Câmara Municipal “refém dos interesses económicos que colocam em causa a saúde das pessoas”

Autarquia licenciou a construção de um pavilhão ainda sem as devidas licenças ambientais, concedeu redução de taxas e isentou de impostos uma empresa alvo de denúncias de maus cheiros em Fradelos. PAN indignado com a falta de atuação das autoridades.

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PAN informa que teve conhecimento que mais de 60 denúncias realizadas pela população em 2021 e pergunta "quando é que isto terá a atenção da Câmara Municipal?” Fotografia DR/PAN

“Total desprezo pela população de Fradelos” é como o PAN-Famalicão define a atuação das autoridades que “nada fazem” diante das “sucessivas denúncias de maus cheiros provenientes de uma exploração suinícola”.

“São dezenas e dezenas de queixas. Às vezes, recebemos mais de uma denúncia por dia”, explica Sandra Pimenta, porta-voz do PAN e candidata à presidência da Câmara de Famalicão, acrescentando que a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAP-N) e a Câmara Municipal nada têm feito para atender aos apelos da população e solucionar este problema de saúde pública.

O PAN-Famalicão, “atendendo ao elevado número de queixas que tem recebido, aos constantes apelos dos cidadãos e cidadãs e perante o grave problema de saúde pública” solicitou, em junho, uma reunião de urgência ao Presidente da Câmara, mas até ao momento não recebeu qualquer resposta.

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“O PAN não vai desistir desta população, a quem lhe foi negado o direito a um ambiente sadio. Estamos a falar da saúde das pessoas e isto deveria ser a principal preocupação das entidades responsáveis.” refere Sandra Pimenta, acrescentando que “só este ano, temos conhecimento que mais de 60 denúncias foram realizadas pela população. Quando é que isto terá a atenção da Câmara Municipal?”

Dos vários documentos a que o PAN-Famalicão teve acesso, e esclarecimentos prestados pelas entidades competentes é notório que a esta empresa não lhe é exigido que cumpra a lei. “A DRAP-N, entidade fiscalizadora, não exige a adoção das melhores técnicas disponíveis, não coloca a hipótese de suspender a atividade e pior ainda considera licenciar o aumento da produção, quando deveríamos estar a falar em redução.” afirma Sandra Pimenta.

Por outro lado, “choca-nos ver uma Câmara Municipal completamente refém dos interesses económicos, que colocam em causa a saúde das pessoas. Lembro que este executivo além de ter licenciado a construção de um pavilhão ainda sem as devidas licenças ambientais, cedeu um conjunto de isenções nomeadamente uma redução de 31% na taxa de licenciamento, e uma redução de IMI de 31% válida por 5 anos.”

O partido lamenta, igualmente, que sobre este assunto a junta de freguesia nada tenha a dizer e inclusive que não tenha diligenciado, com a mesma prontidão que o fez em relação à Pateiras do Ave, uma alargada discussão sobre o assunto e instando as autoridades competentes a agir.

“Para nós é inexplicável a criação de entraves à criação de uma zona protegida e a completa inação relativamente a esta situação.” refere a candidata

Recorde-se que este caso, que remonta a 2016, agravou-se nos últimos três anos e constitui por si só um incumprimento ao Decreto-Lei nº 81/2013 de 14 de junho, uma vez que o mesmo, na sua atual redação, e que aprova o novo Regime Exercício Atividades Pecuárias (REAP), consagra nos seus artigos que “o produtor deve orientar a sua atividade de forma equilibrada, adotando medidas de prevenção e controlo no sentido de eliminar ou reduzir os riscos suscetíveis de afetar pessoas, animais, bens e ambiente, no respeito pelas normas de bem-estar animal, na defesa sanitária dos efetivos e das populações animais e na prevenção de risco de saúde pública e para o ambiente.”

Estabelecendo ainda que o produtor deve “promover a utilização das melhores técnicas disponíveis, nos princípios da ecoeficiência e que garantam o bem-estar dos animais presentes na exploração e minimizem a formação de odores e a propagação de insetos e roedores, bem como dos demais impactes ambientais negativos”.

O PAN-Famalicão lembra que desde o início de 2020 tem vindo a acompanhar este assunto e foram várias as perguntas que dirigiu ao Governo, através do Grupo Parlamentar e paralelamente, à Câmara Municipal.

Já este ano a estrutura local do partido juntamente com a Deputada à Assembleia da República, Bebiana Cunha, reuniu com a população sendo que os testemunhos reforçaram a urgência na resolução deste problema.

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