Há uma palavra que as pessoas gostam particularmente de usar quando falam de dinheiro público, essa palavra é gestão.
E há ainda mais duas expressões que devem estar sempre presentes, prudência e planeamento.
Em Vila Nova de Famalicão, porém, começa a ser legítimo perguntar o que significam, na prática, contas certas.
O executivo liderado por Mário Passos aprovou em 2026 uma nova organização dos serviços municipais.
Para justificar fala-se de modernização, eficiência, responsabilidade e qualidade do serviço público.
Todos precisamos de uns serviços mais rápidos e ninguém poderá ser contra uma Câmara mais eficiente.
Mas os números chamam-me a atenção.
É público que a estrutura anterior contemplava até 43 lugares de chefia intermédia.
Também é público que a nova organização eleva esse limite para 95.
Para essa “rapaziada” são mais 52 lugares de chefias, um aumento de cerca de 121%.
Isso significa que a despesa é automaticamente aumentada e vai custar dois milhões de euros por ano. Esse valor é uma estimativa apresentada pela Iniciativa Liberal e deve ser tratado como tal.
Mas as contas são fáceis de fazer, a estimar que cada chefia tem um custo anual de 55.000,00€ é só multiplicar.
Para quê uma Câmara precisa de praticamente duplicar a sua capacidade de chefia?
Não vemos resultados práticos dessa mudança no terreno, muito pelo contrário.
Com tanta chefia, julgo eu que a câmara deverá ser um escritório do mais alto gabarito de quadros e talento de sobra.
Se assim é, porque continuamos a contratar serviços externos? Sim, estou a falar de advogados, comunicação, produção audiovisual entre outros.
Haja dinheiro!
São 3.4 milhões de euros, a pagar durante 20 anos.
Soube que foi solicitado na forma de empréstimo bancário, uma enorme quantia de dinheiro destinado à primeira fase da requalificação e ampliação das piscinas municipais.
Não sei se o leitor lida bem com isso, mas, para mim é difícil de ignorar.

Temos de um lado, uma máquina municipal com mais níveis de chefia que há memória, do outro, uma obra pública que será paga durante duas décadas.
Mas não menos relevante que tudo isto, acontece num município que, segundo o próprio presidente, tem uma situação financeira confortável e uma reduzida dívida bancária.
A justificação apresentada para o recurso ao crédito passa pela utilização de financiamento externo para uma grande infraestrutura e pela transição entre ciclos de fundos europeus.
Não há nada de ilegal em recorrer ao crédito, mas certamente é de uma irresponsabilidade incrível.
E é precisamente este o ponto que a política municipal tem de ser escrutinada.
A piscina pode ser um bom investimento sim, mas que fosse adequada a provas internacionais para gerar turismo no concelho.
Como já percebemos o dinheiro público não é infinito e é triste dizer aos nossos filhos que vão pagar a má gestão de Mário Passos por décadas.
Pensem nisso…


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