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Domingo, 28 Novembro 2021
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Carlos Jorge Figueiredo
É farmacêutico, nasceu em Anadia e está radicado em Famalicão desde 1993. Lidera o núcleo local da Iniciativa Liberal.

Quando os partidos políticos viram clubes de futebol

Mal vai uma sociedade quando um partido político é vivido como um clube de futebol. A vida política e a governação de um país é muito mais importante que o futebol.

4 min de leitura
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Carlos Jorge Figueiredo
É farmacêutico, nasceu em Anadia e está radicado em Famalicão desde 1993. Lidera o núcleo local da Iniciativa Liberal.

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Relativamente à nossa jovem democracia, que tem apenas 47 anos, se considerarmos que ela existe desde 1974, o que não é rigorosamente verdade, pois só podemos considerar uma verdadeira democracia, a partir da revisão constitucional de 1982, em que os militares deixaram de intervir na vida política, por via da revisão constitucional.

Até aí existia um Conselho de Revolução, constituído por militares (“Capitães de abril”) que intervinham nas decisões políticas, quando estas não eram do seu agrado. Pelo meio ainda existiu o fim do PREC (Período Revolucionário em Curso), interrompido pelos militares “Comandos”, no dia 25 de novembro de 1975, tendo à cabeça o comandante Jaime Neves.

Estava tudo preparado para haver um golpe militar para derrubar o regime “democrático” resultante das eleições constituintes de 1975, que deu uma maioria significativa a partidos verdadeiramente democráticos (PS, PPD e CDS), ao contrário do que esperavam forças comunistas e de extrema-esquerda, que não chegaram aos 20% dos votos nessas eleições.

Para sermos rigorosos, a nossa verdadeira democracia (governos emanados da vontade popular expressa em eleições livres), surgiu em finais de 1982, com a extinção do Conselho da Revolução, e com a consequente criação do Tribunal Constitucional e o Conselho de Estado. Assim, a nossa jovem democracia tem menos de 40 anos!

Resulta ainda o facto da sociedade portuguesa ter uma média de escolaridade baixa, resultante do Estado Novo, mas também do Estado democrático, resultante do 25 de abril, não ter avançado tanto como seria desejável em termos de educação, sendo a escolaridade obrigatória (12.º Ano), apenas implementada na primeira década deste século, sendo até aí, apenas obrigatório, o nono ano. “Em 1995, Portugal atinge 100% de taxa de escolarização aos 14 anos. Mas a retenção e abandono eram muito elevados e 35% dos alunos não concluía o 9.º ano.” 

Ou seja, só a partir do século XXI, é que Portugal começou a aproximar-se das taxas de escolaridade dos restantes países, mas sobretudo ao nível do ensino superior. Relativamente à taxa da escolaridade média, estamos muito afastados dos valores europeus, onde 80% da população ativa entre os 25 e os 65 anos, tem o ensino secundário concluído. Portugal pouco ultrapassa os 50%. E esta realidade, do ponto de vista de educação, tem reflexos em todos os sectores da vida pública, desde a produtividade no trabalho, aos índices de desenvolvimento humano, e estende-se à participação política e à qualidade da democracia.

Do ponto de vista político, o peso que cada partido tinha nas primeiras eleições livres de 1975 até hoje, muito pouco mudou. Os números não enganam: em 1975, os partidos PS/PSD/CDS do chamado “arco da governação” (expressão desatualizado após a chamada “geringonça”), obtiveram cerca de 75% e, os partidos de esquerda e extrema-esquerda (PCP/UDP/MDP), cerca de 18%. Pois bem, passados 43 anos, em 2019, os resultados foram semelhantes, tendo os partidos moderados (PS/PSD/CDS) cerca de 70% e os de esquerda e extrema-esquerda (PCP, Livre e BE), 18%.

Esta situação, explica muito da nossa cultura e do nosso nível de educação. Apesar dos fracos resultados económicos e sociais que o país tem tido, quando comparado com os restantes países, que em 1974 eram tão ou mais pobres que Portugal (República da Irlanda, Espanha, Lituânia, Letónia, República Checa, Polónia, Hungria, etc.), os eleitores portugueses continuam a votar nos mesmos partidos de há 43 anos atrás.

Isto tem de ter uma explicação objetiva que poderá ter a ver com o nosso baixo nível de literacia para a cidadania, que as escolas se esqueceram de ensinar, ou haverá razões mais subjetivas, que estarão relacionadas com o mundo do futebol?

Se a primeira explicação é mais lógica, não posso excluir o espírito do adepto ferrenho, que tal como no futebol, não é capaz de trair o seu partido de sempre. Como acho que a vida política e a governação de um país é muito mais importante que o futebol, só podemos ficar preocupados com esta conclusão.

Mal vai uma sociedade quando um partido político é comparado e vivido como um clube de futebol, do nosso coração. Mas as coisas são o que são, e, entretanto, resta-nos esperar pelo próximo “jogo”, para sabermos o resultado!

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Carlos Jorge Figueiredo
É farmacêutico, nasceu em Anadia e está radicado em Famalicão desde 1993. Lidera o núcleo local da Iniciativa Liberal.
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