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Vila Nova de Famalicão
Domingo, 19 Setembro 2021
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José Tinoco
Natural de Pousada de Saramagos, é licenciado em Gestão de Empresas e pós-graduado em Finanças Empresariais. É economista, contabilista certificado e especialista em fiscalidade. É fundador e CEO da Ponto Mais.

Moratórias bancárias – “Assobia para o lado”

Não vejo outra alternativa que não seja ir “desligando a máquina” aos poucos, com a cronologia bem definida de modo que todos os players conheçam as regras e os tempos do crescimento das suas responsabilidades.

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José Tinoco
Natural de Pousada de Saramagos, é licenciado em Gestão de Empresas e pós-graduado em Finanças Empresariais. É economista, contabilista certificado e especialista em fiscalidade. É fundador e CEO da Ponto Mais.

Famalicão

Candidatos do CHEGA, IL, PAN e PS recebem apoio da liderança nacional em Famalicão

Ao contrário de eleições anteriores, a liderança nacional do PSD e do CDS-PP está ausente da campanha famalicense. Rui Rio participou ontem na campanha eleitoral de diversos municípios no Minho, mas não veio a Famalicão. Francisco Rodrigues dos Santos disse que não foi convidado.

PAN Famalicão apresenta programa eleitoral

O documento é dividido em quatro grandes eixos: Ambiente, Efetivar os Direitos Humanos, Proteção e Bem-estar Animal e Administração Municipal.

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Centenas participaram no jantar com a participação do líder nacional no último dia 15, em Ribeirão.

António Costa dá força a Eduardo Oliveira hoje em Famalicão

Comício com a presença de António Costa realiza-se este sábado à tarde no Parque de Sinçães. Além do secretário-geral do Partido Socialista, outros nomes nacionais do partido têm vindo a Famalicão apoiar a candidatura de Eduardo Oliveira à presidência da Câmara Municipal.
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Já em Abril passado escrevi sobre a subcapitalização das empresas e os problemas daí decorrentes. Já sobejamente conhecemos o problema português e a fragilidade do tecido empresarial em Portugal, com as enormes limitações ao crescimento.

Pretendo aqui focar-me no problema (que ainda não o é, mas há-de ser) do fim das moratórias bancárias e as ondas de choque que por certo irá criar.

Vejamos a atual situação.

Têm saído nos últimos dias dados que indicam que em determinadas áreas a atividade económica começa a dar sinais de crescimento ainda que distantes dos indicadores pré-pandemia. Grande parte deste crescimento sustenta-se na área dos serviços (restauração e atividades conexas aqui incluídas) mas também nas áreas de construção e turismo. Nesta última com um efeito mais acentuado por força das férias a decorrer. Aparentemente, para os mais distraídos, dir-se-ia que a economia começa a virar o “Cabo das Tormentas”. Errado!

Grande parte do consumo interno sustenta-se no fenómeno conhecido de revenge spending bem como no maior consumo em período de férias. É um sinal positivo mas ainda não é sustentado.

Muitas empresas encontram-se ainda “ligadas à máquina” e apenas se vão mantendo porque usufruem ainda das moratórias bancárias. Em Março de 2020, face ao tremendo túnel negro em que se entrava, não havia muitas outras soluções que não fosse este tipo de medidas que permitisse o foco noutras matérias. As moratórias bancárias foram sendo renovadas, estando o seu término previsto para o próximo mês. O que se prepara para se fazer é simplesmente “desligar a máquina” e esperar que o “doente” comece a respirar por si. Se apenas assim for virá por certo uma onda de insolvências, desemprego e setor bancário com problemas de solvabilidade.

Não querendo ser o profeta da desgraça, a verdade é que a atitude de todos os intervenientes é no mínimo curiosa e perigosa.

As empresas pouco se prepararam para este impacto. Aquilo que já era um problema sistémico de subcapitalização veio a ser agravado. Numa atitude de típico português, deixou-se correr o problema e “alguém lá à frente terá a solução”. Poucas foram as que se providenciaram para a onda de choque que se aproxima.

A banca tem vindo a ter uma atitude de desprezo e até mesmo de arrogância face ao problema que se avizinha. Ou ainda não tem solução, ou apenas estão dispostos a “negociar” se o Estado avalizar pelo menos 90% das operações das empresas. É o que me tem sido transmitido no decurso da minha experiência profissional recente. Como alguém diria, “assim também eu…”.

O Estado parece estar na expectativa de ver o que se vai passar e logo se vê se será preciso voltar a “ligar as máquinas”. É no mínimo uma atitude perigosa, pois até lá muitos empregos se perderão e o impacto na estrutura, já débil, da banca será potenciada.

Percebe-se por um lado que as empresas só com maiores receitas poderão fazer face aos seus compromissos mas a verdade é que Setembro está aí e não se prevê um boom de consumo. Há que reestruturar e antecipar desde já um problema que já existe.

Por outro lado, a banca, terá que encontrar soluções, em conjunto com as associações empresariais e com o Estado, passando de uma atitude sobranceira a assumir o seu papel na economia. A banca assume, por conceito base, riscos e é remunerada por isso. Não pode agora exigir sempre que o Estado a substitua neste papel.

O Estado vive num colete de forças entre as regras do Banco Central Europeu e a banca nacional. O BCE não permite a qualquer preço a extensão das moratórias e banca vai fazendo a chantagem “barata” de que se quer renegociar então que o estado se substitua ao seu papel. Legislou algo por estes dias sobre o tema, mas pouco claro, sem firmeza e à jeito de “despacha que tenho que ir de férias”.

Não vejo outra alternativa que não seja ir “desligando a máquina” aos poucos, com a cronologia bem definida de modo que todos os players conheçam as regras e os tempos do crescimento das suas responsabilidades. Teria que ser um trabalho profundo entre os intervenientes, permitindo, por exemplo, o fim da moratória total, passando-a a parcial e gradual no tempo, num espaço de 12 meses, mas definindo desde já as regras. E aqui sou muito claro: tal medida só seria aplicável a empresas ou sectores ainda em crise empresarial. Todos os outros teriam que ver as suas moratórias terminadas.

A verdade é que este trabalho requer disponibilidade de todos, muito trabalho e vontade de resolver um assunto que há-de ser grave. Já ao virar da esquina. Espero estar tremendamente enganado.

Mas parece tudo de férias e com a lógica de “logo se resolve”. Como versa a música – assobia para o lado. À português.

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José Tinoco
Natural de Pousada de Saramagos, é licenciado em Gestão de Empresas e pós-graduado em Finanças Empresariais. É economista, contabilista certificado e especialista em fiscalidade. É fundador e CEO da Ponto Mais.