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Terça-feira, 9 Agosto 2022
Rui Costa
Rui Miguel Costa é formado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto. Gestor em áreas de desenvolvimento, é apaixonado por música, engenharia, economia, inovação e empreendedorismo.

Inteligência Artificial aplicada à saúde

A aplicação da Inteligência Artificial na medicina é cada vez maior. Há dados que revelam como é significativa a quantidade de organizações que já utilizam IA, focando-se, naturalmente, nos sistemas mais simples de monitorização de pacientes e diagnóstico por imagem.

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Rui Costa
Rui Miguel Costa é formado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto. Gestor em áreas de desenvolvimento, é apaixonado por música, engenharia, economia, inovação e empreendedorismo.

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Um dos temas mais presentes na atualidade e que, de forma geral, gera opiniões controversas sobre a sua importância, necessidade e aplicação, é a Inteligência Artificial.

Apesar de ser um tema onde a indústria se tem focado nas últimas décadas com avanços significativos, em outras áreas e para muitos, continua a ser um mistério e algo por explorar.

Este artigo de opinião irá focar-se em explicar o que é a IA, as suas mais valias e abordar a sua aplicabilidade na área da saúde.

É legitimo afirmar, ainda que com mais ou menos concordância, que a IA está cada vez mais a afetar as nossas vidas e a mudar o mundo. De facto, o impacto que tem na nossa sociedade é, na minha opinião, até hoje, amplamente positivo, pelo facilitismo e contributos que traz diariamente aos utilizadores.

Alguns exemplos deste impacto são criados pelos assistentes virtuais, que facilitam a nossa vida em simples tarefas como armazenamento e análise de dados, em diferentes setores de atividade e sempre de forma eficaz. Podemos ir mais longe e falar de assistentes de voz e reconhecimento facial que diariamente se ajustam e nos auxiliam com recomendações de pesquisa, resposta a perguntas sobre serviços ou, simplesmente, a desbloquear o telemóvel. No entanto, trata-se de uma tecnologia transformadora com efeitos ainda por explorar.

Tal como em todas as inovações e tecnologias existentes, poderão certamente existir várias, mas creio que com o foco e investimento certo, os benefícios serão superiores, partindo do princípio que se trata de uma extensão das nossas atividades (humanas).

MAS, FUNDAMENTALMENTE, O QUE É A IA?

A Inteligência Artificial, pode entender-se como um passo tecnológico que permite a determinados sistemas simular inteligência e operar de forma semelhante à humana.
No seu estado mais puro, a IA permite que estes sistemas tomem decisões independentes e precisas suportadas por dados digitais de forma a auxiliar e complementar o trabalho humano, e em muitos casos até substituir. De um ponto de vista mais otimista, considera-se como uma extensão que permite multiplicar a capacidade racional do ser humano em problemas práticos e até potencializar a sua capacidade de resposta.

A primeira vez que se mencionou o termo, foi em 1956 pelo professor John McCarthy, que numa conferência abriu a porta para a produção de máquinas inteligentes no âmbito científico e de engenharia.

De uma forma muito lata, podemos definir IA como a capacidade das máquinas aprenderem, perceberem e decidirem consoante determinadas condições e situações pré-definidas.

Assumindo modelos de dados para processar e analisar, acesso a grandes quantidades de dados, processamento rápido, portanto Big Data, armazenamento na nuvem e modelos de dados exímios, os sistemas artificiais aprendem como uma criança. Sendo que absorvem, analisam, organizam e tratam dados de forma a entender o objetivo para o qual foram criados.

Contudo criar estes sistemas e “ensinar máquinas a pensar” não é assim tão simples. Esta temática engloba várias áreas da ciência computacional como Deep and Machine Learning, Redes Neurais, Visão Computacional, Processamento de Linguagem, entre outros. Segundo o CEO da Salesforce, “Todos estes termos juntos compõem o que é a inteligência artificial e apontam para um futuro em que nossas plataformas e sistemas terão inteligência suficiente para aprender”.

COMO PODEMOS CLASSIFICAR E DIFERENCIAR OS DIFERENTES TIPOS DE IA?

A IA é classificada pela sua tecnicidade, habitualmente definida por IA limitada, IA geral e Superinteligência.

Tendo em consideração que IA tem o propósito de simular um funcionamento semelhante ao humano, o seu grau de sucesso acaba por ser um critério de distinção entre os diferentes tipos.

