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Terça-feira, 28 Maio 2024

“Leonel Rocha perdeu o hábito de prestar contas e a humildade de servir o povo”

Entrevista com Paula Cristina Santos, candidata do Movimento Juntos por Ribeirão à presidência da Junta de Freguesia de Ribeirão nas eleições intercalares que se realizam no domingo, dia 11 de junho.

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“Continuo a ser a Cristina que todos conhecem em Ribeirão e que acredita, sincera e profundamente, na democracia, na liberdade, na independência e no compromisso com esta terra e com os ribeirenses”, afirma Paula Cristina Santos, em entrevista ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO.

Novamente candidata à presidência da Junta de Ribeirão pelo Movimento Juntos por Ribeirão, Paula Cristina Azevedo Santos é professora do 1º Ciclo do Ensino Básico. Nasceu e vive em Ribeirão e comemora 47 anos na próxima semana.

Em 2021 foi a grande surpresa das eleições ao ter retirado a maioria absoluta à coligação PSD-CDS. Sobre o presidente demissionário Leonel Rocha, que se recandidata, Cristina Santos diz que, com os sucessivos anos de poder na Câmara Municipal de Famalicão, “perdeu o hábito de prestar contas e a humildade de servir o povo que o elegeu”.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – No domingo os eleitores da vila de Ribeirão são chamados a eleições intercalares que vão ditar a escolha de uma nova Junta de Freguesia e de uma nova Assembleia de Freguesia. O que pensa dos motivos que provocaram estas eleições?

PAULA CRISTINA SANTOS – Começo por congratular o NOTÍCIAS DE FAMALICÃO pela atenção dada à atualidade política da vila de Ribeirão. Quanto à questão, importa recordar que, nas eleições de 2021, a coligação PSD-CDS, com o candidato Leonel Rocha, perdeu a maioria absoluta que detinha em Ribeirão há largos anos. E só em abril de 2022 foi possível a formação de um Executivo para a Junta de Freguesia de Ribeirão, numa solução negociada entre as duas forças mais votadas, ou seja, a coligação PSD-CDS e o Movimento Juntos por Ribeirão, o qual encabeço.

Seria de esperar que uma pessoa com competências governativas tão comprovadas, fruto de tantos anos como vereador, fosse capaz de agregar uma vila, em tempos tida como bastião do PSD. Contudo, os mesmos anos de experiência a governar, sempre em maioria absoluta, também podem ter contribuído para que o candidato em questão, com uma personalidade tão própria, tenha perdido duas coisas: o hábito de prestar contas e a humildade de servir o povo que o elegeu. Sendo o NOTÍCIAS DE FAMALICÃO uma publicação concelhia, penso que serei facilmente entendida.

O Executivo formado em abril de 2022 sempre foi motivo de grande desconforto para o Leonel Rocha, embora ele tenha dito, por várias vezes, que tinha conseguido fazer daquele Executivo uma verdadeira equipa. Contudo, o mesmo assumiu que, pelo facto de o Movimento Juntos por Ribeirão integrar essa equipa, nós iríamos abdicar de ser críticos e interventivos sempre que fosse necessário.

Do nosso ponto de vista, o facto de integrarmos o Executivo da Junta de Freguesia obrigava-nos a ser ainda mais exigentes no nosso papel de colaboração, mas, sobretudo, de vigilância e fiscalização. De que teriam servido os votos que os ribeirenses nos confiaram se falhássemos na nossa principal função?

Ao longo deste mandato, ouvimos as preocupações e os problemas dos ribeirenses, que fizemos chegar ao conhecimento do presidente da Junta; questionamos determinadas opções; identificamos erros e alertamos para a sua correção (veja-se o caso do erro de uma duplicação de valores no Orçamento para 2023), mas, aparentemente, o senhor Leonel Rocha viu isto como uma ameaça.

Seja por isto, ou por outros motivos que só ele poderá explicar, o senhor Leonel Rocha preferiu “atirar o brinquedo ao chão” como uma criança birrenta, renunciando ao seu cargo e não se importando com o impacto da sua decisão no desenvolvimento de Ribeirão (6 meses de Executivo em gestão administrativa). Tudo isto, na expectativa de vir a poder alcançar uma maioria absoluta que, segundo o próprio, só assim lhe permite governar.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Quais as razões da sua candidatura à presidência da Junta de Freguesia de Ribeirão?

