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Domingo, 9 Maio 2021
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Ana Mendes, uma das melhores professoras do país: “Todos os alunos são especiais.”

Uma das melhores professoras do país trabalha em Vila Nova de Famalicão, na Escola Básica 2.3 Júlio Brandão. Em entrevista ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, a professora Ana Mendes fala sobre a sua nomeação para o prémio de melhor professora portuguesa, dos projetos educativos que desenvolve e explica como é que consegue agarrar a atenção e o interesse dos alunos na sala de aula.

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Uma das melhores professoras do país trabalha em Vila Nova de Famalicão. Ana Mendes, professora na Escola Básica EB 2,3 Júlio Brandão. do Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco, de Vila Nova de Famalicão, foi uma das 6 finalistas da 3ª edição do Global Teacher Prize Portugal 2020 – prémio que distingue o melhor professor do país – e foi distinguida com a menção honrosa da Sustentabilidade Social atribuída pela fundação Galp no valor de 5000€.

A professora, com 26 anos de serviço educativo, tem a seu cargo a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), sendo coordenadora do grupo disciplinar. Entre outras atividades extracurriculares, também dá aulas na área da sustentabilidade, nomeadamente, Educação Ambiental aos alunos de educação especial.

Em entrevista ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, a professora Ana Mendes fala sobre a sua nomeação para o prémio de melhor professora portuguesa, dos projetos educativos que desenvolve e explica como é que consegue agarrar a atenção e o interesse dos alunos na sala de aula.

Pelo meio, Ana Mendes conta muitas histórias curiosas que fizeram dela uma mulher que aprendeu a viver com pouco. E recorda por que é que foi parar a um bairro de lata de Lisboa, onde viveu algum tempo.

“Ensinar é uma paixão. É uma missão. Faz parte de mim. É um modo de ser e de estar. A forma como comunico, os laços empáticos que estabeleço com os alunos são o ponto de partida para estimular as aprendizagens e despertar o potencial de cada aluno.”

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Quando decidiu que queria ser professora?

ANA MENDES – Não houve um momento exato. Foram muitas experiências e influências positivas, sobretudo no meu percurso escolar. A minha família sempre me motivou a estudar e fascinava-me ouvir as histórias de família em que os meus bisavós já sabiam ler e escrever e da importância que davam à educação. Um dos momentos que me marcou foi ter privado com a minha professora de Educação Moral e Religião Católica, no secundário.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – É docente há 26 anos. Há quanto tempo dá aulas no agrupamento Camilo Castelo Branco?

ANA MENDES – Iniciei a profissão docente em Braga. Inicialmente, comecei por dar aulas na escola pública e privada em regime de acumulação, nomeadamente no colégio D. Diogo de Sousa. Estou em Vila Nova de Famalicão há 20 anos, na Escola Básica EB 2,3 Júlio Brandão.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Complete a frase: “Ensinar é…”

ANA MENDES – Ensinar é uma paixão. É uma missão. Faz parte de mim. É um modo de ser e de estar. A forma como comunico, os laços empáticos que estabeleço com os alunos são o ponto de partida para estimular as aprendizagens e despertar o potencial de cada aluno. O estabelecimento das relações humanas é uma prioridade e quando essa relação afetiva e inclusiva está estabelecida, então podemos trabalhar com motivação e confiança.

Ensinar é quando trabalho com dedicação e me entrego de alma e coração e quando abraço os desafios de projetos e concursos que vão surgindo. É quando saio da minha zona de conforto e arrisco a dar um passo em frente utilizando metodologias inovadoras e dinâmicas com aprendizagens contextualizadas, ativas e significativas, que requerem um conhecimento multidisciplinar e onde todas as áreas do conhecimento estão interligadas, com recurso às novas tecnologias de informação e comunicação e das ferramentas digitais Web2.0. Ter a consciência plena do impacto positivo, que tenho na vida dos meus alunos permite-me ter, sempre, presente esta frase: “Hoje ajudei ou inspirei alguém?”

