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Segunda-feira, 17 Junho 2024

A urgência de ensino profissional em Portugal

O ensino profissional é uma forma prática e de excelência de formar mão de obra técnica qualificada. Isso é especialmente importante num país como Portugal, onde a economia depende de demasiadas atividades técnicas e especializadas.

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Rui Costa
Rui Miguel Costa é formado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto. Gestor em áreas de desenvolvimento, é apaixonado por música, engenharia, economia, inovação e empreendedorismo.

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Numa altura de crise e de incertezas sobre qual o rumo da economia portuguesa, torna-se imperativo colocar em perspetiva o papel que as gerações futuras têm na alavancagem da indústria portuguesa e de que forma poderão eles revelar-se a maior vantagem competitiva em relação aos restantes países da Europa.

Num país onde tudo parece estar do avesso, repleto de agendas, interesses políticos peculiares e ideias díspares da realidade portuguesa, um dos poucos temas onde a energia e o foco parecem bem-estar alinhados é na urgência do ensino profissional e a sua necessidade para com a indústria portuguesa. Tardio, é um facto, mas antes tarde do que nunca.

Pretende-se com esta rubrica abordar a emergente necessidade do ensino secundário profissional, de forma a colmatar as necessidades da nossa indústria, a interpretar a visão dos portugueses sobre este tipo de ensino, as suas valências e salientar o que é bem feito no nosso país.

De certa forma, criou-se uma narrativa, da qual eu mesmo sou fruto, que nos direciona desde cedo para um percurso académico. O importante é entrar na universidade, seja em que curso for, sob a falsa promessa de conseguir um emprego bem remunerado e de ter mais opções de carreira! Ainda que, inconscientemente, esta linha de pensamento leva-nos a optar por qualquer área de estudo no secundário, qualquer que seja, à exceção dos cursos profissionais.

Recuando ao que foram os anos 70 e 80 em Portugal, há uma verdade associada àqueles que tendo possibilidade de seguir uma formação superior, teriam um mundo de oportunidades diferentes indexados a estatutos sociais e a salários totalmente distintos dos demais.

Atualmente, esta verdade ainda se aplica nos casos em que, com o caminho tradicional, secundário e, posteriormente, universitário, exista a ambição de ser integrado em multinacionais, seguir carreiras internacionais e de ter cargos, à partida, mais bem remunerados. Contudo, Portugal precisa de outro tipo de profissionais, com conhecimento técnico, hands-on e com gosto e vontade de percorrer uma carreira técnica.

Quando comparamos a realidade de países mais desenvolvidos e igualmente industriais, como a Alemanha, Suécia e França, percebemos que existem claramente dois caminhos e que, embora distintos, são igualmente dignos e que se traduzem em igualdade de oportunidades, desenvolvimento profissional e pessoal. Um dos caminhos é o típico ensino secundário orientado para formação académica e o ensino secundário profissional que pode terminar com integração em ambiente industrial ou até resultar num percurso académico também.

Mais preocupante ainda, é que países considerados por nós, menos desenvolvidos, como Lituânia, Letónia e Polónia, atualmente, já fazem uma distribuição quase equivalente entre o número de alunos que segue ensino secundário profissional e o ensino secundário, que para além de alavancar o desenvolvimento empresarial do país, atrai investimento industrial estrangeiro, resultando em desenvolvimento económico.

Na maioria destes casos, tidos por nós como de países menos desenvolvidos, os salários mínimos e médios já são superiores aos nossos. Deixa de ser arriscado dizer que é mais sustentável e financeiramente apelativo ter uma carreira profissional na Lituânia que em Portugal.

Mas como funciona o ensino profissional secundário em Portugal?

O curso profissional tem um formato simples, alguns cursos profissionais são de dupla certificação, em que se desenvolvem competências sociais, científicas e profissionais necessárias ao exercício de uma atividade profissional e, simultaneamente, se obtém o nível secundário de educação.

O ensino profissional torna-se relevante para a sustentabilidade industrial portuguesa por diversas razões, entre as quais a necessidade emergente de mão de obra técnica qualificada. Este tipo de ensino profissional é uma forma prática e de excelência de formar mão de obra técnica qualificada. Isso é especialmente importante num país como Portugal, onde a economia depende de demasiadas atividades técnicas e especializadas.

É uma ferramenta de combate direto ao desemprego porque o seu formato é direcionado às necessidades do mercado de trabalho e tem como principal objetivo a inserção de jovens em contexto prático. Das inúmeras vantagens que vejo no ensino profissional, um destaque é a melhoria da competitividade, que advém, na minha ótica, de uma mão de obra qualificada, que pode levar as empresas e a marca Portugal, certamente, a melhores índices de qualidade dos seus produtos e serviços, bem como aumentar a nossa capacidade de inovação.

Sem qualquer dúvida tenho este como um caminho que deve ser valorizado e incentivado, tornando Portugal um país novamente competitivo e especializado, mas considero que o ensino profissional é ainda mais que isso. Acredito que representa algo bem maior e relevante para a nossa sociedade.

Creio que é uma das mais poderosas ferramentas de inclusão social, desenvolvimento regional e elevador social. De tudo o que já seria expectável do ensino, este proporciona aos jovens de origens socioeconômicas mais desfavorecidas uma formação que lhes permitirá ter acesso a empregos mais bem remunerados, mais estáveis e com maior prospeção de carreira.

Termino com uma menção ao bom trabalho que se faz no norte do país, com exposição dos alunos ao ambiente industrial, a programas Erasmus e a projetos internacionais, como a CIOR, Forave, e essencialmente a escola secundária Francisco de Holanda com a qual tenho trabalhado ultimamente. São exemplos de excelência do que tão bem se faz no país, ainda que, por vezes, na sombra e sem a devida ajuda.

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Rui Costa
Rui Miguel Costa é formado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto. Gestor em áreas de desenvolvimento, é apaixonado por música, engenharia, economia, inovação e empreendedorismo.