PAULA CRISTINA SANTOS – Como tive oportunidade de referir no meu discurso da apresentação da candidatura, apresento-me novamente a este desafio, pois continuo a sentir o apoio dos ribeirenses inconformados com o estado a que chegou a vila de Ribeirão. Continuo a ser a Cristina que todos conhecem em Ribeirão e que acredita, sincera e profundamente, na democracia, na liberdade, na independência e no compromisso com esta terra e com os ribeirenses.

Todos conhecem o meu passado enquanto militante ativa no PSD e sou a primeira a reconhecer a importância dos partidos políticos para uma democracia. Porém, temos vindo a assistir a uma degradação da vida política sem precedentes, quer a nível nacional, quer a nível local. Vale tudo para se conseguir chegar ao objetivo pessoal, nem que se sacrifique um país, um concelho ou uma vila. Nos jogos partidários que nos rodeiam, o Leonel Rocha é um jogador exímio, honra lhe seja feita. Tal comprova-se pelo apoio oficial da concelhia e do núcleo de Ribeirão do PSD, apesar de todos os embaraços e crises de nervos que o candidato deles já lhes trouxe.

Reconheço que é um esforço enorme e uma luta desigual, mas recuso-me a aceitar que os interesses da vila de Ribeirão sejam postos em segundo plano por se achar que é mais importante agradar a este ou àquele senhor, ou pagar este ou aquele favor. Candidato-me porque a minha consciência só estará tranquila se tudo fizer pelo desenvolvimento desta vila.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Que avaliação faz daquilo que é hoje a freguesia de Ribeirão?

PAULA CRISTINA SANTOS – Analisando o desenvolvimento de Ribeirão até 2021, é inegável que se assistiu a um desenvolvimento significativo, aliás transversal a todo o município, e cujo início coincidiu com a chegada do arq. Armindo Costa à liderança da Câmara Municipal de Famalicão. Hoje e do que depende diretamente da autarquia, a vila de Ribeirão está dotada de um conjunto de infraestruturas que nos confere um nível de vida relativamente bom. Reforço a parte da dependência direta da autarquia, pois, por outro lado, perdemos dependências bancárias e caixas de multibanco e continuamos a aguardar a resolução do problema que é o congestionamento do trânsito na EN14.

Desde setembro de 2021, altura em que Leonel Rocha tomou posse, não se pode dizer que a evolução tenha corrido na direção certa. Atendendo ao tempo até à formação do Executivo e aos seis meses em gestão por causa da renúncia, o Executivo governou em plenitude de funções durante menos de um ano. Ora, Ribeirão não pode estar mais de um ano em suspenso, à mercê das vontades de alguém. Do ponto de vista das obras físicas, salienta-se a construção do elevador de acesso ao salão nobre da Junta de Freguesia, cujo timing de construção e valor de investimento nos deixou as maiores dúvidas, e a recente requalificação da Rua Pe. Joaquim Dias dos Santos, com opções arquitetónicas incompreensíveis e, ao dia de hoje, já a ser alvo de reparações e avisos de perigo.

Contudo, seria injusta se não reconhecesse o trabalho desenvolvido do ponto de vista cultural, uma vez que assistimos a um aumento das iniciativas e parcerias culturais em Ribeirão, que têm incrementado o programa de eventos culturais e merece a nossa saudação.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Quais são os três problemas de Ribeirão que o próximo presidente da Junta terá de resolver?

PAULA CRISTINA SANTOS – É difícil apontar apenas três, por isso agruparei os problemas em três áreas: Ambiente, Serviços e Vias.

Ao nível do Ambiente, é difícil encontrar memória de uma vila tão descuidada, seja pela falta de limpeza e arranjo de bermas, valetas e jardins, seja pelo estado lastimável em que se encontram vários ecopontos e os seus espaços circundantes espalhados pela vila. Teremos de arranjar formas mais eficazes de “domar” a Natureza e de educar os Homens.

