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Sábado, 23 Outubro 2021
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Dez votos que nos fizeram regressar a 1976

Temos governantes que, para sobreviverem enquanto políticos, preferem governar “à portuguesa”. Desejo que Mário Passos seja rigoroso e competente no exercício das suas funções: isto é, gastar apenas o necessário para melhorar as condições de vida de todos os famalicenses e não apenas de alguns!

5 min de leitura
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Carlos Jorge Figueiredo
É farmacêutico, nasceu em Anadia e está radicado em Famalicão desde 1993. Lidera o núcleo local da Iniciativa Liberal.

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A minha última crónica fazia uma projecção do que poderia ser uma autarquia em 2025, no caso de Famalicão, liderada por um Presidente de Câmara Municipal (CM) liberal.

Naturalmente um exercício de imaginação, que tinha mais a ver com um desejo, do que com a realidade que, com os meus cinquenta e sete anos, tenho obrigação de conhecer. E porque conheço a realidade local e nacional, nunca me sairá da cabeça uma frase que ouvi do actual Presidente da CM, Mário Passos, a uma rádio local: “se estivesse na Noruega, fazia as coisas de uma maneira, estando em Portugal e em Famalicão, tenho de fazer de forma diferente”, mais ao menos isto.

Isto espelha bem a diferença de desenvolvimento das duas sociedades, a norueguesa e a portuguesa, porque tem pessoas diferentes e, sobretudo, governantes que, para sobreviverem enquanto políticos, preferem governar “à portuguesa”.

E o que é governar “à portuguesa”? É, por exemplo, conhecer os dirigentes associativos, um por um, e ir distribuindo dinheiro (dos nossos impostos), para que eles não se esqueçam amanhã de ir apoiar o vereador/presidente para as eleições seguintes.

Neste tipo de governação, quantos empregos públicos não foram prometidos na campanha eleitoral? Quantas adjudicações não foram “negociadas” para o futuro, com determinadas empresas e fornecedores de serviços?

Quantos telefonemas e almoços não foram efectuados, no sentido de garantir o voto na estabilidade, não viessem por aí socialistas com as suas clientelas ou esses malditos liberais, para colocar tudo em causa, ao denunciarem onde se desbarata milhões de euros dos nossos impostos, apenas para alimentar as clientelas de voto?

Pois, apesar de termos chamado a atenção para a necessidade de mudança, daí a alegoria do “Bem-Vindos a 2025”, os eleitores escolheram mais do mesmo, e a soma dos votos dos partidos do sistema PS/PSD/CDS, clientelar e de compadres, correspondem a mais de 80%, tal como em 1976!

Pois bem, a Iniciativa Liberal, ficou a dez votos de eleger um Deputado Municipal e assim, mostrar a diferença entre as ideias liberais, de respeito pelo dinheiro dos contribuintes, pela liberdade de escolha e pela transparência de todas as decisões autárquicas. Iríamos também na Assembleia Municipal denunciar o facto da comunicação social estar tão comprometida e ser submissa ao poder vigente.

Em termos de imprensa local livre não é normal, não haver uma entrevista com os líderes dos novos partidos, no concelho. Também não é normal, semana após semana, vir a foto do Presidente da Câmara, quando isso não acontece com os restantes representantes dos partidos da oposição.

Então a cereja em cima do bolo foi o facto de, a 30 de julho, aquando da entrega das candidaturas e quando os dois principais órgãos de comunicação social locais afirmam, a dois meses de distância, que não iria haver debates nas suas rádios por falta de tempo. Como?

Não fosse o Notícias de Famalicão (o primeiro a convidar para debates) e o Jornal de Famalicão (a levar por diante o primeiro debate entre candidatos, na segunda semana de setembro) possivelmente eles não teriam existido. Temos o dever de libertar a comunicação social local.

O gabinete de comunicação do Presidente da Câmara, apesar de numeroso, não pode substituir o dever de escrutínio dos mídia locais. A função de informar a população é sobretudo da comunicação social, não de um gabinete de propaganda, que envia a notícia trabalhada para publicação. Isto não é jornalismo!

Acredito que algumas pessoas que simpatizam com as nossas ideias, tivessem receio da mudança. Sabemos que os portugueses, só quando estão aflitos e desesperados é que mudam, até aí, preferem que tudo fique igual. Enquanto candidato à CM, na lista da IL, fiz a minha parte. Penso que tinha este dever com os famalicenses.

Enquanto cidadão tenho contribuído para combater o desperdício municipal, denunciando as suas causas, tenho relatado o mau estado dos passeios e a sua ocupação indevida, prejudicando a mobilidade. Os serviços camarários tem dado razão a alguns dos meus relatos, ao solucionar algumas dessas situações.

Continuarei a ser um cidadão comprometido com a sociedade que me rodeia. Ao me ter disponibilizado para a lista à CM, depois de já ter sido deputado municipal e membro da Assembleia de Freguesia de Riba de Ave, tenho a minha consciência de dever cumprido. Os eleitores é que escolhem os seus representantes. Independentemente do juízo que façamos dessas mesmas escolhas, devemos respeitá-las.

Apesar de ter consciência que a governação da coligação no poder não será muito diferente do que tem sido, pelo menos desde 2013, não deixo de desejar um bom mandato ao actual Presidente da Câmara, Mário Passos, no sentido de este ser rigoroso e competente no exercício das suas funções: isto é, gastar apenas o necessário para melhorar as condições de vida de todos os famalicenses e não apenas de alguns!

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Carlos Jorge Figueiredo
É farmacêutico, nasceu em Anadia e está radicado em Famalicão desde 1993. Lidera o núcleo local da Iniciativa Liberal.