila Nova de Famalicão.

Depois de Antero Martins, seguiram-se três autarcas nascidos em Famalicão: Agostinho Fernandes (PS), Armindo Costa (PSD-CDS) e Paulo Cunha (PSD-CDS).

E chegamos às eleições deste ano, em que o PS quer recuperar a presidência da Câmara de Famalicão com Eduardo Oliveira, um transmontano nascido em Lamego, há 37 anos, radicado há 20 anos em Famalicão, cidade que escolheu para a sua formação superior na área da saúde e para o seu projeto de vida. Ou seja, um famalicense como qualquer outro.

Curiosamente, Eduardo Oliveira é um símbolo da capacidade do concelho de Vila Nova de Famalicão para atrair e fixar pessoas e profissionais de excelência, desideratos fulcrais num País envelhecido, onde nascem cada vez menos bebés.

Eduardo Oliveira escolheu Vila Nova de Famalicão para estudar. E tanto quanto sabemos, conheceu a mulher na Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, casou-se, fixou residência em Antas e tornou-se pai de quatro filhos famalicenses, sendo, há mais de uma década, um dos profissionais de saúde do Centro Hospitalar do Médio Ave, no Hospital de Famalicão.

Além de tudo isto, e mesmo não sendo de cá, ainda teve tempo para dar um rumo ao Partido Socialista de Famalicão, que estava corroído por guerras intestinas de muitos anos.

Tal como ele, milhares de outras pessoas, portuguesas ou não, são acolhidas em Vila Nova de Famalicão e fazem aqui a sua vida. Assim como outros famalicenses vão para outras paragens.

Foi sempre assim, desde que o rei D. Sancho I, em 1205, distribuiu as terras de Vila Nova por 40 casais, para que as cultivassem e povoassem.

Aquilo que deveria ser elogiado transforma-se num motivo de crítica muito feia que diz muito da ignorância atrevida de certas almas penadas que pululam nos meandros sujos da política politiqueira.

Como já referi, o tema da naturalidade de um candidato autárquico é um não-assunto. Eduardo Oliveira não deixa de ser famalicense por ter nascido em Lamego. Mas como há gente que se encarrega de transformar um não-assunto numa arma de arremesso político e num ataque dissimulado ao candidato, o não-assunto transforma-se em assunto que deve ser comentado.

Em primeiro lugar, as pessoas não são dos lugares onde nasceram. As pessoas são das terras onde vivem. A terra de nascimento é uma circunstância de lugar.

Se o lugar de nascimento fosse argumento político em eleições autárquicas, Pedro Santana Lopes não poderia concorrer à Figueira da Foz (onde nem sequer vive…), Carlos Moedas não poderia concorrer a Lisboa, Antero Martins jamais poderia ter sido presidente da Câmara de Famalicão, Joaquim Loureiro, que é de Alcobaça, não poderia ter sido presidente da Assembleia Municipal de Famalicão e Bernardino Machado, que nasceu no Rio de janeiro, não poderia ter sido famalicense, muito menos Presidente da República de Portugal.

Já agora torna-se interessante perguntar: e os alemães da Leica, que não são de cá, podem ter a sua empresa em Famalicão? E os alemães da Continental Mabor, que também não são de cá, podem continuar a investir em Famalicão? E outros investidores estrangeiros, que não são de cá, mas que têm contribuído para a riqueza famalicense, podem continuar a investir no nosso concelho e a criar postos de trabalho? E os empresários portugueses que não naturais de Famalicão, mas que criaram as suas empresas em Famalicão, podem continuar por cá?

Se pensarmos bem, Vila Nova de Famalicão seria um concelho muito mais pobre e não teria tanta coisa “Made IN” por cá, se não fosse o dinheiro, a capacidade empreendedora e o trabalho de muita gente que não é de cá.

Num sinal de recuo civilizacional, em Famalicão, o ataque ao candidato socialista faz-se no submundo do boca a boca político, tentando assustar os incautos lembrando-lhes que “Ele não é de cá”. É a xenofobia na campanha.

Famalicão só poderá ser um concelho próspero, desenvolvido e cosmopolita se estiver permanentemente aberto a todos os que possam vir de fora.

A grandeza de um concelho está nessa capacidade de linkar todas as pessoas. Os que escolhem Famalicão para viver e trabalhar. E os que, tendo sido nascidos em Famalicão, optaram por escolher outras terras ou outros países para o seu projeto de vida.

Por isso, que venham mais Eduardos, mais Marias, mais Bernardinos, mais Sofias, mais Anteros, mais Marisas… Que venham viver, estudar, trabalhar, investir ou simplesmente viver uma reforma descansada. Em Vila Nova de Famalicão há, seguramente, lugar para todos!…

 

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