Quanto aos Serviços, referimo-nos ao insuficiente mapa de pessoal da Junta de Freguesia e à necessidade do seu reforço e eficiente utilização (apenas para prestação de serviço público). Não menos importante é a necessidade de melhorar as condições de atendimento ao público na Junta de Freguesia, para quem lá acorre e quem lá trabalha. Ainda mantemos o sonho de ver uma requalificação estrutural do edifício da sede da Junta.

Relativamente às Vias, são várias as que necessitam de requalificação urgente, dado o seu estado de degradação e o seu elevado tráfego, ressalvando-se que as requalificações das vias devem ter como único objetivo o benefício da comunidade. Temos o caso dos acessos às freguesias vizinhas de Vilarinho das Cambas e Lousado (a Av. Rio Veirão e a Av. Rio Ave, respetivamente), ou vias internas que, pelo seu estado de degradação, merecem ser intervencionadas rapidamente (Rua Central de Candeeira e Rua Fonte das Lágrimas, por exemplo). Ainda nesta área, e esperando que a conclusão da variante à EN14 se concretize no curto prazo, não se pode continuar a ignorar os acidentes, por vezes mortais, com peões que atravessam esta movimentada via, sendo necessário intervir junto da Infraestruturas de Portugal para a correção dos pontos de perigo.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Como deve ser o relacionamento entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão?

PAULA CRISTINA SANTOS – Todos sabemos do desempenho económico do concelho de Vila Nova de Famalicão, que se mantem no pódio dos concelhos mais exportadores do país e, se formos objetivos, a vila de Ribeirão é uma das principais contribuintes para esses resultados, seja pela dimensão e dinamismo do seu parque industrial, seja pelo número de habitantes que acolhe e que representam a mão de obra de muitas empresas da região.

Ora, esta dimensão deve ser reconhecida pelo poder político local, merecendo a vila de Ribeirão e os ribeirenses o maior respeito e consideração por parte da Câmara Municipal e do seu Executivo. Os ribeirenses só se sentirão bem se reconhecerem a justiça das políticas e dos investimentos municipais, que se traduzam em melhores infraestruturas, em melhores serviços, em melhor qualidade de vida e numa melhor comunidade. Os Ribeirenses não podem ser “castigados” pelas suas escolhas, nem os partidos políticos se podem sobrepor ao que realmente interessa, o desenvolvimento da vila de Ribeirão e o consequente desenvolvimento do concelho de Vila Nova de Famalicão. Com isto, quero reforçar que os ribeirenses são muito mais importantes do que o seu presidente da Junta! Independentemente de quem ocupe esses cargos, a relação entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal deve sempre ser de estreita cooperação em prol dos objetivos que já referi.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Do seu programa eleitoral, quais são as cinco medidas que considera mais importantes?

PAULA CRISTINA SANTOS – A minha candidatura tem um Programa Eleitoral abrangente que aborda várias questões importantes para o desenvolvimento e progresso da nossa vila. Dentre as diversas propostas existem algumas obras e ações que considero prioritárias e que gostaria de concretizar durante esta legislatura.

Tendo em conta os problemas que identifiquei como prioritários, o meu programa propõe as medidas para a sua minimização/resolução. Por isso, além dessas, aproveito para salientar outras cinco medidas que gostaria de conseguir implementar: requalificar a zona envolvente ao centro de saúde, incluindo a construção de uma cobertura definitiva na entrada para proteger os utentes da exposição às condições climatéricas;

Sensibilizar a Câmara Municipal para a necessidade de implementação de um sistema de recolha seletiva de resíduos porta a porta, à semelhança de vários concelhos vizinhos;

Criar uma Universidade Sénior, de forma a proporcionar um aumento da qualidade de vida dos seniores, criando convívios que estimulem a comunicação, a aprendizagem e a criatividade;

Promover e valorizar o comércio tradicional e local, começando pela reativação do “Desfile de Moda” integrado nas Festas da Vila;

Desenvolver esforços junto das entidades competentes para resolver o problema das acessibilidades ao Parque Empresarial de Sam (nó de ligação à A7, concretização da nova ponte sobre o Rio Ave e resolução do congestionamento na ligação da Avenida da Indústria à N14).

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