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Sábado, 23 Outubro 2021
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“[Eu e Paulo Cunha] somos muitíssimo iguais. Há quem pense que nós somos da família”

Entrevista com Mário Passos, candidato da coligação PSD/CDS-PP à presidência da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.

10 min de leitura
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Antes de estar na Câmara Municipal era professor na Universidade do Minho. Como foi deixar a Universidade do Minho para vir para a atividade municipal?

Sou professor convidado da CESPU. Antes de ir para a atividade municipal fui delegado regional no Instituto Português da Juventude. Foi uma experiência interessante, permitiu-me conhecer bem a juventude concelhia distrital e nacional, fazíamos muitos encontros nacionais tutelados pelo Governo da altura. Foi um cargo, portanto, que me trouxe muita experiência, muito conhecimento. Houve uma reformulação profunda no último mandato do Arq. Armindo Costa e construímos a casa da juventude, um equipamento de excelência que temos em Famalicão, construído na altura com um programa muito interessante que ainda se mantém.

Era assessor, depois tornou-se vereador, ainda no mandato de Armindo Costa. Entretanto, permanece como vereador no mandato do Dr. Paulo Cunha. Ou seja, é o candidato da continuidade.

Sim, claramente o candidato da continuidade. Não só quando estive com Armindo Costa, que também obviamente aprendi imenso, mas depois com o Dr. Paulo Cunha prossegui com esse conhecimento profundo do concelho.

Entretanto, não são iguais. Qual é a diferença entre si e o atual presidente da Câmara?

Nós temos muitas semelhanças, mas somos diferentes. O povo costuma dizer – e nós todos somos o povo – que não há duas pessoas iguais. Cada um tem as suas características muito próprias, características intrínsecas de cada um e as semelhanças têm a ver com proximidade, política de proximidade. Não sabemos fazê-la de outra maneira, gostávamos muito da política de proximidade, de envolver os famalicenses.

Mas quais as diferenças, porque as proximidades são divulgadas, não é?

Sim, são visíveis. As diferenças, obviamente, têm a ver com uma visão que, porventura, temos no que respeita à orgânica da Câmara Municipal. Setores que merecem ser um pouco reformulados, mas não são muitas. As diferenças não são muitas. Somos muitíssimo iguais, por isso é que temos tido uma proximidade grande. Há quem diga que sou o braço direito, há quem diga que sou o esquerdo relativamente a ele, mas somos muito próximos. Aliás, há quem pense que nós somos da família.

Nesse contexto, da situação atual de Famalicão e do ponto em que estamos hoje, que problemas é que Famalicão tem que a sua candidatura pode ajudar a resolver?

Apresentei um programa, são 500 medidas, de 30 áreas temáticas e sustentadas em 5 grandes agendas. Há novas problemáticas que nós vivemos, no mundo global, e que são dinâmicas muito maiores agora do que eram no passado e há novas realidades. Uma delas tem a ver com a habitação. Eu penso que não só em Famalicão, mas a nível nacional. Aliás, basta observarmos os debates que têm ocorrido no país, sejam em que região forem, que nós observámos que a habitação é um problema novo que se vem agravando, lentamente.

Pode citar mais duas áreas?

Sim, desde logo transportes. Também é um défice que temos, todos os territórios têm, como é óbvio. A nível nacional temos as grandes áreas metropolitanas de Lisboa e Porto que têm apoios nacionais e o resto não tem apoios nacionais. Nós, e todas as outras Câmaras Municipais, somos autoridades de transportes, portanto temos mais competências, temos mais poder de decisão e, por força disso, já na última reunião de câmara foi aprovada a abertura de um concurso público, para que nós tenhamos uma rede de transportes que cubra todo o território.

Já em 2017 esse assunto tinha sido falado, já tinham vindo algumas deliberações no âmbito da comunidade intermunicipal, que também envolve outros concelhos, não é? Em 2019 também tinha sido falado.

Temos que distinguir a rede municipal e depois a rede que tem a ver com os fluxos das pessoas para os concelhos vizinhos e, portanto, temos estas duas vertentes. No âmbito desta rede de transportes, é preciso perceber-se o fluxo de pessoas: como é que elas oscilam no território e para fora do território. Portanto, temos de fazer um estudo técnico muito competente, muito aplicado no âmbito dos transportes.

Então, uma área prioritária é a habitação, a segunda é o transporte e a terceira?

Uma terceira área e, aliás, eu vou dizer quatro… Uma outra é o ambiente. Como é sabido, eu tenho uma forte sensibilidade ambiental. Sou físico, lancei há poucos meses um livro acerca de sistemas fotovoltaicos, um livro técnico que tem como um dos objetivos sensibilizar, nomeadamente os nossos estudantes, os profissionais, os instaladores para os sistemas autónomos de energias renováveis e eu quero colocar isso ao serviço do município. A questão dos rios é muito importante. Aliás, eu sou um dos fundadores de uma das primeiras associações ambientalistas, a Associação de Amigos do Rio Este, que é bem conhecida e tem a sua fundação em Nine.

Como cidadã, posso dizer que, de facto, os rios precisam de muita atenção. Há problemas graves.

Há problemas graves. A própria Câmara Municipal é a entidade que mais reclamações faz à tutela, ao Ministério do Ambiente e já temos a figura do guarda-rios a circular, que nos sinalizam problemas e, por via deles, trazem as respetivas queixas. Se nós tivermos, como já temos pedido, mais competências nesta área obviamente que nós podemos atuar mais.

Qual seria, então, a quarta área?

