A fuga da responsabilidade

Neste concelho, andamos sempre à volta dos problemas como se de uma rotunda se tratasse.

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Imagem criada com recurso à IA.

Em Vila Nova de Famalicão, mais propriamente no executivo camarário, a falta de exigência continua a fazer parte do nosso dia a dia. Bem, é assim já faz muito tempo.

Mas agora, cada vez mais, todos estamos a sentir essa incapacidade e incompetência.

A água deixou de ser um bem garantido para passar a ser uma incerteza recorrente.

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As falhas no abastecimento tornaram-se quase banais. Como se tratasse de uma cidade de terceiro mundo, a insegurança de viver sem água durante horas ou dias é apenas um detalhe menor numa agenda municipal cheia de discursos otimistas e inaugurações fotogénicas.

Com um desconhecimento claro e um claro desleixo sobre o estado das estruturas municipais, torna-se evidente a falta de planeamento e antecipação de problemas, ou seja, manutenção.

Falha a coragem de exigir soluções estruturais às entidades responsáveis.

Falham as respostas a todos os famalicenses por parte do presidente de câmara.

O que não falha é o silêncio cúmplice do executivo camarário, mais preocupado em gerir a imagem do que em garantir serviços básicos à população.

Para mim é difícil compreender como, num concelho que gosta de se apresentar como moderno, dinâmico e exemplar, continuamos a assistir a interrupções constantes no abastecimento de água, muitas vezes mal explicadas e pior resolvidas.

Sim, a normalização do incómodo é talvez o maior triunfo da inércia política porque cria-se a ideia de que “acontece”, de que “é pontual”, de que “está a ser resolvido”.

E daqui, vamos ao estádio?

Como moeda eleitoral, um símbolo fácil que mexe com a paixão do futebol, com o orgulho local e com a ideia de progresso, este é o grande exemplo de ilusão que tem sido usado por parte de Mário Passos.

Com uma velha promessa sempre apresentada de forma vitoriosa, o resultado passado meses da sua eleição é mais uma vez zero.

Se o plano A já prejudicava os famalicenses e colocava em causa toda a zona desportiva envolvente, então o plano B (se existir) certamente irá colocar a cidade à venda.

Neste concelho, andamos sempre à volta dos problemas como se de uma rotunda se tratasse.

Com a estratégia de comunicação, que colocará o concelho “no mapa”, este é um compromisso inadiável em que depois a culpa é de terceiros.
Passou a eleição e a obra regressa à gaveta.

Então e as árvores?

“Ampliar espaços verdes e a mancha de floresta municipal, com a plantação de 100.000 árvores, privilegiando a preservação de espaços patrimoniais.”

A afirmação acima citada, foi mais uma das promessas de Mário Passos durante a campanha eleitoral.

Não passa de uma promessa repescada da campanha de 2021.

Até agora nunca foi apresentado nenhum relatório de quantas foram plantadas e onde estão.

O que sabemos é a aberração que foi levada a cabo no Monte de Santa Catarina e em Fradelos.

Talvez tenha de colocar a hipótese de todas essas árvores estarem na obra de arte que está na praça com o nome de “jardim suspenso” que todos pagamos 12.300€.

Os exemplos que mencionei é o padrão usado para ilusão dos cidadãos.

Quando os serviços mais básicos deixam de ser garantidos como, a de falta água, a falta saneamento básico, também a falta transparência, a falta exigência e falta rigor, já não estamos a falar de estratégia mas sim de incompetência.

O concelho está sem rumo.

 

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