Henrique Gouveia e Melo: o percurso de um servidor do país

A sua biografia é a história de alguém que fez da disciplina uma forma de estar e do serviço público uma forma de vida.

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Fotografia ASSOCIATED PRESS (AP)/DR

Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo nasceu a 21 de novembro de 1960 em Quelimane, então território português em Moçambique. A infância passada entre África e o Brasil deu-lhe um olhar aberto sobre o mundo, mas foi em Portugal, já aos 18 anos, que encontrou o rumo que marcaria toda a sua vida: a Escola Naval. Entrou em 1979 e ali começou a forjar a disciplina e o sentido de missão que hoje lhe são reconhecidos sem reservas.

Concluído o curso em 1984, Gouveia e Melo escolheu o caminho mais exigente da Marinha: a Esquadrilha de Submarinos. Serviu em unidades míticas, como o NRP Delfim e o NRP Barracuda, e cedo se destacou pela frieza, pela capacidade de mando e pela cultura operacional que trouxe a cada missão. A vida submarina é dura, silenciosa e tecnicamente implacável, ele não só se adaptou como acabou por comandar aquilo que o fascinava. Nesse percurso, ajudou também a modernizar a capacidade submarina portuguesa, num tempo em que a tecnologia e a doutrina estavam a mudar a grande velocidade.

O seu trajeto atravessou vários horizontes da Marinha: relações públicas e comunicação, direção de serviços, chefias operacionais, comando da fragata NRP Vasco da Gama, liderança em estruturas como o Instituto de Socorros a Náufragos e a Direção de Faróis. O fio condutor sempre foi o mesmo: método, rigor, clareza de objetivos e uma noção simples, mas rara, servir, antes de mandar.

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A ascensão ao topo da hierarquia levou-o a Comandante Naval e, mais tarde, a Chefe do Estado-Maior da Armada. Nesses cargos, deixou a marca de um oficial que exige muito, mas que nunca exige mais dos outros do que exige de si próprio. É também alguém que encara a liderança como responsabilidade, não como privilégio.

A notoriedade pública chegaria em 2021, quando assumiu a coordenação da task force da vacinação contra a COVID-19. Num momento em que o país estava cansado e desconfiado, Gouveia e Melo impôs uma lógica de trabalho simples: foco, organização, zero dramatizações e resultados. Tornou-se símbolo de eficácia numa crise que ameaçava tudo, e fê-lo sem pompa, apenas com método.

Essa exposição abriu a porta a uma nova etapa. Em 2025, apresentou-se como candidato à Presidência da República, insistindo em manter uma distância clara dos partidos e propondo uma leitura serena e exigente da função presidencial. Tem falado de união, responsabilidade e serviço ao país, ideias que conhece não da teoria, mas da prática de quatro décadas de vida militar.

Hoje, quando se encontra com cidadãos de todo o país e amanhã, quando nos sentarmos à mesa, aparece sempre o mesmo homem: direto, metódico, pouco dado a encenações e muito voltado para soluções. A sua biografia não é apenas a história de um militar de carreira. É a história de alguém que fez da disciplina uma forma de estar e do serviço público uma forma de vida.

 

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