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Vila Nova de Famalicão
Sábado, 4 Fevereiro 2023
José Carvalho
José Carvalho é famalicense, tem 49 anos, e exerce a profissão Controller de Gestão. Os seus passatempos preferidos são a jardinagem e caminhadas.

O Monte de Santa Catarina merece ser preservado

Pelo menos 70% da “floresta” do concelho é ocupada por eucaliptos. Havia mesmo necessidade de destruir aquela rara mancha de sobreiros?

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José Carvalho
José Carvalho é famalicense, tem 49 anos, e exerce a profissão Controller de Gestão. Os seus passatempos preferidos são a jardinagem e caminhadas.

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“Há duas espécies de fadas: as fadas boas e as fadas más.
As fadas boas fazem coisas boas e as fadas más fazem coisas más.”
Sophia de Mello Breyner Andresen – A Fada Oriana

Subiram a encosta nos seus buldózeres e armados de motosserras. Cortaram, arrancaram, sulcaram. Os velhos sobreiros cheios de líquenes e musgos tombaram sem a glória que esta nação lhes confere por lei.  As raízes foram arrancadas do chão e deixaram à mostra uma terra negra, rica em matéria orgânica, que contava a história de um bosque que estava ali há muitas centenas de anos.

Pelo menos 70% da “floresta” do concelho é ocupada por eucaliptos. Havia mesmo necessidade de destruir aquela rara mancha de sobreiros?

A Câmara de Famalicão gere o ambiente sem alma. Faz parte de uma estratégia de comunicação e marketing, que pretende passar uma imagem que não casa com a realidade. Rios poluídos, ruído, décadas de más opções na estrutura de transportes públicos e uma paisagem que se degrada a favor dos interesses económicos (de alguns): pedreiras, pavilhões industriais e expansão urbana sem racionalidade.

Fotografia JOSÉ CARVALHO/DR

O Monte do Facho, ou da Santa Catarina, merece ser preservado, por vários motivos. Estes são os meus:

Pela paisagem, este é o pano de fundo, a tela pintada de verde, que define a linha do horizonte da cidade;

Pela floresta, pela sua dimensão e valor intrínseco deste espaço, mas também por ser muito acessível aos famalicenses;

Pelas suas vistas que nunca deverão ser vedadas aos locais e a quem nos visita;

Por ser uma “esponja” que retém e controla a escorrência das águas da chuva para o centro de Famalicão.

Basta!, de construções a escalar a encosta, de má gestão florestal e desmazelo do Município. Em Outubro um projecto de energia fotovoltaica abocanhou mais de 80 hectares de verde, devastando um dos sítios mais acarinhados pela população, com um valor ambiental único no contexto do concelho.

Fotografia JOSÉ CARVALHO/DR

O Município afirma que em troca da licença recebeu ricas contrapartidas. Provavelmente só recebeu aquilo que a lei lhe confere. Conviria saber como irão remediar aquela destruição e se os valores ambientais das compensações correspondem ao valor da nossa perda.

Alguém viu algum cartaz, alguma conferência, debate ou comunicado sobre o assunto? Só depois dos gritos de dor e revolta, que precedeu o ato consumado, é que o Sr. Mário Passos se dignou a falar em público sobre o assunto. O Município “negociou” sozinho. Nunca envolveu a população e com isso perdeu o um pilar que lhe daria força para minimizar os estragos e maximizaria as compensações.

Fotografia JOSÉ CARVALHO/DR

O trilho subia levemente em curvas suaves que convidavam à descoberta. De ambos os lados os Sobreiros cobriam de sombra o caminho. No final, os penedos rematavam este poema, que a natureza nos oferece, com as ameias de um castelo imaginário e neles o visitante fazia uma varanda virada para ocidente de onde, em dias limpos, se via o mar.

Sr. Mário Passos, quando tudo estiver vedado e forrado com negros painéis, daqueles penedos não voltaremos a ver o pôr do sol.

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José Carvalho
José Carvalho é famalicense, tem 49 anos, e exerce a profissão Controller de Gestão. Os seus passatempos preferidos são a jardinagem e caminhadas.