A quarta área tem a ver com a saúde. Isto sem hierarquização. Têm todas a mesma importância. Temos a instalação, que queremos protocolar com a ARS, dos postos SNS 24 para que as pessoas nas Juntas de Freguesia que têm Espaço do Cidadão – ou que possam vir a ter – consigam marcar consultas, por exemplo. Também, muito importante, já temos passos dados para a reabilitação e ampliação da USF Antonina em Requião. Já estão a iniciar as obras, mas queremos obviamente, a construção do novo centro de saúde. Em outras quatro áreas estamos já a dar passos, mas queremos continuar a dar passos maiores.

É uma pergunta incontornável, sendo o candidato da continuidade: o atual Executivo tem recebido muitas críticas em diferentes áreas, seja por causa das obras, também no âmbito do ambiente, da sustentabilidade, no âmbito da transparência. Como é que reage a isso?

Eu gostava que precisasse mais as críticas. Relativamente às obras da cidade, como qualquer obra perturba. Das nossas casas, do saneamento, seja onde for, as obras perturbam. É certo que, obviamente, há comerciantes com razão, porque também perturba a sua rotina diária. Apesar de tentarmos, como tentamos, que as circulações possam continuar. Nós também temos de olhar para o horizonte, não só olhar para o chão. Não para aquilo que vai acontecer amanhã, mas aquilo que vai acontecer depois de amanhã. E é sabido que esta obra do centro da cidade é uma obra que vai ser mais uma grande referência, à semelhança do Parque da Devesa.

Portanto, se nesse momento fosse presidente da Câmara faria tudo igual?

Exatamente, não havia uma outra forma de fazer e é bom que se diga e não se esconda. Esta obra foi uma oportunidade que surgiu no âmbito dos fundos comunitários e, para ser elegível, teve que ser toda aquela área.

São várias obras em simultâneo. Uma parte que é o mesmo financiamento, como a antiga feira e a praça D. Maria II, mas outras áreas são outros financiamentos, como a zona do Parque Primeiro de Maio e que se estende até ao Centro de Saúde…

Que vai ligar a estação à via ciclo pedonal. Os pais vão ter oportunidade, ao trazer os seus filhos, de verificar a importância dessa obra, de perceber como é importante no âmbito dos transportes, por exemplo. E vamos ter uma cidade amiga do ambiente.

A construção do CeNTI, uma obra do Citeve no parque, é um assunto que tem suscitado muita discussão. Além de que, como vereador, votou favoravelmente à obra e presumo que esteja de acordo com todas as decisões tomadas.  Portanto, se fosse Presidente da Câmara estava tudo igual? Teria sido aprovado, licenciado e estaria em construção neste momento, embora não haja decisão do tribunal relativamente à providência cautelar?

Sim, a questão aqui é muito simples. É daquelas decisões muito simples de se tomar. Ou queremos o Citeve ou não queremos. A questão de fundo é essa.

A obra só se coloca dentro daquela área, não existe outra opção?

Não, não existia. Segundo o Citeve, não existe outra opção. Temos de falar com o Citeve, como se falou e muito, como teve oportunidade de falar o Dr. Paulo Cunha para alinhar muitas vezes com o Citeve acerca de possíveis soluções. Foi sugerido, inclusive, um terreno que existe lá próximo, que era a primeira opção, mas que não cumpria requisitos técnicos para que lá fosse instalada esta nova ampliação. Eu devo dizer que quando o Parque da Devesa foi inaugurado não existiam hortas, o parque estava um bocadinho à frente.

A questão não é necessariamente, ou pelo menos não exclusivamente, a retirada das hortas. Isso é um ponto, mas não é o único.  A reclamação apresentada é sobre questões relacionadas ao Plano de Urbanização da Devesa e ao próprio PDM (Plano Diretor Municipal). Qual seria o papel da Câmara Municipal? Se eu tenho um terreno e quero construir um edifício de 10, 5, 3 andares ou térreo é a Câmara Municipal que diz se eu posso construir ou não. Por isso, a Câmara é que está a ser questionada juridicamente.

O processo é muito simples. Nós temos técnicos muito habilitados que nos dizem o que é que se pode fazer, o que é que não se pode fazer de acordo com, obviamente, aquilo que está definido para aquela área. Portanto, as decisões que se tem nesta área são decisões técnicas. Temos muitos arquitetos, muitos engenheiros qualificados e habilitados e, obviamente, não se vai fazer nada que não se possa fazer ou que seja ilegal. Nunca aconteceu, nem vai acontecer. Nem com o Dr. Paulo Cunha nem comigo. Isso aí as pessoas sabem.

Imagine que eu sou uma leitora indecisa, que estamos a ser assistidos por vários eleitores indecisos: o que é que nos diz para nos convencer a votar em si?

Olhe, muito simples. É sabido que Famalicão chegou a um patamar de excelência. Dizem os relatórios, os dossiês e as notícias. Dizem as pessoas dos concelhos vizinhos quando aqui vêm. E, portanto, a exigência da governação também é muito elevada, muito complexa e eu sou aquele que, claramente, estou melhor preparado para dar seguimento a este estado de governação. Esta linha ascendente começou com o Arq. Armindo Costa e seguiu com o Dr. Paulo Cunha. Eu quero continuar a prosseguir a linha ascendente, para que o nosso bem-estar e qualidade de vida sejam cada vez mais uma realidade. Eu consigo oferecer isso por uma razão simples. Conheço o território como ninguém. Só o Dr. Paulo Cunha conhece tão bem quanto eu. Conheço os dossiês todos da Câmara Municipal, conheço as problemáticas todas. Conheço as 900 associações, os seus dirigentes e as potencialidades instaladas no território e, portanto, ganhámos com isso. Eu estou muito preparado.

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