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Quarta-feira, 5 Outubro 2022
Vera Carvalho
Estudou Línguas e Literaturas Europeias. Atualmente está no mestrado de Espanhol na Universidade do Minho. Tem dois livros publicados: Eterno Inferno (2019) e Nostalgia Inquietante (2021). Também participou em antologias poéticas: Sentidos Despertos (2020) e A poesia dos dois lados do Atlântico (2021).

A importância das coisas mais simples

A vida tem me ensinado que a cada tristeza que nos surja, no meio da auto-estrada da vida, que devemos aumentar o som da rádio e dançar e cantar alto a música que passa.

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Vera Carvalho
Estudou Línguas e Literaturas Europeias. Atualmente está no mestrado de Espanhol na Universidade do Minho. Tem dois livros publicados: Eterno Inferno (2019) e Nostalgia Inquietante (2021). Também participou em antologias poéticas: Sentidos Despertos (2020) e A poesia dos dois lados do Atlântico (2021).

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Com o passar do tempo e já com mais idade começamos a notar e a valorizar pequenas coisas do quotidiano. Não digo que sou uma grande adulta com muita experiência de vida! Digo que, depois de tanta turbulência, acabamos por encontrar o nosso farol e conseguimos pousar em terra firme e segura.

Começamos a perceber do que realmente gostamos, a valorizar os pequenos detalhes, a admirar determinados cheiros e pequenas coisas que antes passavam despercebidas.

Por exemplo, desde sempre adorei o silêncio e de estar sozinha, o que pode resultar em algo bom quando estamos bem connosco próprios, como também pode resultar melancólico ou mau quando estamos mais tristes. Mas como dizia, sempre adorei estar em silêncio, a ler, a ouvir música ou simplesmente a escrever. Hoje em dia, aprecio ainda mais isso e aprecio ainda mais quando simplesmente vou sozinha para algum lugar e posso escutar o som do mar, a brisa do vento na cara, o sol na minha pele e o amor escondido nos pequeninos grãos de areia que ficam colados nos meus pés, mas que me têm levado a caminhar para a frente. Tenho me apercebido que a essência da vida está nas pequenas coisas do nosso dia-a-dia, que sempre moram nos nossos dias, mas que nós nunca notamos apropriadamente.

Recentemente apercebi-me que gosto da minha companhia e isso não quer dizer que não gosto de estar na presença de outras pessoas, gosto sim, quando são pessoas que realmente admiro, que partilham valores e ideais parecidos aos meus, mas que sobretudo sabem respeitar(-me).

Aprendi também a tomar os meus cafés sem açúcar, mas, mais que isso, em cada um dos cafés que tome por dia, sempre os saboreio como se fosse o primeiro que esteja a tomar.

Comecei também a notar que para me encontrar, teria que voltar ao sítio onde me perdi, encarar de frente e aceitar.

Comecei a entender que há coisas que realmente começaram a pesar na minha bagagem e que tinha mesmo que a abrir para libertar os meus medos, o meu orgulho, as minhas dores, a minha mágoa, os meus ressentimentos, a minha culpa, o meu passado…

Agora quero sentir-me leve e em paz comigo mesma, porque preciso disso na minha vida.

Acho que chega a um ponto que tudo é demasiado e que até cada grão de areia começa a nos incomodar… E quando isso acontece, devemos mesmo parar, estar connosco a sós e ouvir-nos.

O que realmente queremos? Do que realmente gostamos? Quais são os nossos limites? E até onde vale a pena aguentar determinadas situações?

Nem sempre é fácil chegar a este entendimento. Às vezes a vida é só mesmo aborrecida, pesada e catastrófica. E hoje em dia, sempre que isto me acontece, tento encontrar o meu ponto, tento ouvir[1]me e agarrar-me às coisas que defendo e gosto, porque tudo isto tem um motivo. Seja bom ou mau, eventualmente irá nos fazer crescer e aprender.

E acho mesmo que, sinceramente, às vezes, a vida simplesmente trata-se de tirar o travão do coração e deixar ir. Ela tem me ensinado que no silêncio também podemos encontrar muitas palavras e gritos ensurdecedores que nos fazem aperceber de muita coisa.

A vida tem me ensinado que a cada tristeza que nos surja, no meio da auto-estrada da vida, que devemos aumentar o som da rádio e dançar e cantar alto a música que passa.

Inevitavelmente a vida passa e escapa-nos e por essa razão não devemos perder tempo com pessoas, coisas e sentimentos que nos tirem a nossa serenidade.

Portanto, abram a janela e aumentem o som.

Eu decidi deixar o coração dançar de acordo com as batidas que passam. Encontrei uma certa paz estando simplesmente sozinha, sentada, a olhar e a ouvir o mar, as ondas que vêm e vão, porque assim como elas, assim funciona com tudo nesta vida: Nem tudo o que é mau dura para sempre.

Assim como rápido vem, também rápido pode ir embora.

Por isso, um pouco de tempestade na nossa vida faz falta para regar (ou trazer) o bom que está por vir.

Então juntamente a essa tempestade, deixem o som continuar a tocar e dancem.

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Vera Carvalho
Estudou Línguas e Literaturas Europeias. Atualmente está no mestrado de Espanhol na Universidade do Minho. Tem dois livros publicados: Eterno Inferno (2019) e Nostalgia Inquietante (2021). Também participou em antologias poéticas: Sentidos Despertos (2020) e A poesia dos dois lados do Atlântico (2021).