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Segunda-feira, 21 Junho 2021
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Hortas Urbanas de Famalicão vão desaparecer do Parque da Cidade

O CITEVE quer crescer em terreno do Parque da Cidade e a Câmara de Famalicão negocia a cedência das hortas urbanas. Os utilizadores das hortas já foram avisados para abandonar o local e protestam em abaixo-assinado contra o negócio.

6 min de leitura
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Famalicão

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Os frutos e legumes biológicos das Hortas do Parque da Cidade, cultivados por quase duas centenas de famalicenses, têm dias contados. Tudo porque a Câmara Municipal de Famalicão, que é dona do terreno, prepara-se para doá-lo ao CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal.

O Parque da Cidade perde espaço verde e os utilizadores das hortas manifestam-se num abaixo-assinado, tentando travar a decisão camarária. A polémica está instalada.

 

As Hortas Urbanas de Famalicão, que são parte integrante do Parque da Cidade, foram inauguradas pelo ex-Presidente Armindo Costa em 2013 – pouco tempo antes de terminar o seu terceiro e último mandato como presidente do município.

Em 18 de abril de 2013, o então presidente Armindo Costa na inauguração das Hortas Urbanas, com Pedro Sena, seu vereador do Ambiente, que ainda continua no cargo. Fotografia DR/CMVNF

Na época, as hortas urbanas foram a coqueluche ambiental da autarquia. Elas significavam um relacionamento novo e sustentável entre os moradores da cidade e os espaços verdes, permitindo aos famalicenses que vivem na cidade a possibilidade de fazerem a sua horta em modo biológico. Era uma aposta na qualidade de vida urbana.

A ideia de instalar um espaço agrícola no parque da cidade foi de Armindo Costa, o presidente que fez o parque, que era uma miragem dos famalicenses já com décadas. A inauguração aconteceu em 18 de abril de 2013, meses depois da abertura do parque.

Segundo a imprensa da época, Armindo Costa mostrou-se muito satisfeito por ver “o empenho, a alegria e o entusiasmo com que os famalicenses abraçaram o projeto”.

Em 2013, os agricultores urbanos receberam os talhões por sorteio. Fotografia DR/CMVNF

No local, algumas dezenas de pessoas, que tinham recebido os talhões por sorteio, trabalhavam a terra, nessa altura ainda despida de cor, mas onde, mais tarde, surgiriam alfaces, cenouras, alho francês, feijão verde e ervas aromáticas, entre muitas outras colheitas.

Agora, essas práticas agrícolas têm os seus dias contados. O verde do campo, mais uma vez, parece perder para o betão da cidade.

Contactado na tarde desta terça-feira, 12 de janeiro, para comentar o assunto e dar outras informações, Pedro Sena, que continua a ser o vereador do Ambiente, pediu que as perguntas fossem colocadas por escrito e enviadas ao gabinete de comunicação municipal.

ARGUMENTOS EM CONFRONTO

Alguns utilizadores das hortas biológicas contactados pelo NOTÍCIAS DE FAMALICÃO confirmaram os rumores que circulam na cidade. “A engenheira da Câmara Municipal já nos disse para não semear ou plantar mais nada”, afirmou um deles, resignado.

Segundo o mesmo utilizador das hortas, não foi dada alternativa, embora se fale na transferência das hortas familiares para outra zona da cidade.

“O meu interesse era ter uma horta aqui ao pé de casa”, explicou um dos moradores das imediações do parque da cidade, que agora vai desistir de trabalhar a terra e colher legumes frescos cuidados por si.

Por parte da Câmara Municipal, a decisão parece tomada, mas a sua ratificação terá ainda que passar pelo crivo da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal, uma vez que o terreno é municipal. Onde, de resto, Paulo Cunha e a coligação PSD-CDS têm uma ampla maioria absoluta.