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Vila Nova de Famalicão
Quinta-feira, 25 Abril 2024

“A Eléctrica” e o desenvolvimento de Famalicão

Fundada por António Dias da Costa em 16 de fevereiro em 1924, A Eléctrica celebra hoje 100 anos de existência com os olhos postos no futuro.

4 min de leitura
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Luís Paulo Rodrigueshttp://www.luispaulorodrigues.com
Formado em Ciências da Comunicação e da Cultura, é consultor de comunicação e vive em Vila Nova de Famalicão. Como jornalista trabalhou em jornais locais e nacionais. É cofundador do "Notícias de Famalicão". Escreveu o livro “Comunicação – Riscos e Oportunidades”.

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Em 16 de fevereiro de 1924, faz hoje 100 anos, o empreendedor António Dias da Costa (1888-1970), nascido em Vizela, fundava “A Eléctrica” no centro de Vila Nova de Famalicão, então um pequeno aglomerado urbano que emergia em torno da estrada nacional Porto-Braga, onde os cavalos e, depois, os automóveis paravam para o descanso e o reabastecimento.

Em grande parte do século XX, “A Eléctrica”, que agora entra no muito restrito grupo de instituições centenárias do concelho de Vila Nova de Famalicão, começou por ser um conglomerado de negócios em torno do qual girava a vida da grande maioria dos famalicenses: distribuição de energia elétrica, importação e venda de automóveis, reparação de automóveis, reparações de mecânica em geral para a indústria têxtil, aluguer de automóveis, comercialização de material elétrico e de material para a construção civil.

Além disso, António Dias da Costa – um grande símbolo do empreendedorismo famalicense, que esteve no processo de eletrificação da vila no início do século XX – criou o icónico Restaurante Íris, que levou a fama da gastronomia famalicense a todo o país e ao estrangeiro, em especial ao Brasil. O restaurante, que era um espaço que servia o melhor da cozinha tradicional com o requinte dos melhores restaurantes do país, estava “escondido” entre um posto de combustíveis (imortalizado no documentário “Famalicão”, realizado pelo cineasta Manoel de Oliveira em 1940) e a oficina de reparação de automóveis, onde na década de 1980 abriu o stand da Renault.

As mudanças nas atividades económicas, com as grandes superfícies comerciais e a globalização, ditaram o fim de muitos destes negócios e o emagrecimento de “A Eléctrica”, que agora é uma empresa focada na indústria metalomecânica. Que está viva e que se recomenda, sendo provavelmente uma das empresas de Vila Nova de Famalicão economicamente mais sólidas, em função do seu vasto património imobiliário que se manteve intocável.

A Eléctrica, que é hoje uma família com três dezenas de trabalhadores, continua a ganhar prémios de inovação empresarial, tem uma eficiência financeira reconhecida pela banca e possui um vasto património imobiliário ampliado e mantido desde os tempos do fundador.

“A Eléctrica”, assim designada por ter estado ligada ao processo de eletrificação da vila e ter sido uma empresa de distribuição de energia elétrica até à década de 1980, é uma história de reinvenção e superação.

Está hoje no setor metalomecânico com uma cultura própria e saberes e conhecimentos únicos para o desenvolvimento e produção de soluções mecânicas que continuam a ser essenciais para as indústrias de todo o mundo, não obstante a transição digital em curso. É por isso que as soluções de A Eléctrica, para além de servirem empresas portuguesas e europeias, chegaram a países tão diversos e distantes como Brasil, China ou Argentina.

A Eléctrica, que é hoje uma família com três dezenas de trabalhadores, continua a ganhar prémios de inovação empresarial, tem uma eficiência financeira reconhecida pela banca e possui um vasto património imobiliário ampliado e mantido desde os tempos do fundador António Dias da Costa, que representa um valor difícil de calcular, mas que será, seguramente, de muitos milhões de euros.

O livro “Cem Anos de Superação – A Eléctrica 1924-2024”, de Luís Paulo Rodrigues

Quando aceitei o desafio de escrever o livro “Cem Anos de Superação – A Eléctrica 1924-2024”, para assinalar o centenário da empresa que hoje é celebrado, não imaginava que a investigação realizada permitisse descobrir uma presença tão forte, tão cintilante e tão impactante desta empresa no quotidiano dos famalicenses e no desenvolvimento coletivo de Vila Nova de Famalicão ao longo do século XX. Uma empresa que criou postos de trabalho para milhares de famalicenses e não só, que se multiplicou em negócios diferentes e que, assim, conseguiu vencer e resistir à passagem do tempo e das várias gerações.

A Eléctrica completa 100 anos de existência com os olhos postos no futuro. Depois de um século de resiliência e superação constantes, em função dos vários negócios e das vicissitudes dos respetivos mercados ao longo do tempo, agora que a estrutura está enxuta e focada na indústria metalúrgica, A Eléctrica reinventa-se mais uma vez assumindo uma aposta estratégica na produção de instalações de pintura para peças metálicas ou plásticas das indústrias aeronáutica, automóvel e eólica. Ao mesmo tempo vai administrando o seu vasto património imobiliário.

Neste dia do centenário de “A Eléctrica”, os meus parabéns ao neto do fundador, Carlos Correia, e à bisneta Rosa Clara Dias da Costa que, com sabedoria, tenacidade e perseverança, administram uma das empresas mais importantes para o desenvolvimento de Vila Nova de Famalicão nos últimos cem anos e que, estou certo, continuará, no futuro a gerar riqueza e a contribuir para o processo permanente de construção da comunidade famalicense.

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Luís Paulo Rodrigueshttp://www.luispaulorodrigues.com
Formado em Ciências da Comunicação e da Cultura, é consultor de comunicação e vive em Vila Nova de Famalicão. Como jornalista trabalhou em jornais locais e nacionais. É cofundador do "Notícias de Famalicão". Escreveu o livro “Comunicação – Riscos e Oportunidades”.