9 C
Vila Nova de Famalicão
Sábado, 4 Fevereiro 2023

Perito do Governo que defende o encerramento de maternidades elogia partos humanizados no Hospital de Famalicão

Maternidade de Vila Nova de Famalicão é um exemplo no Serviço Nacional de Saúde, mas corre o risco de ser encerrada pelo Governo.

3 min de leitura
- Publicidade -

Famalicão

Mário Passos e Eduardo Oliveira têm uma história da vida pessoal em comum

Saiba o que liga os dois políticos famalicenses.

Trabalhadores da Transdev em greve na segunda-feira

Usa transporte público rodoviário em Famalicão? Há greve marcada na Transdev

Moradores de Gondifelos protestam e lagoa de “lixo” é chumbada

Moradores entregaram à Câmara Municipal um abaixo-assinado contra a construção de uma lagoa chorume, líquido que resulta da decomposição do lixo.

Noite de Carnaval terá 12 linhas de autocarros gratuitos para o centro de Famalicão

Três horários disponíveis para ir e regressar.

Diogo Ayres de Campos, o perito que lidera a comissão de especialistas nomeada pelo Governo, que propõe o encerramento da maternidade do Hospital de Vila Nova de Famalicão, é o mesmo perito que elogia o trabalho da maternidade famalicense ao nível da humanização do parto.

“Há hospitais que têm condições, quer físicas, quer de equipa, para respostas mais humanizadas. [O Hospital de] Famalicão é um exemplo desses”, afirmou Diogo Ayres de Campos, entrevista pela SIC no âmbito da reportagem “A natureza do parto”, emitida no “Jornal da Noite” deste sábado, 15 de outubro.

Ou seja, a maternidade do Centro Hospitalar do Médio Ave (CHMA), que serve os municípios de Vila Nova de Famalicão, Santo Tirso e Trofa, tem boas condições logísticas, mas, mesmo assim, tem um futuro incerto. Não obstante isso, no mês de setembro, nasceram em Vila Nova de Famalicão um total de 135 bebés.

Grávida em trabalho de parto na maternidade de Vila Nova de Famalicão. Imagem: Reportagem da SIC

Apesar do reconhecimento público de Diogo Ayres de Campos, médico e professor de Ginecologia e Obstetrícia na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, a Maternidade de Vila Nova de Famalicão está na lista negra da comissão liderada pelo próprio Diogo Ayres de Campos.

Ayres de Campos escuda-se na necessidade de concentrar recursos e empurra a palavra final para o ministro da Saúde. “Se queremos uma resposta rápida temos de ter em cima da mesa a hipótese de concentrar alguns recursos. Concentrar alguns recursos é concentrar urgências e blocos de partos. Esse trabalho foi feito e foi entregue ao senhor ministro da Saúde e estamos a aguardar que haja uma decisão. Uma decisão que será, seguramente, política e não uma decisão técnica.”

O grupo de peritos foi nomeado pelo Governo com o objetivo de encontrar soluções para a falta de especialistas em obstetrícia, para evitar situações de rotura dos serviços, como aconteceu no último verão em diversos hospitais portugueses. Não foi, porém, o caso do Hospital de Vila Nova de Famalicão, cuja maternidade funcionou sempre.

Hospital de Famalicão mostrou boas práticas a todo o país. Imagem: Reportagem da SIC

A comissão defende o encerramento de seis maternidades em todo o país e a concentração de serviços. Na região Norte propõe o encerramento as maternidades de Famalicão e Póvoa de Varzim, na região Centro, as maternidades de Guarda e Castelo Branco, e, na região de Lisboa e Vale do Tejo, o fecho das maternidades de Vila Franca de Xira e Barreiro. Diogo Ayres de Campos considera que a maternidade de Famalicão é descartável, dada a proximidade face aos hospitais de Guimarães ou Braga.

Saritta Nápoles, responsável pelo bloco de partos da maternidade do Centro Hospitalar do Médio Ave (CHMA), não comenta o estudo em causa, preferindo falar do seu trabalho quotidiano. “Nós nunca tivemos a urgência fechada. Asseguramos sempre o serviço. Temos um bloco de partos novo. As mulheres que vêm ter os seus bebés aqui estão tão felizes, tão felizes, o que me deixa imensamente feliz”, afirmou à SIC a responsável da maternidade famalicense.

Saritta Nápoles, responsável pelo bloco de partos de Famalicão. Imagem: Reportagem da SIC

A reportagem da SIC versou sobre a violência obstétrica nos hospitais portugueses, ouvindo mulheres que tiveram experiências traumáticas, e apresentou a maternidade do Hospital de Vila Nova de Famalicão como exemplo na humanização do parto.

Na maternidade famalicense, as grávidas são preparadas para o parto, existindo mesmo um “plano de parto”, e são informadas sobre os seus direitos. E para inibir a dor do parto natural, recebem a “walking epidural”, uma anestesia que permite que a grávida continue a movimentar-se nos trabalhos do parto.

“A MULHER NO CENTRO DAS DECISÕES”

“Nós começamos a colocar a mulher no centro das decisões”, afirma Saritta Nápoles, que é considerada a alma da humanização do parto em Vila Nova de Famalicão. Ela defende uma instrumentalização no nascimento cada vez menor e considera importante que as mulheres sejam bem informadas sobre o que vai acontecer ou pode acontecer durante o parto.

“O plano de parto é importante para nós porque quando uma mulher chega à sala de partos com um plano nõs ficamos a saber aquilo que ela quer sem nunca termos estado com ela”, explica Saritta Nápoles, que só recomenda a intervenção cirúrgica, ou seja, a cesariana, como solução de último recurso.

Saritta Nápoles, responsável pelo bloco de partos de Famalicão. Imagem: Reportagem da SIC

“Acho que uma cesariana a pedido da mulher só acontece quando a mulher não está informada. O risco de morte materna é muito menor num parto vaginal do que numa cesariana”, explica Saritta Nápoles, adiantando que os riscos de infeção, de hemorragia e de necessidade de uma transfusão de sangue também “são muito maiores” numa cesariana do que num parto vaginal. E a médica acrescenta outro dado: “A percentagem de amamentação é muito maior num parto vaginal do que numa cesariana.”

CHEGA PROMOVE VIGÍLIA

Entretanto, a ameaça que paira sobre o futuro da Maternidade de Vila Nova de Famalicão levou a Distrital de Braga e a Concelhia famalicense do Partido Chega a organizar uma vigília, que está marcada para a noite desta segunda-feira, 17 de Outubro, a partir das 21 horas, em frente ao Hospital de Vila Nova de Famalicão. O objetivo do partido da direita radical é defender “a continuidade do serviço de maternidade e obstetrícia”.

Os responsáveis do Chega consideram que o eventual encerramento da maternidade “constitui uma grave ofensa a toda a comunidade que reside no Baixo Minho, em especial a famalicense, que se vê, assim, privada de um serviço fundamental”.

O partido informou que a vigília contará com a presença de Filipe Melo, deputado eleito pelo distrito de Braga, assim como de elementos da comissão politica distrital e da Concelhia de Vila Nova de Famalicão.

Obs. – Veja a reportagem completa “A natureza do parto”, transmitida no Jornal da Noite da SIC, no dia 15 de outubro de 2022, no link: https://bit.ly/3S7Glwf.

(Notícia atualizada segunda-feira, 17 de outubro, às 10h05)

Comentários