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Sábado, 23 Outubro 2021
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Luís Paulo Rodrigueshttps://www.luispaulorodrigues.com
Cofundador dos jornais “Cidade Hoje” e “Opinião Pública”. Jornalista de títulos nacionais como “Público”, “O Comércio do Porto” e “Gazeta dos Desportos”. Autor do livro “Comunicação – Riscos e Oportunidades”. É consultor de comunicação e cofundador do projeto NOTÍCIAS DE FAMALICÃO.

A “segunda-feira negra” do Hospital de Riba de Ave

Esta situação de crise de comunicação do Hospital de Riba de Ave poderia ter sido evitada? O que poderia ser feito ao nível da comunicação do hospital para controlar os danos na imagem da administração do hospital?

4 min de leitura
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Luís Paulo Rodrigueshttps://www.luispaulorodrigues.com
Cofundador dos jornais “Cidade Hoje” e “Opinião Pública”. Jornalista de títulos nacionais como “Público”, “O Comércio do Porto” e “Gazeta dos Desportos”. Autor do livro “Comunicação – Riscos e Oportunidades”. É consultor de comunicação e cofundador do projeto NOTÍCIAS DE FAMALICÃO.

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O concelho de Vila Nova de Famalicão está de novo sob o furacão das notícias desagradáveis por causa da covid-19. Depois da Residencial Pratinha, de Cavalões, agora, Famalicão torna a ser notícia nacional por causa de um caso grave que envolve o Hospital de Riba de Ave, propriedade da Santa Casa da Misericórdia local.

Basicamente, o administrador do hospital, Salazar Coimbra, é acusado de fintar o plano nacional de vacinação tendo promovido não só a sua própria vacinação, como a vacinação de familiares e amigos.

A lista dos vacinados do Hospital Narciso Ferreira foi enviada ao Ministério da Saúde, para a necessária aprovação. O problema é que, para trás, ficaram médicos e enfermeiros que deveriam ter sido vacinados e não foram.

A notícia foi publicada na edição de hoje do jornal “Correio da Manhã”, foi replicada em todos os meios de comunicação, sendo tema do dia em todas as televisões, que destacaram equipas de reportagem para Riba de Ave.

Abordando a questão sob a ótica de Salazar Coimbra, do Hospital de Riba de Ave e da Santa Casa da Misericórdia de Riba de Ave esta é uma autêntica segunda-feira negra, com uma crise de comunicação grave, nesta era da informação em tempo real, a afetar a credibilidade do administrador hospitalar e da instituição.

É preciso lembrar que está em curso o plano de vacinação contra a covid-19, que contempla grupos de pessoas com prioridade e que este caso de Riba de Ave, a confirmar-se, confere uma situação gravíssima de viciação desse plano.

Nesta altura, tudo o que tenha a ver com a covid-19 está no topo da agenda mediática.

Como consultor de comunicação, entendo perfeitamente a visibilidade mediática que o caso está a atingir, uma vez que têm sido notícia outros casos semelhantes de alterações abusivas ao plano de vacinação determinado pelo Governo.

Em Riba de Ave, parece existir a agravante de os beneficiados na fila da vacinação serem familiares ou amigos do administrador e que, para terem sido vacinados, ter havido necessidade de produzir documentos do hospital com falsas informações, o que, segundo os especialistas em assuntos jurídicos, pode configurar a existência de crimes de burla e de falsificação de documentos. Isto, repito, a avaliar por aquilo que foi noticiado.

O administrador do hospital, Salazar Coimbra, ao ter mandado dizer aos jornalistas que não prestaria “declarações gravadas” e que só prestava esclarecimentos num comunicado previamente corrigido por advogados, transmitiu ao público a sensação de que tem algo a esconder. Isso mina a confiança que deve existir entre o hospital e a população.

Esta situação de crise de comunicação poderia ter sido evitada? O que poderia ser feito ao nível da comunicação do hospital?

Antes de mais, é bom esclarecer que a comunicação não faz milagres. Uma boa comunicação jamais pode evitar uma decisão errada ou uma declaração errada. Mas uma boa comunicação pode prevenir as piores consequências e pode controlar os estragos.

Nos tempos que correm, o que revela grande amadorismo é não dar a cara, enfrentando o boi pelos cornos e permitir que os jornalistas permaneçam horas e horas à porta da instituição acusada, à espera de um comunicado que estará a ser preparado por “assessores e advogados”.

O administrador Salazar Coimbra, ao ter mandado dizer aos jornalistas que não prestaria “declarações gravadas” e que só prestava esclarecimentos num comunicado previamente corrigido por advogados, também transmitiu ao público a sensação de que tem algo a esconder.

Ora, isso é devastador para ele próprio e para a instituição que lidera, uma vez que mina a confiança que deve existir entre o hospital e a população. E, como sabemos, a confiança dos doentes é um dos grandes ativos de um estabelecimento de saúde.

Assim, perante as informações disponíveis, Salazar Coimbra só teria um caminho a fazer: pedir imediatamente a demissão do cargo de administrador do Hospital de Riba de Ave até que o assunto seja cabalmente esclarecido e exigir a imediata investigação ao caso por parte da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS). Afinal, quem não deve não teme. E com a saúde não podemos brincar.

 

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