As Festas Antoninas de Vila Nova de Famalicão registaram uma escalada financeira sem precedentes nos últimos anos. A análise dos orçamentos aprovados durante as presidências de Agostinho Fernandes (PS), Armindo Costa (PSD-CDS), Paulo Cunha (PSD-CDS) e Mário Passos (PSD-CDS) revela que o investimento público na maior festividade do concelho atingiu valores recorde com o atual presidente da Câmara, quebrando uma longa linha de estabilidade orçamental mantida pelos anteriores executivos municipais.
O NOTÍCIAS DE FAMALICÃO analisou orçamentos dos últimos 25 anos. Em 2001, o último orçamento aprovado por Agostinho Fernandes foi de 73.998.500 escudos (369.102,96 euros). No ano de 2002, o primeiro orçamento aprovado durante a presidência de Armindo Costa foi inferior, fixando-se nos 324.219,00 euros. Dezassete anos mais tarde, em 2019, o último orçamento para as Festas Antoninas aprovado no mandato de Paulo Cunha situava-se nos 345.350,00 euros.
Estes valores demonstram que, ao longo dos mandatos dos presidentes anteriores, a dotação financeira para as festividades não sofreu grandes alterações, mantendo uma gestão contida e previsível. Logo de seguida, a trajetória regular das festas foi interrompida pela pandemia de covid-19, que condicionou a realização das Antoninas nos anos de 2020 e 2021.

Contudo, com a retoma das festividades, em 2022, e a transição da liderança da autarquia para Mário Passos, o cenário financeiro alterou-se radicalmente. No primeiro ano sob a sua presidência (2022), o orçamento saltou de imediato para os 468.086,31 euros. O que se seguiu foi um crescimento contínuo e expressivo: em 2023, o valor disparou para 698.506,29 euros e, em 2024, a fasquia elevou-se significativamente para os 896.618,56 euros.
O culminar desta tendência verificou-se no ano passado, data em que a Câmara aprovou o valor recorde absoluto de 993.414,26 euros para as celebrações. Já este ano, o orçamento revela uma consolidação neste patamar elevado, fixando-se em 993.150,02 euros, uma variação quase nula que confirma a fixação da despesa no topo.
COMO DISPAROU A DESPESA
A comparação direta dos dados evidencia que a despesa disparou durante a presidência de Mário Passos. Em termos comparativos, o orçamento atual é mais de três vezes superior ao registado no primeiro ano da coligação PSD-CDS na governação municipal. Ao analisarmos orçamentos das Antoninas realizadas durante os mandatos de Armindo Costa e Paulo Cunha, os números revelam que com Mário Passos a despesa aumentou mais de 206%.
No entanto, os valores disparam não apenas quando os orçamentos de Mário Passos são comparados com os orçamentos aprovados por Armindo Costa e Paulo Cunha. O mesmo acontece quando a comparação é entre Mário Passos e o próprio Mário Passos: 468.086,31 euros (2022), 698.506,29 euros (2023), 896.618,56 euros (2024) e 993.414,26 (2025).
Após alcançar o limiar de um milhão de euros em 2025, último ano do primeiro mandato, o orçamento das festas mantém-se elevado. O orçamento de 2026, o primeiro do segundo mandato de Mário Passos, é de 993.150,02 euros.
O aumento percentual entre o primeiro orçamento aprovado por Mário Passos (2022) e o atual (2026) é de 112,17%. Isto significa que, em apenas quatro anos, o autarca mais do que duplicou a dotação financeira para as Festas Antoninas, registando um crescimento de 2,12 vezes o valor inicial.
Os elevados orçamentos Festas Antoninas têm gerado contestação e estão sob forte escrutínio público. Os partidos da oposição (Chega e PS) votaram contra o orçamento deste ano, mas como o executivo PSD-CDS liderado por Mário Passos tem maioria, o orçamento foi aprovado [ver aqui PS vota contra despesa de um milhão de euros para as Festas Antoninas e aqui CHEGA votou contra “orçamento excessivo” das Festas Antoninas].
Recorde-se que as Festas Antoninas 2026 começam esta sexta-feira, 5 de junho e prolongam-se até ao dia 13, feriado municipal.
OUTRAS FESTAS DO QUADRILÁTERO
O orçamento das festas dos outros municípios do Quadrilátero Urbano (Braga, Barcelos e Guimarães) é inferior ao das Antoninas de Famalicão.
Este ano, o orçamento do São João de Braga, capital do distrito, é de 580 mil. Importa referir que os valores do São João de Braga referem-se ao orçamento total da Associação de Festas, que é formado por receitas próprias e apoio camarário – que este ano é de 280 mil euros, ou seja, 47% do total.
Com mais de 500 anos, a Festa das Cruzes, em Barcelos, rondou os 650 mil euros. Durante a apresentação do programa, o presidente da Câmara divulgou os dados apurados num estudo do Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), que apontam para um retorno financeiro, em 2025, entre 31 e 74 milhões de euros.
Quanto às Gualterianas, realizadas em Guimarães desde 1906, ainda não há informações disponíveis para 2026, mas, em 2025, o orçamento rondou os 500 mil euros.
Refira-se que o São João de Braga e a Festa das Cruzes – assim como as Antoninas de Famalicão – fazem parte do Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.


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