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Domingo, 7 Março 2021
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Os vinte de Lemenhe

O sentimento de pertença a uma comunidade tem um importante papel de cidadania. Mesmo quando essa cidadania se vê abalada pela confusão anárquica lançada com a atabalhoada agregação administrativa de freguesias.

3 min de leitura
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José Augusto Moreira
José Augusto Moreira
Natural de Lemenhe, estudou Direito em Coimbra, único período em que viveu fora de Famalicão, e fez-se jornalista. É um dos fundadores do jornal “Público”. Por cá, frequentou o Liceu e vestiu a camisola do FC Famalicão, nos escalões jovens. Escreve no dia 20 de cada mês.

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Pim-pam-pum. Não foi à sorte que surgiu o nome para esta crónica que ora se estreia. Desde logo porque, ao contrário daquilo que muitas vezes possa parecer, há sempre uma razão, um nexo, mesmo que longínquo ou indecifrável, que faz com que as coisas aconteçam de uma determinada maneira. Mas, neste caso, a explicação é bem simples. Como o critério de publicação é a data de aniversário do autor, vai daí que será sempre aos vinte de cada mês que o leitor a terá disponível.

E como palavra puxa palavra, vem até a talhe de foice falar de um grupo de amigos cujo denominador comum é, precisamente, o número vinte, e no qual me incluo. Uma banalidade simbólica nestes tempos de duro confinamento, já que é na lógica de grupo e comunidade, de dinâmica colectiva, que reside a chave para o problema dramático que como sociedade por estes dias enfrentamos.

Por detrás deste convívio há uma razão invisível, um nexo de ligação, que resulta da celebração do sentido de comunidade, de pertença a um grupo, que neste caso é ser de Lemenhe.

Para os vinte de Lemenhe a razão de existir não é, à partida, outra que juntarem-se anualmente à volta da mesa para contar histórias, puxar o fio às memórias comuns. Mas há também por detrás deste convívio uma razão invisível, um nexo de ligação, que resulta da celebração do sentido de comunidade, de pertença a um grupo, que neste caso é ser de Lemenhe.

Ora, é precisamente nesta lógica de comunidade, no sentido e vivência de grupo, de pertença e participação, que resulta a dinâmica colectiva. De partilha, mas também de dever e responsabilização recíprocos, que por estes tempos são a solução para o problema que se nos coloca como comunidade.

Não por acaso é nos meios menos gregários, nos aglomerados urbanos, que mais prolifera a contaminação pandémica que a todos aflige. Falta da tal relação de reciprocidade, de cuidado e responsabilização colectiva, que levou as coisas até ao ponto de aflição actual.

O sentimento de pertença a uma comunidade tem um importante papel de cidadania. Mesmo quando essa cidadania se vê abalada pela confusão anárquica lançada com a atabalhoada agregação administrativa de freguesias.

Entre muitas, esta é também uma das razões pelas quais o orgulho e sentimento de pertença a uma comunidade tem também um importante papel de cidadania. Um sentimento gregário que responsabiliza enquanto grupo, mesmo que muitas vezes simploriamente visto apenas como mera manifestação de bairrismo.

Mesmo quando essa cidadania se vê abalada pela confusão anárquica lançada com a atabalhoada agregação administrativa de freguesias, que por enquanto as populações ainda não reconhecem de facto. Falou-se na possibilidade de reversão da trapalhada durante esta legislatura, mas neste caso a fé é pouca e é mesmo preciso esperar para ver.

E porque as coisas têm sempre uma razão de ser, era bom que aqueles que têm a responsabilidade de decidir ponderassem também estas matérias nas suas múltiplas dimensões. A favor da cidadania, do gosto e do fervor de pertença a uma comunidade, com tudo o que isso representa e acarreta.

É que ao orgulho nas raízes destes vinte de Lemenhe, não é difícil antever o desprezo futuro das novas gerações, agora privadas duma inequívoca referência administrativa. Pertencendo a uma União e Freguesias vão agora à escola noutro agrupamento e quando chamados a votar não sabem bem qual o autarca que estão a escolher. Qual é, afinal, o território que os une? E isto não ajuda ao sentido gregário, não dá força à comunidade. Nem à cidadania!

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