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Terça-feira, 27 Fevereiro 2024
Carlos Folhadela Simões
Formado em Ciências Farmacêuticas, é professor do Ensino Secundário. Cidadão atento e dirigente associativo.

Para onde vamos?

Da Europa a Portugal

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Carlos Folhadela Simões
Formado em Ciências Farmacêuticas, é professor do Ensino Secundário. Cidadão atento e dirigente associativo.

Famalicão

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Este final de ano configura-se atípico face aos acontecimentos ocorridos em diferentes latitudes.

A 7 de outubro aconteceu o ataque surpresa do Hamas contra Israel.

Mais um conflito a juntar ao ucraniano. Tem sido devastador para a população da faixa de Gaza. Uma vaga de mísseis contra o Sul de Israel deu cobertura a uma invasão sem precedentes do território israelita por combatentes armados do Hamas. Decorrido mais de um mês, parece começar a imperar algum bom senso e as tréguas dos últimos dias parecem indicar uma resolução mais célere deste conflito.

No dia 7 do mês seguinte, um último parágrafo de um comunicado proveniente da Procuradoria Geral da República, eclode com estrondo na opinião pública e fica para a história como o rastilho da demissão de um primeiro-ministro e do desbaratar de uma maioria absoluta.

Uma investigação sobre os negócios de lítio e hidrogénio despoletaram uma bombástica tomada de posição de António Costa: a demissão.

A 16 de novembro, Pedro Sánchez, reeleito presidente do Governo de Espanha, é investido pelo Congresso, suportado por 179 votos, que incluem o apoio dos independentistas catalães com quem os socialistas negociaram a amnistia. Estará, pois, Sáchez refém de Puigdemont, o líder separatista catalão que já fez a primeira ameaça, através do seu partido, o Juntos pela Catalunha (Junts), caso não veja efetivos progressos nas negociações para a independência da Catalunha.

A 19 de novembro, Javier Milei vence as eleições na Argentina. Intitula “anarcocapitalista”, é anunciado como “ultraliberal” e não esconde as ideias de extrema direita. O país das pampas está com uma inflação de 142% e a pobreza, condição na qual vivem 40% das famílias, é mais um dos flagelos que assolam o país. Privatizar parece ser a sua palavra de ordem neste início de mandato.

Tomará posse a 10 de dezembro e já convidou o ex-residente brasileiro Jair Bolsonaro. Lula, o presidente, a quem chamou corrupto e comunista não estará presente. As relações bilaterais entre os dois vizinhos constituirão um enorme desafio para os canais diplomáticos.

Esperemos que as últimas cenas vividas no Maracanã não sejam o espelho das tensas relações destes dois vizinhos sul-americanos!

A 22, a extrema-direita venceu as eleições nos Países Baixos, mas formar governo aparenta ser uma tarefa árdua.

O partido liderado por Geert Wilders não obteve um quarto dos deputados eleitos e todos os partidos descartaram, antes do ato eleitoral, a possibilidade de poderem integrar um governo liderado por Wilders.

Líder do Partido da Liberdade (PVV), ideologicamente de extrema-direita, é contra a imigração e questiona a continuidade do seu país na União Europeia. Fala-se já de um «Nexit», por analogia com o «Brexit», um referendo vinculativo onde os neerlandeses se deverão pronunciar sobre a saída da União Europeia.

Após as eleições realizadas em outubro onde três partidos da oposição, a Coligação Cívica de Donald Tusk, a Terceira Via e a Nova Esquerda, fizeram candidaturas separadas, mas com a mesma promessa de derrotar o Lei e Justiça (PiS).

No entanto, foi este o partido vencedor, liderado por Morawiecki que ainda esta semana apresentou o seu elenco governativo. Supostamente será sol de pouca dura, já que não reúne as condições de ser aprovado por não reunir a maioria dos votos no parlamento.

A aliança centrista da oposição, liderada por Donald Tusk, ex-primeiro ministro de 2007 a 2014 e ex-Presidente do Conselho Europeu de 2014 a 2019, deverá ser novamente o timoneiro da nação polaca. Pretende reverter a deriva autoritária do partido nacionalista que colocou a Polónia sob os holofotes da União Europeia.

Voltando à demissão de António Costa registe-se a dignidade da sua atitude. A mesma teve como consequência direta, a tomada de decisão do Presidente da República (PR) de dissolver a Assembleia e convocar eleições. Creio que teria sido preferível, em nome da estabilidade, um novo convite ao partido mais votado nas últimas eleições para apresentar uma solução governativa.

Exigia-se maior ponderação até porque o PR tinha outros instrumentos/soluções disponíveis. Afinal, quase um mês depois, AC ainda nem foi demitido. Aprovava-se o orçamento e procuravam-se soluções. E atentas as condições quer nacional, quer internacional, existia sempre a hipótese de um governo de iniciativa presidencial. As eleições de 10 de março poderão ser o início de um processo de instabilidade. As soluções governativas estáveis parecem escassear e não se vislumbram maiorias absolutas num horizonte próximo.

Será incompreensível a não existência de um entendimento pré-eleitoral entre os dois tradicionais partidos de direita. O PSD e o CDS devem aproveitar tudo quanto possa ser desperdiçado na aplicação do método de Hondt. Todos os votos vão contar e serão estes votos que passam a ter um efeito útil que poderão fazer toda a diferença. As análises para entendimentos pré-eleitorais, ao dia de hoje, ainda estão envoltas numa espessa névoa.
Pese a surpresa deste ato eleitoral, mais uma oportunidade desperdiçada para uma eventual revisão da lei eleitoral. Todos dizem querer, mas ninguém faz nada.

Antes de cessar funções, o Governo entendeu alterar a sua imagem institucional e o símbolo que o representa, nas plataformas e documentos oficiais. Suprimiu a esfera armilar o castelo e as quinas. Passou a ser um círculo amarelo entre dois retângulos, um verde e outro vermelho. Definem a nova imagem como inclusiva, plural e laica. A sério? Lamentável!

A propósito do caso das gémeas do Hospital de Santa Maria, vale a pena ler o artigo de Susana Peralta, “ O milagre de Santa Maria” no Público de 24 de novembro, para perceber os aparentes atropelos processuais. Todas as outras interrogações espera-se que possam ser esclarecidas no processo de investigação, entretanto instaurado.

Henry Kissinger o ex-secretário de Estado norte-americano e Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, com um papel incontornável, mas controverso na história mundial do século XX, deixou-nos, hoje, aos 100 anos. Prémio Nobel da Paz em 1973, esteve associado a momentos negros na história dos Estados Unidos, como o apoio ao golpe de Estado de Pinochet, no Chile, ou à invasão de Timor-Leste em 1975.

 

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