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Terça-feira, 27 Fevereiro 2024
Vera Carvalho
Estudou Línguas e Literaturas Europeias. Mestre em Espanhol como Língua Segunda e Língua Estrangeira pela Universidade do Minho. Tem dois livros publicados: Eterno Inferno (2019) e Nostalgia Inquietante (2021). Também participou em antologias poéticas: Sentidos Despertos (2020) e A poesia dos dois lados do Atlântico (2021). Atualmente está a trabalhar como professora de inglês e espanhol.

A saia da Carolina

Falamos tanto em liberdade e respeito, mas também não sabemos atuar em conformidade.

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Vera Carvalho
Estudou Línguas e Literaturas Europeias. Mestre em Espanhol como Língua Segunda e Língua Estrangeira pela Universidade do Minho. Tem dois livros publicados: Eterno Inferno (2019) e Nostalgia Inquietante (2021). Também participou em antologias poéticas: Sentidos Despertos (2020) e A poesia dos dois lados do Atlântico (2021). Atualmente está a trabalhar como professora de inglês e espanhol.

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Há entre nós questões importantes que cada vez mais se revelam essenciais de se abordar na sociedade e começar a tratá-las diretamente como deve de ser. Não ignorar, não fingir que não existem e muito menos, aplicar algum tipo de “preconceito” quanto a algumas temáticas da atualidade. Na crónica deste mês, quero trazer a palco o tema do empoderamento feminino que é tão bem retratado (e sutilmente, criticado) na nova música da Carolina Deslandes, intitulada como “A saia da Carolina”.

Como se sabe, as mulheres sempre foram inferiorizadas nas várias esferas da nossa sociedade, tanto profissionalmente quando no que toca a valores enraizados na sociedade portuguesa, ou seja, a mulher deve ser discreta, deve estar na cozinha ou em casa a cuidar dos filhos e do marido, a mulher deve e deve fazer isto e aquilo mas nunca pode fazer o que realmente quer ou sente.

Falamos destas ideias retrógradas, mas que ainda vivem no seio da sociedade portuguesa, principalmente na maioria das pessoas com mais idade. Em vários pontos ainda não evoluímos e depois quando surge ideias revolucionárias vindas de mulheres é um caos, literalmente, como também assim é intitulado o novo álbum da cantora Carolina Deslandes.

Nesta crónica quero apenas destacar a sua música “Saia da Carolina”, não só pela sua originalidade artística, como também pela sua coragem de firmar o pulso e dar voz a todas as mulheres. Destaca[1]se também o vídeo que representa a sua música, uma vez que nos dá a conhecer um pouco da cultura portuguesa mais antiga nos teus trajes, enquanto contrasta com a realidade atual.

Acompanhado à cultura portuguesa representada visualmente no vídeo, vem o ritmo da música que é também bastante conhecida e típica de Portugal.

É, por isso, a crítica subtil, mas direta que exalta as mulheres e as eleva a outro patamar, ou seja, que podemos vestir e dizer o que quisermos, que temos direito a formar e a dar a nossa opinião do modo que se quiser sem sermos julgadas por tal. O nosso lugar não se limita a um único sítio, porque o nosso lugar é onde quisermos e que temos sempre o direito de decidir o que queremos fazer com as nossas: não estamos destinadas a nascer, casar, ter filhos e tomar conta de uma casa sozinhas.

Todo este contexto foi também revelado a propósito da celebração do dia da mulher. Muito controverso porque muitos não entendem o porquê de se assinalar este dia, mas mais do que se celebrar ou então de tirar algum proveito desta data (e mais uma vez, das mulheres), acho que é importante referir que este dia existe não para exaltar e mostrar toda a admiração pelas mulheres, mas para retratar todo o nosso trajeto e luta ao longo dos anos.

O quanto outras de nós lutaram para ver os nossos direitos e posicionamentos reconhecidos na sociedade que como refere a própria Carolina na sua canção: “Quem tem sonhos, tem pecados. Ser menina é tua sina, ser mulher é teu legado”. Tanto é incrível ser-se mulher como depois, ainda há tantas de nós que pelo facto de o ser, é quase visto como um crime.

Então é importante referir e realçar que ainda há, sim, e muito, preconceito e ideias associadas às mulheres e é essencial abordar-se isto de modo que aos poucos e poucos se vá desconstruindo estas ideias ultrapassadas, porque “A saia da Carolina ardeu no meio do mato. A história da Carolina é que ela agora veste fato”.

Assim como humanos que somos, acho que ainda temos alguns conceitos um bocadinho trocados seja sobre as mulheres, seja também sobre os animais ou sobre o amor em concreto.

Todas as formas que existem são válidas e deviam ser aceites. Cada um tem a sua vida e deve geri-la da melhor maneira sem que atinja ou prejudique os outros nas decisões que decidem tomar nas suas vidas. Falamos tanto em liberdade e respeito, mas também não sabemos atuar em conformidade.

Todos podemos ser duas coisas: quem e o que se quiser. Mas falta aprender um pouco ainda mais sobre empatia para vivermos numa sociedade saudável e não sermos tão mesquinhos a ponto de se continuar a colocar rótulos a tudo, porque acho que se a vida é uma constante aprendizagem, então devemos estar sempre de olhos e mente bem aberta ao que nos surja. Para quê julgar tudo logo de primeira? São as diferenças que fazem a vida única.

 

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