Sendo o desempenho e versatilidade o principal objetivo, quanto maior for a capacidade ou grau de sucesso, mais evoluído é o sistema. Enquanto que aqueles mais simples e com menor grau de desempenho e funcionalidade são considerados menos evoluídos.

Para se agrupar os tipos de sistema, devemos começar pelos de menor capacidade. As máquinas reativas, que tal como o nome indica, são aquelas que imitam a capacidade de responder a diferentes estímulos sem estarem associadas a memória. O que significa que não podem usar experiências adquiridas anteriormente como base para interpretações e tomadas de decisão em situações presentes ou futuras.

Um bom exemplo disto é o Deep blue, da IBM, que venceu o famoso jogador de xadrez Kasparov. Uma pequena evolução da anterior, são os sistemas ou máquinas com memória limitada, que além de todos os recursos das máquinas reativas, possuem a capacidade de utilizar dados históricos como auxiliar de tomada de decisão. Atualmente, quase todas as aplicações se enquadram nesta categoria de IA. No fundo, são tratados grandes volumes de dados que são armazenados na sua memória para criar um modelo de referência para resolver problemas futuros. Desde chatbots e assistentes virtuais a veículos autônomos, todos são acionados por IA de memória limitada.

No entanto, a IA não é uma área estagnada, mas algo que continua a ser investigado, melhorado e onde o desenvolvimento não para de acontecer. Exemplo disso são algumas teorias hipotéticas que se encontram a ser modeladas. Falo da “teoria da mente” que, enquanto conceito, sugere criar um modelo capaz de compreender melhor os seres com os quais está a interagir, percebendo as suas necessidades e emoções. Falamos também da “IA autoconsciente” que, além de ser capaz de compreender e demonstrar emoções naqueles com quem interage, potencialmente poderá manifestar desejos próprios. Este é o tipo de inteligência artificial que os pessimistas da tecnologia desconfiam e que cria maior tensão, pois apesar de ser vista por muitos como uma forma de impulsionar o nosso progresso, é vista por outros como uma forma de nos levar a uma catástrofe e dependência de máquinas.

Afirmo, convictamente, que a aplicação da Inteligência Artificial na medicina é cada vez maior. Dados de um relatório de 2017 da CB insights, afirma que 86% das organizações prestadores de serviços já utilizam IA. Focando-se, naturalmente, nos sistemas mais simples de monitorização de pacientes e diagnóstico por imagem.

É de alguma forma esperado que, até 2025, existam sistemas com maior capacidade e mais interventivos no auxílio e execução de tarefas feitas por humanos, tal como responder às perguntas específicas dos pacientes e facilitar a gestão da saúde da população por meio do uso de avatares. Atualmente restringe-se ao meio académico, mas que se espera que venha a dar muito que falar aliado à aplicação de realidade aumentada.

Sumariamente a IA prova a sua utilidade no mundo, inclusive na comunidade médica, ao trazer benefícios diretos aos pacientes, permitindo melhorar a qualidade de vida de pessoas dependentes e idosas, oferecer um diagnóstico preciso e rápido, simplificando os tempos de pesquisa para o desenvolvimento de novos medicamentos e sobre certas doenças, melhorar o controlo e a monitorização de pacientes crónicos por meio de dispositivos eletrónicos e diminuir a carga de trabalho ao realizar tarefas de menor valor acrescentado.

O rápido processamento de dados traduz-se numa análise médica e de imagem e, consequentemente de diagnósticos, mais célere revelando-se extremamente útil para doenças que se desenvolvem rapidamente, uma vez que ao serem identificados precocemente o devido tratamento começa também mais cedo. Existem exemplos onde uma simples fotografia, utiliza sistemas capazes de correr bancos de dados com mais de 5000 doenças diferentes. Mas as aplicações são infinitas e ainda por explorar, seja na gravidez, nas próteses inteligentes, onde existe aprendizagem e correção de comportamento, memorizando padrões de movimento e que podem ser controlados através de aplicações, ou até na gestão de custos e fraudes.

A inteligência artificial é um tema cada vez mais na ordem do dia e sobre o qual são esperadas inúmeras inovações e aplicações! A sua associação à saúde vai ganhando expressão, existindo uma necessidade de melhores e mais rápidos processos, que certamente terão resposta nos próximos anos.

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Rui Miguel Costa é formado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto. Gestor em áreas de desenvolvimento, é apaixonado por música, engenharia, economia, inovação e empreendedorismo.