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Vila Nova de Famalicão
Terça-feira, 9 Agosto 2022
Carlos Folhadela Simões
Formado em Ciências Farmacêuticas, é professor do Ensino Secundário. Cidadão atento e dirigente associativo.

Basta de remendos…até à gota final!

A água, o mar e Portugal.

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Carlos Folhadela Simões
Formado em Ciências Farmacêuticas, é professor do Ensino Secundário. Cidadão atento e dirigente associativo.

Famalicão

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  1. Água. A palavra a que todos deveríamos dar cada vez mais atenção.

34% do país continua em seca severa e 66% em seca extrema. Não há, pois, um metro quadrado de território que não esteja sob esta condição.  O stress hídrico está instalado. E parece que para ficar. A água que temos e que gastamos ou que perdemos agrava a situação de stress, entre a escassez elevada e extrema. O passado mês de maio foi o mais quente em 92 anos, com uma temperatura média de 19,19 graus Celsius, combinada com uma precipitação média de apenas 8,9 mm. As evidências estão à vista. A tendência é de agravamento. Urge agir!

O Algarve pode deixar de ter água nas torneiras na quantidade e nalguns horários. A restrição está a ser equacionada. O ano de 2005 volta à memória de quem por lá passou nessa altura: pedidos das unidades hoteleiras para poupanças nos duches. E se chegarmos ao limite de não termos água nas torneiras? Será catastrófico para o turismo e para a qualidade de vida dos algarvios.

A agricultura sofre já sérias restrições. Os pequenos agricultores, os de subsistência, confrontam-se com sérias dificuldades em propiciar água às suas laranjeiras e outras culturas. Há já quem lamente a depauperada paisagem no topo da serra do Caldeirão e o definhar das plantações de sobreiros.

No entanto, continuam a ser dadas à estampa notícias com projetos de agricultura intensiva e de regadio. Arroz, citrinos, amêndoa, abacate e olival são culturas predadoras de água. Não devemos embarcar nalguns boatos que circulam, nem amaldiçoar algumas espécies à partida. É curioso consultar dados sobre a quantidade de água exigidas por algumas culturas. As coníferas, os tomateiros, a alface e os feijoeiros são bem mais sequiosos do que as oliveiras, os abacateiros e as amendoeiras, a título de exemplo.

A par do preocupante diagnóstico da falta de recursos hídricos, Portugal apresentou o plano de regadio 2030, onde se prevê a instalação, até 2030, de 134.000 hectares de novos regadios. O investimento incindirá principalmente no Alentejo. Revelar-se-á importante, pois terá como objetivo a modernização dos regadios existentes e a construção de novas infraestruturas de rega. A rentabilização dos recursos existente é prioritária.

A pressão imobiliária continua a fazer-se sentir e os investimentos hoteleiros continuam a brotar como cogumelos. Os campos de golfe são sumidouros de água.  Para quando a obrigatoriedade de estes serem regados com as ditas águas sujas, ou seja, fazendo o aproveitamento de águas residuais? É um sistema que resulta e já existem dois que assim efetivam a sua manutenção. O “fairway”, o “green” e o “rough”, em jargão golfista, deverão ter o tipo de relva apropriado de modo a minimizar a necessidade de água. A eficiência tem de começar a ser um imperativo.

Há uma caminhada que terá de ser iniciada, com passos firmes e objetivos. Melhorar a eficiência na gestão da água, aumentar a reutilização de águas residuais, promover o consumo sustentável, otimizar os processos produtivos, sensibilizar. E sobretudo, informar, informar e informar!  A última gota já esteve mais longe…

  1. Portugal é Mar!

Este é o título de um mapa, profusamente distribuído pelas escolas e que pretendia evidenciar o novo Portugal: 92 mil quilómetros quadrados de território fora de água e 3,8 milhões de quilómetros quadrados de território submerso.

Está aí consignada a proposta delimitativa da plataforma continental lusa, submetida à ONU, em 2009 e que se prolonga para além das 200 milhas náuticas da Zona Económica Exclusiva (ZEE).

Nesta zona, o estado português é dono e senhor no que respeita à conservação, administração e exploração dos recursos naturais existentes quer na coluna de água, quer no solo e subsolo marinho. É também aqui que se pode pescar.

Esta proposta de extensão, aumentaria de forma significativa o território onde Portugal seria soberano na exploração de recursos. Com a adenda, apresentada em 2017, Portugal ficaria com uma área de 2.400.000Km2, passando o território marítimo a ser 40 vezes superior ao terrestre.

O aumento de área, traduzir-se-ia também por um acréscimo, quase incomensurável dos recursos vivos disponíveis, já que são os organismos que estão em contacto permanente com o fundo e/ou o subsolo marinhos, como esponjas e corais, pois os que existem na coluna de água são partilhados internacionalmente. Entre os recursos não vivos estão minerais como ouro, manganês, cobalto, titânio, elementos das terras raras, telúrio, metais do grupo da platina, níquel, cobre, zinco e cobalto. Aquilate-se, a partir daqui, da importância desta concessão para o nosso país.

Foi com o mar que Portugal deu “novos mundos ao mundo”, como cantava Camões.

O mar é um elemento que se cruza intrinsecamente com o povo português. E é em Lisboa que sob o tema “Salvar os Oceanos, Proteger o Futuro” se realiza, sob a égide da ONU, a Conferência dos Oceanos.

Mais um momento internacional para se inverter tudo quanto de prejudicial e quiçá irreversível se tem feito contra o planeta.

Depois das alterações climáticas, da pressão sobre ecossistemas e áreas com relevância na biodiversidade, na prática de crimes ambientais, mais uma vez se discute para encontrar soluções para situações que se aproximam a passos largos da rutura.

Basta de remendos!

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Carlos Folhadela Simões
Formado em Ciências Farmacêuticas, é professor do Ensino Secundário. Cidadão atento e dirigente associativo.