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Domingo, 9 Maio 2021
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Abate de árvores polémico. “Câmara não debateu com comerciantes. Só informou o que ia ser feito.”

João Alves, de 29 anos, filho de comerciantes do setor da restauração na Praça D. Maria II, nascido e criado no centro de Vila Nova de Famalicão, está revoltado com o abate de árvores promovido pela Câmara Municipal, no âmbito das obras de reabilitação urbana, que vão custar 8 milhões de euros aos cofres municipais.

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Famalicão

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João Alves, de 29 anos, filho de comerciantes do setor da restauração na Praça D. Maria II, nascido e criado no centro de Vila Nova de Famalicão, está revoltado com o abate de árvores promovido pela Câmara Municipal, no âmbito das obras de reabilitação urbana, que vão custar 8 milhões de euros aos cofres municipais.

“A Câmara Municipal apregoa que valoriza o ambiente, diz que quer fazer de Famalicão uma cidade verde e voltada para as pessoas, mas começa a obra deitando árvores abaixo. Não faz sentido. Não sou contra as obras, mas a valorização do ambiente tem que estar inserida no projeto e, na memória descritiva do projeto, não vi menção ao abate que foi feito.”

Em entrevista ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, João Alves explica por que é que decidiu organizar uma vigília pelas árvores abatidas e considera que houve “má-fé” por parte da Câmara Municipal, uma vez que, “o abate de árvores nunca foi abordado”. E diz mais: “A Câmara Municipal não debateu o projeto com os comerciantes. Eu estive presente e o que fizeram foi apenas informar os comerciantes sobre o que estava decidido e o que iria ser feito até ao final do ano, pois não havia espaço para opiniões ou troca de ideias.”

João Alves estudou até ao 12º ano, trabalha no setor metalúrgico, é sócio do FC Famalicão e afirma que não milita em nenhum partido político. Sobre a mensagem que o abate massivo das árvores transmite às crianças e aos jovens famalicense, não tem dúvidas: “O abate de árvores diz às crianças e aos jovens que o ambiente é descartável e sem valor.”

“As árvores são património da cidade, parte da paisagem e da história. O que poderia ser feito, caso considerassem que algumas árvores estavam demasiado altas ou a representar algum tipo de perigo para as pessoas, era a poda. É isso que se faz em todo lado.”

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Afirma-se revoltado com o abate de árvores na Praça D. Maria II, promovido pela Câmara Municipal de Famalicão no âmbito de um projeto de obras de reabilitação urbana. Porquê a sua revolta?
JOÃO ALVES – A Câmara Municipal apregoa que valoriza o ambiente, diz que quer fazer de Famalicão uma cidade verde e voltada para as pessoas, mas começa a obra deitando árvores abaixo. Não faz sentido. Não sou contra as obras, mas a valorização do ambiente tem que estar inserida no projeto e, na memória descritiva do projeto, não vi menção ao abate que foi feito. Para justificar, surgiu o rumor de que as árvores estavam em mau estado. Não me parece. Eram árvores bonitas, fortes e saudáveis. Mas se alegam mau estado, que mostrem uma avaliação a comprovar isso.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Esteve na organização de uma vigília pelas árvores derrubadas, na noite de 23 de outubro. Como foi a adesão dos famalicenses à iniciativa?
JOÃO ALVES: A vigília foi convocada em cima da hora e mesmo assim apareceram várias pessoas. Algumas sabiam do que se tratava, mas a maioria estava a passar, deparou-se com o nosso protesto e decidiu aderir. Havia gente que estava a ver, pela primeira vez, a triste cena do abate das árvores. A maioria das pessoas com quem falámos estava contra; uma pequena parcela manifestava esperança de que, apesar do abate, sejam criados mais espaços verdes. No entanto, na minha opinião, uma coisa não substitui a outra. Mesmo que plantem árvores de crescimento muito rápido quantas dezenas de anos demorará para termos novamente árvores com o mesmo tamanho, porte, beleza e proporcionando a mesma sombra? Nem tudo é substituível.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO: Numa nota à imprensa, dando conta da realização da vigília, diz que nesta requalificação do Parque D. Maria II, a Câmara Municipal cometeu um ato intolerável. Porquê?
JOÃO ALVES: A Câmara Municipal agiu de má-fé. Na altura em que houve o debate sobre as obras esse tema nunca foi abordado. Falaram basicamente sobre o trânsito, que era uma grande preocupação dos comerciantes. Sobre o ambiente, apenas diziam que iam ser criados mais espaços verdes. O abate de árvores nunca foi mencionado.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Como diz no comunicado à imprensa, a mensagem que o abate massivo de árvores transmite às crianças e jovens famalicenses é preocupante. Porquê?
JOÃO ALVES: Passa a pior mensagem. A mensagem de que o ambiente é descartável e sem valor; que o caminho a seguir deve ser o mais fácil. Atrapalha? Corta-se. Quando deveria ser justamente o contrário, falar sobre a importância da preservação.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO: Acha que as árvores deveriam ser reenquadradas no projeto de reabilitação urbana?
JOÃO ALVES: Sim, claro. As árvores são património da cidade, parte da paisagem e da história. O que poderia ser feito, caso considerassem que algumas árvores estavam demasiado altas ou a representar algum tipo de perigo para as pessoas, era a poda. É isso que se faz em todo lado, exceto em Famalicão onde impera o pensamento do “quero, posso e mando”. E quem manda decidiu cortar.