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Sábado, 23 Outubro 2021
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João Azevedo
Gosta das ciências e da engenharia. É aluno do Instituto Superior de Engenharia do Porto onde é estudante de Mestrado em Engenharia Química do ramo Energia e Biorrefinaria. É apaixonado pelo desporto, mas principalmente pelo ciclismo. Desde 2013 é atleta federado em ciclismo BTT. É adepto e sócio do FC Famalicão.

Mobilidade sobre duas rodas em Famalicão

A construção de ciclovias tem de ser bem estruturada e pensada em ajudar a comunidade, sem prejudicar a segurança dos peões.

6 min de leitura
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João Azevedo
Gosta das ciências e da engenharia. É aluno do Instituto Superior de Engenharia do Porto onde é estudante de Mestrado em Engenharia Química do ramo Energia e Biorrefinaria. É apaixonado pelo desporto, mas principalmente pelo ciclismo. Desde 2013 é atleta federado em ciclismo BTT. É adepto e sócio do FC Famalicão.

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Nesta crónica venho expressar a minha opinião sobre este tema, a nível nacional e na cidade de Famalicão, já que nos encontramos na Semana Europeia da Mobilidade e a pouco menos de uma semana das eleições autárquicas, onde tem sido “trazido à conversa” de forma recorrente.

Não há dúvidas de que o sistema de cidades tem trazido um leque variado de vantagens à sociedade, no que toca sobretudo às infraestrutura e urbanização do país. No entanto, ainda existem muitas lacunas, como é o caso da mobilização urbana. O conceito de mobilidade sustentável tem se tornado tema de maior destaque, sendo uma mudança fundamental no combate a essa situação.

Esta define-se como sendo “a capacidade de dar resposta às necessidades de deslocamento da sociedade e caso seja possível livremente, aceder, comunicar, transacionar e estabelecer relações sem sacrificar outros valores humanos e ecológicos, hoje e no futuro”, segundo o World Business Council for Sustainable Development.

A 13 de agosto, saiu uma notícia nos mídia nacionais que me surpreendeu bastante pela positiva: o ciclismo ia entrar no plano curricular da disciplina de Educação Física, em todas as escolas do país, até ao 2º ciclo. Esta aposta no ciclismo como modalidade de desporto escolar possui um objetivo principal – ensinar os estudantes a andar de bicicleta – e um objetivo secundário, que é a promoção da atividade física e incentivar à utilização deste meio de transporte no espaço urbano.

Claro que esta medida não teve o apoio de todos, principalmente devido à alta carga financeira aplicada nesta medida. Serão investidos três milhões de euros da “bazuca” europeia na compra de bicicletas, aliado aos  custos de manutenção. Porém, trata-se de um “baby step” na evolução progressiva da mobilidade sustentável com bicicleta dentro do nosso país, que vai ajudar no combate as alterações climáticas, um conceito cada vez mais frequente na nossa sociedade e que nos faz pensar as nossas escolhas de vida.

No entanto, para conseguir acompanhar este desenvolvimento é necessário a existência de infraestruturas capazes de nos fazer atingir esses objetivos. Algumas cidades portuguesas começaram o seu investimento na construção de ciclovias, para promover o uso da bicicleta em meio citadino e a desencorajar o uso habitual do carro. Agora, a maneira como estas estão a ser construídas, pode levar a muitas polémicas.

A questão fica levantada: queremos ter uma cidade amiga do utilizador da bicicleta ou não? Citarei aqui duas cidades que Famalicão pode observar como exemplo para um bom planeamento: Lisboa e Guimarães.

Rede de Ciclovias de Lisboa. Imagem JORNAL DE NEGÓCIOS/DR

Começando por Lisboa, a capital dá um bom exemplo ao possibilitar a existência de uma rede muito forte de ciclovias que atravessa a cidade inteira, permitindo deslocações rápidas dentro da capital. Em Guimarães, as ciclovias atravessam a cidade pela sua periferia, muito bem feita que liga o Parque do Multiusos à ciclovia que liga a cidade berço a Fafe.

Uma das ciclovias de Guimarães

No entanto, apesar das melhorias significativas, nem todos os locais são bons exemplos. Em Braga, foi dada ordem de construção às famosas “vias partilhadas”. Estas vias servem para indicar que o local é partilhado por automóveis e velocípedes. Porém, os utilizadores de bicicletas consideram que esta medida não resulta em mais segurança e não convence novos utilizadores, dificultando, assim, uma transição sustentável para bicicleta como meio de transporte.

Via partilhada em Braga

Agora, dando o exemplo da nossa cidade, Famalicão tem apresentado boas condições para possuir boas ciclovias que podem servir a população no que toca a métodos de deslocamento. Recentemente, a ciclovia que liga Famalicão a Póvoa foi renovada para ser não só mais amigo do velocípede, mas também do pedestre. Esta ciclovia, que foi aproveitada do antigo ramal ferroviário, é um percurso 100% terrestre, inaugurado a 17 de julho.

Já dentro da cidade, a Câmara tem um plano de unir o Parque da Cidade, pelo lado do CeNTI, até à entrada da ciclovia Famalicão-Povoa, percorrendo artérias da cidade como a Avenida 25 de abril, as escolas secundarias, a estação ferroviária, Vinhal e entre outros locais da cidade. Porém, a demora destas obras acaba por se tornar um dos maiores problemas para mobilidade. Só a obra da ciclovia do ramal demorou dois anos, enquanto a ciclovia da cidade já se encontra há mais um ano e sem sinal de finalização.

Como é ano de eleições, todos os candidatos à Câmara Municipal do concelho tem propostas de como melhorar a mobilidade da cidade, todavia, nenhum tem um plano específico de rede ciclável para os famalicenses analisarem nos seus planos eleitorais, tendo só muitos a promessa eleitoral de aumentar a “rede ciclável” e “promover” o uso da bicicleta no nosso concelho. A construção de ciclovias tem de ser bem estruturada e pensada em ajudar a comunidade, sem prejudicar a segurança dos peões.

A principal queixa de muitas ciclovias é, na verdade, a forma como elas são construídas. Muitas delas não oferecem segurança ao utilizador, pioram o trânsito e não promovem o seu uso. Também é essencial na construção destas, evitar o estacionamento abusivo de carros, pois é essencial separar os “alhos de bugalhos”.

Muitas ciclovias são convite apelativo para estacionamento abusivo, tal como se viu durante os últimos anos na avenida 25 de abril, o que, na minha opinião, só serviu para condutores saberem como podiam estacionar em segunda mão nessa artéria da cidade.

Todavia, vejo que a nossa cidade está em bom porto para rumar a um melhor futuro da mobilidade, e nesta semana da mobilidade europeia convido o caro leitor, cuidadosamente, a utilizar a bicicleta, nem que seja para experimentar numa deslocação que lhe seja habitual. Quem sabe até possa influenciar outros a experimentar. Boas pedaladas, e obrigado pela atenção disponibilizada até aqui.

 

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