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Terça-feira, 29 Novembro 2022
Vera Carvalho
Estudou Línguas e Literaturas Europeias. Atualmente está no mestrado de Espanhol na Universidade do Minho. Tem dois livros publicados: Eterno Inferno (2019) e Nostalgia Inquietante (2021). Também participou em antologias poéticas: Sentidos Despertos (2020) e A poesia dos dois lados do Atlântico (2021).

O lugar da mulher é onde ela quiser!

Ainda acham que podem simplesmente mudar ou mandar numa mulher porque sempre foi assim.

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Vera Carvalho
Estudou Línguas e Literaturas Europeias. Atualmente está no mestrado de Espanhol na Universidade do Minho. Tem dois livros publicados: Eterno Inferno (2019) e Nostalgia Inquietante (2021). Também participou em antologias poéticas: Sentidos Despertos (2020) e A poesia dos dois lados do Atlântico (2021).

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No último mês muito tem circulado e se comentado acerca da controversa notícia sobre o governo espanhol ter aprovado a licença menstrual de três dias (paga) bem como a possibilidade de uma mulher poder abortar aos 16 anos.

Ora, isto pode soar um absurdo (talvez) para as pessoas mais tradicionais e que vislumbram isto como um retrocesso no que toca há existência da “igualdade” para as mulheres. Na verdade, não creio que se trata de um problema. Acho que se trata sim, de a própria sociedade estar a tornar isto num enorme problema, sendo que, deveria já estar num senso de qualquer um que, tanto o homem como a mulher estão no mesmo nível. Na prática, atualmente, claro que não estão.

Agora também acham que esta medida só vem para prejudicar (ainda mais) as mulheres em termos profissionais. Não vem prejudicar. Desde há muito tempo que escolhem (leram bem, sim), escolhem inferiorizar as mulheres por determinadas questões que também toca aos homens.

Ainda não consegui perceber porque acham que qualquer medida que decidam tomar a favor das mulheres, também acham que consequentemente as pode prejudicar terrivelmente. Não será isto, algo que já está tão enraizado na nossa sociedade, que até nós, as próprias mulheres, tememos que nos possam ainda nos ridicularizar mais, que até já acabamos por achar que nada de bom pode vir destas medidas?

Desde sempre que as mulheres têm sido remetidas a um papel banal, comum e de pouca importância. Tratando-nos como “seres inferiores”, menos capacitados para certas atividades ou até mesmo incapazes de conquistar algo por sermos simplesmente isto: Mulheres.

Acho ridículo quem continua a achar que somos limitadas, que o nosso “lugar é na cozinha” sendo donas de casa a tomar conta dos filhos e dos maridos, que além de um trabalho normal, também devemos fazer todos as outras tarefas domésticas, porque segundo as “leis universais do mundo” (do mundo dos ignorantes), é isso que nos compete enquanto mulheres.

Até mesmo em termos linguísticos ou gramaticais devemos referir-nos a todos nós (homens e mulheres) como: o Homem. Letra maiúscula e a utilização da palavra “homem”.

E porque não pode ser a Mulher?

Desafiar estas leis tem-se tornado numa verdadeira luta. Pois não é só, grande parte dos homens, que continuam com este tipo de mentalidade retrógrada e sem nexo, também há mulheres que se remetem a este papel imposto pela sociedade, que aceitam facilmente isto porque acreditam que é para isso que nasceram.

Está mais que evidente que o poder, a opinião e a posição de uma mulher incomoda muita gente.

Ainda acham que podem simplesmente mudar ou mandar numa mulher porque sempre foi assim.

Falo da desvalorização das mulheres nas várias esferas da sociedade, mas também vale a pena realçar no quanto há homens que continuam a achar que os homens não devem ter determinadas atitudes como, por exemplo, chorar ou então não devem trabalhar em determinadas áreas que “pertencem às mulheres…

Há tantas ideias estúpidas que ainda permanecem na nossa sociedade que realmente chegam a assustar-me. Que tipo de educação estamos a dar às crianças atualmente quanto a estas ideias?

Na minha opinião, creio que deve ser dada a liberdade, a qualquer um, de escolher aquilo que pretende fazer com a sua vida. Proporcionar a licença menstrual de três dias remunerada não é um retrocesso na igualdade das mulheres. Representa sim, um avanço para a consciência que já deveria haver sobre este assunto.

Afinal, nem todo o corpo feminino reage da mesma forma à menstruação, e de facto, há casos que é necessário haver tolerância quanto a isto. Bem como, referente a este assunto, já deveriam proporcionar a oferta, nos estabelecimentos públicos de cada país, dos produtos relacionados com a menstruação, assim como o acesso gratuito a esses produtos.

Quanto à questão do aborto aos 16 anos, talvez possa ser um assunto bastante delicado, mas prefiro ver pela perspetiva de que a mulher com 16 anos tenha a possibilidade e a liberdade de escolher o que pretende fazer com a sua vida neste assunto. E que obviamente, tenha ao dispor dela toda a ajuda médica e psicológica (antes, depois e durante este processo).

Para terminar a minha crónica, gostaria de deixar claro que cada um de nós deveria ter a possibilidade de escolher aquilo que pretende fazer com a sua vida sem ter se quer julgado pelo que escolhe.

A opinião de cada um não é uma verdade absoluta. É uma opinião e como tal, estas podem ajudar ou ter o efeito contrário. O que, no caso, falta ainda um pouco de bom senso a muita gente para tecer ou saber quando dar a sua opinião.

Dito isto, gostaria de terminar a minha crónica com uma frase que vi algures e que acho adequada para este contexto: O lugar da mulher não é na cozinha, é onde ela quiser.

Faço apenas umas pequenas alterações: O lugar de cada um, é onde nós quisermos. Cabe apenas a cada um de nós decidir a vida que queremos ter e levar, porque somo nós que iremos viver a nossa vida e não outros que se limitam a opinar sobre o que poderia ser melhor.

De qualquer modo, vamos sempre a tempo de melhorar.

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Vera Carvalho
Estudou Línguas e Literaturas Europeias. Atualmente está no mestrado de Espanhol na Universidade do Minho. Tem dois livros publicados: Eterno Inferno (2019) e Nostalgia Inquietante (2021). Também participou em antologias poéticas: Sentidos Despertos (2020) e A poesia dos dois lados do Atlântico (2021).