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Quinta-feira, 25 Abril 2024

Ministério Público investiga incêndio numa incubadora no hospital de Famalicão

Quando a incubadora começou a fumegar o serviço de neonatologia, que estava com lotação máxima, foi evacuado rapidamente. “Foi um choque tão grande que nem tive reação. O que eu queria saber é se o meu filho estava bem”, refere a mãe do bebé recém-nascido.

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Um incêndio numa incubadora marcou o último dia de 2023 na neonatologia da Unidade Local de Saúde do Médio Ave, em Vila Nova de Famalicão. Os bombeiros e a PSP estiveram no local. A família conta que só soube do acidente “por acaso”.

Segundo apurou o NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, o incêndio ocorreu numa incubadora que estava a ser utilizada para cuidar de um bebé nascido por cesariana algumas horas antes.

“A PSP encaminhou a ocorrência ao Ministério Público para averiguações”, revelou ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO fonte do comando distrital de Braga.

“Quando a incubadora começou a fumegar, a enfermeira que estava a cuidar do bebé apercebeu-se que o equipamento estava a deitar fumos e cheiros, e lançou o alerta”, declarou ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO uma fonte hospitalar, destacando que “se o incêndio não tivesse sido detetado imediatamente as consequências seriam muito graves”.

Segundo testemunhos recolhidos pelo nosso jornal, instalou-se o pânico no serviço de neonatologia do hospital famalicense, com a retirada imediata de todos os bebés daquele espaço e a chamada dos bombeiros.

“A nossa maior preocupação foi a exposição ao fumo que todos os bebés sofreram. Uma intoxicação por monóxido de carbono em bebés tão pequenos é muito mais rápida e mais grave. A nossa preocupação foi colocar todos os bebés em segurança”, refere essa mesma fonte, referindo que o serviço de neonatologia, que estava com lotação máxima, foi evacuado rapidamente uma vez que se trata de “um espaço pequeno e sem ventilação para o exterior”.

“Não conhecemos a procedência da incubadora”, disse fonte hospitalar ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO.

O NOTÍCIAS DE FAMALICÃO apurou que a incubadora não pertence ao hospital de Famalicão. Terá sido obtida através de um empréstimo e chegou à unidade hospitalar ao início da tarde do dia 31 de dezembro, tendo o incêndio do equipamento ocorrido pelas 18 horas desse mesmo dia.

“Não conhecemos a procedência da incubadora”, disse a fonte hospitalar ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO. A mesma fonte destaca que o problema teve origem no equipamento e que “a possibilidade de sobrecarga elétrica foi analisada e logo descartada”.

“Foi feita uma avaliação da qualidade do ar para saber se seria necessário transferir os bebés para outro hospital, o que não foi necessário”, referiu a fonte hospitalar.

O NOTÍCIAS DE FAMALICÃO contactou António Barbosa, presidente do conselho de administração da ULS do Médio Ave, entidade que tutela o hospital de Famalicão, mas o presidente do conselho de administração não respondeu às perguntas enviadas.

“FIQUEI ASSUSTADO”

O bebé que estava na incubadora chama-se Artur. É o primeiro filho de Joana e Andreiy, casal residente em Vila Nova de Famalicão. Os pais souberam “por acaso” o que se estava a passar.

“Estava a descer, a acompanhar a minha mãe que veio fazer uma visita e estava a ir embora, e vi que os bebés estavam todos cá fora, no corredor, e não na neonatologia. Fui para junto do meu filho e então fui informado que a incubadora onde estava o meu filho começou a pegar fogo”, contou o pai de Artur ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO.

“Inicialmente disseram que a incubadora começou a pegar fogo, depois disseram que era só fumo, começaram por dizer que meu filho não estava dentro da incubadora, mas depois acabaram por confirmar que ele estava dentro. Ficamos perdidos”, conta Andrey.

O pai do recém-nascido acrescentou que, depois, uma profissional hospitalar responsável pela assistência ao seu filho lhe confirmou que “o Artur estava dentro da incubadora quando começou a deitar fumo”.

Uma incubadora é uma espécie de berço revestido por um habitáculo de plástico transparente, com uma abertura nas laterais para se poder aceder ao bebé. Fotografia BANCO DE IMAGENS

A mãe de Artur estava no quarto a recuperar da cesariana que fizera horas antes e soube pelo marido o que se passou. “Liguei à minha esposa a contar, porque a partir daí não saí mais de perto do bebé”, conta o pai.

“Achei um bocado ridículo não terem ido logo avisar os pais do que se estava a passar”, refere Joana, a mãe do recém-nascido.

“Foi um choque tão grande que nem tive reação. O que eu queria saber é se o meu filho estava bem”, refere Joana, que “queria muito ver o bebé, mas ainda estava a recuperar da cirurgia e não me deixavam ainda sair do quarto”. “Pedi a Andrey que não saísse de perto do nosso filho, o bebé precisava mais dele do que eu”, refere Joana, que teve o encontro com o filho horas mais tarde.

“Na altura fiquei assustado, um bocado atrapalhado” destaca o pai de Artur. “Estavam lá os bombeiros. O cheiro era muito intenso e vi pessoas a sair de outras partes da neonatologia vindo cá para fora a dizer que cheirava muito a fumo”, recorda Andrey, que na altura foi também ouvido pela polícia.

“Achei um bocado ridículo não terem ido logo avisar os pais do que se estava a passar”, refere Joana, acrescentando: “Não sabemos se iam falar ou não, por acaso, o pai estava a passar e viu; não sabemos se iam dizer alguma coisa ou não”.

“Foi-nos dito que a incubadora veio emprestada de uma clínica e que tinha a porta estragada”, conta Joana. Andrey refere que foi-lhes explicado que “felizmente a incubadora estava fechada, ou seja, não estava a entrar fumo para dentro”.

FAMÍLIA NÃO FORMALIZA QUEIXA

Joana e Andreiy não formalizaram nenhuma reclamação junto dos serviços hospitalares. “Tivemos uma ideia melhor. Em vez de reclamar, vamos ajudar”, conta o pai de Artur, salientando que “o livro de reclamações do hospital de Famalicão está cheio constantemente”.

“Somos daquelas pessoas que preferem arranjar soluções em vez de criar mais problemas. E Andreiy teve a ideia de organizar umas rifas para angariar fundos para doar umas incubadoras. Vamos falar com a direção do hospital, e quando tudo estiver autorizado e organizado vamos começar a angariar fundos para realizar a doação”, explica Joana.

“Preferimos ajudar o hospital para que esse tipo de situação não aconteça a mais nenhum bebé em vez de estarmos a reclamar pelo nosso que, felizmente, está bem”, refere a mãe de Artur, salientando que “isso é o que interessa”.

Joana destaca ainda que “a maioria dos bebés vai para a neonatologia por nascer prematuro, felizmente não era o caso do nosso”. Artur nasceu com 41 semanas, foi para a incubadora apenas para observação por uma intercorrência no parto e não teve nenhum problema, “mas quem sabe se fosse um bebé prematuro que estivesse dentro da incubadora não tivesse tido problemas por causa do fumo”, destaca.

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