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Quarta-feira, 5 Outubro 2022
Rui Costa
Rui Miguel Costa é formado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto. Gestor em áreas de desenvolvimento, é apaixonado por música, engenharia, economia, inovação e empreendedorismo.

O renascimento da energia nuclear

Sob pressão política e escrutínio público devido à guerra na Ucrânia, o Parlamento Europeu aprovou uma proposta que classifica a energia nuclear como verde.

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Rui Costa
Rui Miguel Costa é formado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto. Gestor em áreas de desenvolvimento, é apaixonado por música, engenharia, economia, inovação e empreendedorismo.

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Algum tempo após ter escrito pela primeira vez sobre os vários investimentos e esforços feitos um pouco por todo o mundo em desenvolvimento e inovação no que às energias alternativas diz respeito, uma inesperada guerra, pelo menos para os mais distraídos, teve início em território ucraniano. Com a Rússia a avançar em pleno para um território soberano durante o último meio ano, a incerteza sobre o seu desfecho e as suas reais repercussões continuam por desvendar. De todos os líderes políticos, apenas alguns ousam opinar, com outros tantos a encolherem-se numa tentativa de passarem incólumes, sobre o tema e sobre os atuais valores de inflação e custos da energia diretamente associados a este acontecimento.

Com as famílias a verem os preços da energia a aumentar gradualmente, consequência da guerra e de uma série de imposições e das sanções do mundo à Rússia, acabamos por nos ver encurralados e na iminência de um precipício económico e energético onde, quase que como num jogo clássico de xadrez, a Rússia faz importantes declarações de intenção e movimentos: demonstra a sua soberania sobre a matérias primas e energia, mais especificamente gás natural, com as insistentes paragens do fluxo do gasoduto Nord Stream para manutenção, exigências de pagamento na sua moeda e especulação.

Por esta altura e com o inverno a bater a porta, a Europa, com um nível de dependência na ordem dos 32%, segundo a AIE (Agência Internacional de Energia), e com países como a Finlândia com níveis de dependência de 97%, alguma decisão tem de ser tomada. A tendência mundial, como já referido, mostra que a energia e inflação dispararam e a Presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirma que o risco de aumentarem ainda mais se intensificam a curto prazo, que na zona euro já dispararam em março para 7,5%, quando meses antes se situava em 5,9%.

Com este panorama, o parlamento europeu, no dia 6 de julho, viu-se na obrigação de atuar! Sob pressão política e escrutínio público, acaba por aprovar uma proposta que classifica a energia nuclear, entre outras, como verdes. Esta iniciativa é uma das muitas que, de alguma forma, impulsiona e unifica este investimento e que abrange novas centrais ou mesmo as reativadas contenham tecnologias recentes, mais avançadas e seguras. Esta iniciativa está inerente ao plano e objetivo da União Europeia em alcançar neutralidade de carbono até 2050.

Este súbito foco de interesse na produção de energia nuclear foi recebido com muita surpresa, porque vários são os exemplos mundiais de desistência deste tipo de projeto ao longo dos anos, como aconteceu no Japão há mais de uma década.

Em 2022 o governo japonês planeia investir na construção de centrais nucleares modernas para estabilizar o fornecimento de energia, mas nem sempre defendeu esta posição. Em 2011, mais especificamente após o acidente nuclear de Fukushima, todos os projetos que envolvessem esta produção de energia nuclear tinham sido abolidos, com uma narrativa de segurança, o que levou o Japão a eliminar a dependência da energia nuclear, aumentando claro os seus consumos de combustíveis fósseis.

Os artigos escritos nesta rubrica tocam, por norma, em alguns pontos de esférica política, com foco no essencial objetivo de contextualizar, mantendo uma visão holística, mas clara. Este artigo não será diferente, pois em base diária somos inundados com notícias onde as mais variadas figuras políticas falam de centrais nucleares, das suas vantagens e até das suas desvantagens, mas efetivamente o que é energia nuclear, como funciona uma central nuclear e quais as suas vantagens?

Pragmaticamente, o termo central nuclear refere-se a unidades industriais que têm como principal fim a produção de energia elétrica a partir de materiais radioativos.

O método de produção é aparentemente simples: recorrendo a fissão nuclear, que não é mais do que a divisão do núcleo de um átomo instável em dois núcleos menores, energia é libertada em forma de calor. Com os reatores ligados, este mesmo calor cria vapor que faz girar turbinas e consequentemente geram energia elétrica. De ressalvar e notar que em todo o processo o elemento químico fulcral é o urânio.

Esta metodologia de produção apresenta bastantes vantagens em comparação com as tradicionais, com destaque para o facto de apresentar um menor impacto ambiental, uma vez que não emite gases com efeito de estufa aliado a um custo de produção e de transporte. Mas tal como nas outras energias, a nuclear apresenta também desvantagens, e algumas até bastante conhecidas do público.

Além do enorme investimento inicial que é necessário para arrancar operações, estas centrais, mesmo com os melhores sistemas de segurança, permitem sempre algum vazamento de materiais radioativos, tal como aconteceu em Chernobyl e Fukushima. O processo de eliminação dos resíduos que advém da produção, não evita a 100% a contaminação do ambiente, pois embora esses resíduos sejam armazenados ou confinados, eles são eliminados.

Podemos rematar a explicação ao afirmar que esta energia sempre foi vista como uma das fontes de energia do futuro, porque além de económica, acaba por ser mais “verde”. Contudo os seus perigos, na minha opinião, são imensamente superiores aos de todas as outras. A todos os problemas e perigos que podem surgir numa operação destas, devemos somar o das radiações, que são cancerígenas e nocivas ao ambiente.

Uma exposição à radiação, que seja muito superior ao que o nosso organismo consegue tolerar, terá um impacto direto na saúde. Até porque a radiação interfere no material genético da célula, podendo prejudicar o organismo através do desenvolvimento de doenças graves, dificuldade reprodutora, mas também com impactos imediatos como queda de cabeço ou mau funcionamento do aparelho digestivo.

Em 2022, sem ninguém contar, eis que a energia nuclear ganha novamente expressão e se torna um tema do momento.

Com a urgência em encontrar soluções, esta parece ou é-nos vendida como uma das mais viáveis, onde a Europa poderá novamente ter energia a baixo custo, de forma consistente e alegadamente segura e sustentável.

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Rui Costa
Rui Miguel Costa é formado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto. Gestor em áreas de desenvolvimento, é apaixonado por música, engenharia, economia, inovação e empreendedorismo.