14.8 C
Vila Nova de Famalicão
Sábado, 31 Julho 2021
Partilhar
  • 1
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
    1
    Share

Universidade do Minho lança livro sobre as mulheres na ditadura

Maria de Medeiros, Paula Rego e Alice Vieira estão entre as autoras representadas.

3 min de leitura
- Publicidade -

Famalicão

Os famalicenses têm o direito à verdade e não à manipulação

Os famalicenses têm o direito de saber o que está a ser feito na cidade, como está a ser feito e porque está a ser feito. Têm direito à verdade dos factos em vez de manipulação cosmética da realidade.

Famalicense Injex entra na Câmara de Comércio Luso-Alemã

A Injex, empresa especializada na produção de componentes técnicos em plástico pelo processo de injeção para todo o tipo de máquinas, aposta na internacionalização.

Está na hora de quebrar o ciclo

Precisamos de quebrar o ciclo de políticas desadequadas aos desafios que vivemos, precisamos de um novo ciclo de políticas públicas assente numa visão ecocêntrica e sustentável – e esse momento é agora!

Continental promove inclusão social com programa de estágio e emprego

A empresa recebeu quatro pessoas com necessidades especiais para realização de um estágio no âmbito do programa de cooperação com a ACIP e o IEFP. Duas destas pessoas são hoje membros efetivos da empresa.
Partilhar
  • 1
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
    1
    Share

O Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho (CEHUM) lançou o livro “Womanart – Mulheres, Artes e Ditadura”, que envolve vinte autores de cinco países. A obra destaca a relação de várias mulheres com a ditadura, como Paula Rego, Maria de Medeiros ou Alice Vieira, e pretende ser um contributo significativo para debater esse período antidemocrático na lusofonia. A publicação é de acesso livre e tem o título de um projeto científico em curso no CEHUM, que é apoiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

A obra abre com reflexões sobre o percurso da artista plástica Sarah Afonso, a arte das pintoras Helena Almeida e Paula Rego, o cinema de Maria de Medeiros e Susana Sousa Dias ou a poesia de Alda Lara (Angola), Alda do Espírito Santo (São Tomé e Príncipe) e Noémia de Sousa (Moçambique). Aborda-se também a pós-memória, herdada nas narrativas familiares, mapeando fantasmas e fantasias imperiais/fascistas que moldaram as gerações atuais.

Conhece-se depois manifestações de propaganda e de resistência exploradas no feminino, desde o cinema até à literatura ou às artes visuais. Por outro lado, há vários estudos ligados ao Brasil, nomeadamente sobre o ativismo das brasileiras em movimentos políticos e na escrita, o teatro da dramaturga Consuelo de Castro e a reduzida presença de autores afro-brasileiros no acervo das bibliotecas daquele país, “uma marca de um preconceito histórico”. Na parte final surgem análises críticas a obras de relevo na área, como o filme “Sambizanga”, de Sarah Maldoror, sobre a repressão do Estado Novo em Angola, ou a colaboração da escritora Teolinda Gersão com um excerto sobre a censura de “Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo”.

O volume de 287 páginas faz parte da coleção “Diacrítica” e é coordenado por Ana Gabriela Macedo, Margarida Pereira, Joana Passos e Márcia Oliveira, tendo colaborações de autores das universidades do Minho, Coimbra, Católica de Lisboa, Bolonha (Itália), Wisconsin (EUA), Nottingham e Oxford (Reino Unido), Federal de Pernambuco, Federal do Rio Grande do Norte, Estadual do Norte do Paraná e do Estado de Santa Catarina (Brasil).

INFLUÊNCIA NAS ARTES E NA PEDAGOGIA

Desenvolvido pelo Grupo de Investigação em Género, Artes e Estudos Pós-coloniais do CEHUM, em Braga, este projeto científico é exemplar no compromisso da academia portuguesa com o estudo da História recente e os seus reflexos sociais e ideológicos. Em especial, foca manifestações artísticas e intelectuais a partir das artistas e ativistas, explorando também paralelos entre o Estado Novo (1933-74) e a Junta Militar brasileira (1964-85), que recorreram à violência sobre os adversários e ao silêncio perante os contornos obscuros do regime.

Mostra ainda como, nas artes contemporâneas, a memória da ditadura e do colonialismo é uma matriz inspiradora e tem uma dimensão pedagógica para as novas gerações pensarem e reconhecerem aquelas formas de opressão e desumanidade. O “Womanart” já realizou desde 2019 ciclos de cinema, de workshops e de seminários para o público em geral, a par de oficinas de escrita, masterclasses, um curso breve, comunicações em congressos e vários estudos. Em novembro realiza também uma conferência internacional. Tem os sites ceh.ilch.uminho.pt/womanart e bit.ly/gapscehum.

Comentários