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Vila Nova de Famalicão
Quarta-feira, 26 Janeiro 2022
Elvira Maria Costa
Estudou Ciências Sociais, adora psicologia e escreveu um livro de poesia. Ainda não desistiu da ciência da felicidade e procura palavras ainda por inventar.

Mãe, a palavra que mais oiço e talvez a que mais pronuncio…

O amor por um filho é mais do que Camões seria capaz de relatar como fogo que arde sem se ver pois é vida para além da própria vida.

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Elvira Maria Costa
Estudou Ciências Sociais, adora psicologia e escreveu um livro de poesia. Ainda não desistiu da ciência da felicidade e procura palavras ainda por inventar.

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Mãe é quem fica.
Mãe é ser mar e abraçar a areia a cada minuto.
Mar que cria, embala, protege.
Mãe é saber ser mãe!
Não podemos medir a intensidade do coração que pulsa fora do nosso peito, da parte que hoje não está em casa mas que leva a mãe como um manto que protege do frio, pois depois de se ser mãe nunca mais estamos sós sem que algo nos falte ou acrescente.
Nada volta a ser igual.
Mãe é crescimento transformador.
É magia sem varinha de condão.
Mãe é sombra nos dias de calor e sol quando está frio.
Mãe fica apertada no escorrega quando a cria quer descer com ela,
baloiça até enjoar.
Dorme sentada com os braços carregados para que a tosse passe, para que o cheiro e o calor acalme a dor, mãe embala já com os braços adormecidos, cantarola, afaga os cabelos, come o resto dos filhos para ganhar tempo para brincar, dorme bem abraçadinha para que se aprenda a não ter medo dos trovões, do vento, da tempestade dos pequenos monstros que parecem gigantes assustadores…
Mãe fica quando o filho vai.
Mãe é teimosia que teima em ocupar todos os cantos todos os espaços vazios para que possa sempre permanecer.
Mãe é chata, persistente, insistente…
Mãe é amor, é dor, compaixão que só se conhece quando verdadeiramente se é mãe.
Falo por mim e por outras mães que descobri que o amor por um filho é mais do que Camões seria capaz de relatar como fogo que arde sem se ver pois é vida para além da própria vida.
Mãe é o papel mais difícil de desempenhar, sem livros, resumos ou enciclopédias com bonitas imagens.
Mãe está além da forma de olhar, extravasa a forma de ver, quando muitas vezes acumulamos ambos os papéis o de mãe e o papel de pai.
E dói tanto ver um filho que não tem um pai presente a cada dia da sua vida.
Dói o vazio que ele carrega e que nunca será ocupado.
Nada é mais transformador do que amar um filho e mais fortalecedor do que ser amado por uma mãe.
E porque um dia a mãe fica e o filho vai mas sempre leva tanto da sua mãe; a forma de ensinar a amar, a compaixão pelos outros, a forma de dobrar a roupa, de organizar a casa, as expressões que repete e que sente ser muito parecido com a mãe, o calor dos abraços, o brilho no olhar, a força para enfrentar cada tempestade…
Certo é que cada mãe ou pai recebe na medida do que dá e hoje dão-se tantas coisas materiais mas permitem-se filhos isolados num mundo só deles sem saberem dialogar, olhar nos olhos, abraçar, desfrutar de um belo passeio ou de risadas deitados à sombra de uma árvore enquanto são abraçados pela leve brisa que beija as suas faces.
Falta o colo, hoje falta o colo e como ele grita silenciosamente …
E sim, mãe fica mesmo depois de todos os outros já terem ido.
Mãe é um dom …
Uma dádiva…
Agradecimento…
Crescimento…
Uma prova diária de perdão e amor.
Mas afinal o que é ser mãe?

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Elvira Maria Costa
Estudou Ciências Sociais, adora psicologia e escreveu um livro de poesia. Ainda não desistiu da ciência da felicidade e procura palavras ainda por inventar.