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Vila Nova de Famalicão
Sábado, 4 Fevereiro 2023
Elvira Maria Costa
Estudou Ciências Sociais, adora psicologia e escreveu um livro de poesia. Ainda não desistiu da ciência da felicidade e procura palavras ainda por inventar.

Mais vale vergar do que partir!

Assim corre a vida sem que saibamos se o amanhã será uma certeza.

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Elvira Maria Costa
Estudou Ciências Sociais, adora psicologia e escreveu um livro de poesia. Ainda não desistiu da ciência da felicidade e procura palavras ainda por inventar.

Famalicão

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O individualismo, materialismo vs cronómetro da vida em contagem decrescente.

Cada dia é um dia a menos.

Vida!!!

“Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.“ (Fernando Pessoa)

Hoje não tenho tempo!

Esta foi a vida que escolhi, confesso que tenho pouco tempo.

Tempo…

O imperioso tempo,

Uns tem falta dele, outros excesso de tempo, uns não sabem do seu tempo mas todos sabemos que a cada dia que passa também o nosso tempo é menor para viver.

Quem quer arranja tempo…

“O homem não nasce para trabalhar, nasce para criar, para ser o tal poeta à solta.” (Agostinho Silva)

O homem nasce para ser livre, livre do medo, do materialismo exacerbado, da imagem, da falha, da notoriedade, da vaidade, da prisão da sociedade, do julgamento alheio… O homem nasce para sonhar, criar, amar, viver, ser feliz como os pássaros que planam lá no céu procurando o seu lugar seguro para pousar.

Vivemos ansiosos por ter esquecendo o ser.

Vivemos a correr sem tempo para sorrir, olhar nos olhos, abraçar, apreciar o céu, contemplar a beleza da natureza, saber que tudo passa até aquilo que mais faz doer ou o que mais faz sorrir.

Nada é eterno.

Nós não somos eternos.

Vivemos em 24 horas, aquilo que poderíamos saborear em 48.

Melhoraram as condições de vida mas perdemos os jantares em família, o arroz de frango na praia, os almoços de domingo nos avós, as festas de final de ano dos que amamos, as longas conversas na cama, as discussões sobre o futuro, a habilidade de fazer as relações durarem.

Na utopia da vida moderna deixamos de dar vida ao essencial e perdemo-nos no superficial, no supérfluo, em agradar aqueles que mal nos notam porque se habituaram a ser bajulados, e por eles secundarizámos a principal unidade social a família.

Talvez estejamos a viver dias avessos sem que tenhamos a percepção de que o tempo passado não se recupera, que a mesma água não banha as margens do rio duas vezes.

Preocupamo-nos em arrecadar…

Ficar bem perante este ou aquele, sem que verdadeiramente consigamos olhar no interior de nós mesmos e perceber que a principal prioridade, o motor da nossa vida somos nós.

Não é a casa, as festas, as roupas, o carro, o relógio, a conta bancária, a empresa, a popularidade, o reconhecimento dos outros que nos fazem ser.

Não é a máquina que faz o Homem, é o Homem que faz a máquina.

A cada dia que passa cada um de nós aproximasse mais da meta sem que o perceba ou percepcione cada segundo que lhe é dado gratuitamente para viver.

O António, a Maria, o João, a Ângela, o Manuel vivem a correr com medo do futuro.

Também o rio corre para o mar sem que a água doce saiba o sabor da salgada.

Assim corre a vida sem que saibamos se o amanhã será uma certeza.

Talvez seja necessário reajustar para não ser tarde demais para viver… Que cada um seja capaz de se perguntar e reajustar sobre o que realmente é viver hoje, aqui e agora.

Quais são as tuas prioridades?

Que tempo te sobra hoje e agora?

Quanto tempo mais te resta para caminhar lado a lado?

E para viver?

Tens certezas absolutas?

Pára…

Reflete,

Reordena,

Reorganiza,

Prioriza o amor no sentido lato da vida

Não vives sozinho no mundo…

A vida continua mesmo além daquilo que tens, cá deixarás apenas na lembrança dos outros o que deste de ti, o quanto amaste… Tudo o resto são coisas que nada valem sem ti…

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Elvira Maria Costa
Estudou Ciências Sociais, adora psicologia e escreveu um livro de poesia. Ainda não desistiu da ciência da felicidade e procura palavras ainda por inventar.