Sobral de Monte Agraço já tem um parque infantil
Frase publicitária de um anúncio dos anos 90
Vila Nova de Famalicão já tem uma loja da FNAC. Mais uma grande “insígnia” na nossa lustrosa cidade. O Presidente Mário Passos marcou presença e ficamos a saber que uma “insígnia” exigente como a FNAC só se instala em territórios grandes e em desenvolvimento. Assim, esclarecemos o misterioso fecho da loja da FNAC na rua Santa Catarina no Porto, aquele território encolheu e entrou em depressão.
Vou contar um segredo… mas fica só entre nós, a FNAC abriu uma loja em Famalicão porque está convencida de que vai ganhar dinheiro. Mais nada, ponto.
Fazendo arqueologia da memória, embora não tenha sido assim há tanto tempo, lembram-se da Bertrand Livreiros, na mesma galeria comercial? Pois… é isso.
Se o Sr. Presidente me permitir, faço duas sugestões:
P.f. não use a palavra “insígnia” em terras do Auchan. Esta palavra faz parte do jargão do Grupo Sonae (proprietário de várias “insígnias”: Continente Modelo, ZU, Worten, etc). E a modos que, Auchan e Sonae são concorrentes e a coisa pode cair mal e acabar por estragar o negócio.
(Pronto… esta estava atravessada há algum tempo.)
A segunda sugestão, e já que está numa loja onde (ainda) há livros, compre o “O Descontentamento da Democracia” de Michael J. Sandel. Estou convencido de que depois dessa leitura, vai dar mais atenção à Fonte Nova, essa pequena livraria que nos acompanha há décadas e que, mais do que um negócio, é um modo de vida. Desculpem, vou corrigir a nota, p.f. compre o livro na Fonte Nova.
Posto isto, e arriscando-me a provocar algum enjoo pela mudança súbita de tema, quero fazer um pedido singelo ao Município, este ano apresentem um orçamento que seja acessível ao cidadão. Faço o apelo nesta altura, porque é agora que os gabinetes cozinham a estratégia e os números para 2027.
Sobretudo, porque o orçamento é a ferramenta que vai definir as prioridades, os investimentos, as despesas no próximo ano e concomitantemente (esta palavra é gira) comprometer, ou condicionar, a gestão autárquica dos próximos anos.

Para começar, parece-me bem apresentar as contas do ano anterior. Porém, um balancete com 10 página a letra 8, mais não faz do que dissolver em ácido qualquer vontade de análise. Já agora, porque não apresentar uma demonstração de resultados? À falta de um controlo orçamental, sempre ajudava a perceber melhor o desempenho do exercício anterior.

Sendo certo que no orçamento de 2026 (Grandes Opções do Plano e Orçamento 2026), são resumidos alguns grandes números (ver gráfico acima), onde podemos verificar que 20% despesa vai para gastos com pessoal, 50 milhões de Euros. Contudo, estes números esclarecem zero sobre a relação entre as grandes opções do plano e a respetiva dotação orçamental. Mas, já lá vamos.
O documento (Grandes Opções do Plano e Orçamento 2026) passa 142 páginas a contar-nos uma história. Mas, chegados ao orçamento, perdemos o rasto à narrativa. Ou seja, nas seis agendas detalhadas, Famalicão Ecológico, Mais Qualificado, Mais Comunitário, Mais Saudável, Mais Inovador e Mais Inteligente, fiquei sem saber quanto se pretendia investir em cada uma destas agendas.

Então é assim, resumam os números por forma a que se possa olhar criticamente para eles e seja fácil colocar questões. Afinal, não é para isso que servem as discussões do orçamento?
Ou será que a ideia é “lavar mais branco”? Despejando toneladas de números, como quem lança um manto de neblina?
Segundo o mesmo documento, a programação orçamental estima que para 2027 temos uma redução de 72 milhões de Euros. Não é bom, nem é mau. Mas para quem gosta de encher a boca com coisas grandes, este ano a coisa parece que fica mais pequena.



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