“Não são só os professores que deixam marcas, os alunos também. Guardo muitos sorrisos de muitos rostos cheios de vida que me enchem a alma.”

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Enquanto aluna, com quem teve boas experiências?

ANA MENDES – Quando penso no passado e recordo o caminho que me trouxe até aqui, guardo nas minhas memórias boas recordações e boas experiências. Professores excelentes que tiveram influência nas minhas decisões futuras pela postura sempre correta e justa de resolver certas situações mais complicadas, pelo rigor e amizade com que nos tratavam e por nos orientarem no estudo, nos incentivarem a participar em eventos escolares, torneios de basquetebol, visitas de estudo e em projetos ligados ao teatro. Uma das professoras que me deixa muita saudade foi a minha professora primária pela sua capacidade de nos integrar e pôr a trabalhar e pela sua ternura. Tinha sempre uma palavra amiga e não havia um aniversário em que não faltava uma prenda personalizada.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Em 26 anos como professora, certamente tem na memória alunos que deixaram marcas.

ANA MENDES – Todos os alunos são especiais e recordo-os com saudade. Não são só os professores que deixam marcas, os alunos também. Lembro-me de um aluno, há cerca de 5 anos, que me apresentou uma ferramenta digital inovadora que eu não conhecia, a plataforma Prezzi, quando apresentava o seu trabalho numa aula de 5º ano e como fiquei fascinada por aquela novidade ou, há uns anos atrás, a organização e estima do caderno diário, que continha as aulas desde o 5º ao 9º ano e a maneira de ser delicada e educada de uma aluna ou, ainda, no meu intervalo, depois de uma aula, continuar a conversar com duas alunas sobre os problemas da vida e como os superar e como nos intervalos, quando me via, corria para mim, para me dar um abraço. Guardo muitos sorrisos de muitos rostos cheios de vida que me enchem a alma.

“Aos 19 anos vivi num bairro de lata em Lisboa durante 15 dias, porque uma das minhas tias era freira e eu pedi-lhe muito que queria saber como era viver num sítio assim. Nunca mais vou esquecer as sensações que tive.”

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Já viveu experiências memoráveis. Gostaríamos de ouvir algumas dessas histórias.

ANA MENDES – Vou contar algumas histórias, muito brevemente, que me marcaram antes de ser professora e que contribuíram para ser quem sou e sei que são essas experiências que, ainda hoje, me acompanham e fazem parte de mim e me ajudam a ser uma professora mais empática.

Aos 16 anos estava em Carcavelos numa colónia de férias a tomar conta de crianças. Aos 19 anos vivi num bairro de lata em Lisboa durante 15 dias, porque uma das minhas tias era freira e eu pedi-lhe muito que queria saber como era viver num sítio assim.

Nunca mais vou esquecer as sensações que tive, pela primeira vez na minha vida, sobretudo o cheiro a esgoto nas ruas. Aprendi que há pessoas boas em qualquer lugar, que conseguimos viver com pouco, que há pessoas que todos os dias lutam por ter comida e reivindicam os seus direitos mais básicos e que eu era uma felizarda. Também estive em Setúbal, durante as férias de verão, nas Missionárias da Caridade (Irmãs da Madre Teresa de Calcutá). Foi incrível. Apanhei o autocarro para Setúbal e depois com a direção num papel, pedi ao motorista do táxi, para me levar até à morada.

Foram experiências memoráveis com crianças que ninguém queria e com uma história de vida deveras sofrida. Na altura, dei por mim a pensar que só tinha que agradecer e aproveitar todos os desafios que a vida me dava. Cresci interiormente. Senti uma vontade enorme de ajudar as crianças e à noite, na camarata, contava-lhes histórias e cantava para as adormecer.

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO – Foi notícia nos últimos dias por ter sido uma das finalistas Global Teacher Prize Portugal 2020. E sabemos que não foi o prime