No dia em que se assinala um ano desde a sua eleição como deputada à Assembleia da República, a famalicense Sofia Fernandes (PSD), natural de Oliveira São Mateus, faz um balanço do primeiro ano de mandato, fala sobre a sua atuação no Parlamento e traça as prioridades para o próximo ano.
NOTÍCIAS DE FAMALICÃO (NF): As eleições de 18 de maio de 2025 ditaram uma representação feminina inédita para Vila Nova de Famalicão. Decorrido quase um ano, qual foi a vitória legislativa de que mais se orgulha e que tem impacto direto para o concelho e a vida dos famalicenses?
SOFIA FERNANDES (SF): Antes de mais, considero que essa representação feminina é uma boa notícia e um excelente sinal para Vila Nova de Famalicão. Mostra que o nosso concelho tem mulheres preparadas, com percurso, com voz própria e com capacidade para representar os famalicenses ao mais alto nível.
Se me pergunta qual é a vitória de que mais me orgulho, não a colocaria apenas numa votação isolada. O primeiro ano de mandato foi, sobretudo, um ano de afirmação na defesa de melhores respostas em saúde, na valorização da mobilidade e dos transportes, na atenção à habitação, na defesa da economia ao serviço da qualidade de vida, e na preocupação com as famílias e com as pessoas.
Naturalmente, pela minha formação e experiência, a área da saúde tem ocupado um lugar central. O impacto direto para Famalicão sente-se quando conseguimos trazer para o debate nacional problemas que as pessoas conhecem bem: o acesso a médico de família, a defesa do SNS e da sua sustentabilidade, a necessidade de valorizar os profissionais de saúde e de garantir respostas mais próximas.
A minha maior vitória, neste primeiro ano, foi ajudar a colocar estas preocupações no centro da agenda parlamentar, sempre com uma convicção: Lisboa não pode legislar de costas voltadas para os territórios, mas fazendo a ponte com estes, levando ao Hemiciclo as realidades sociais que compõem o país.
NF: Se tivesse de escolher uma única iniciativa, intervenção ou votação nestes primeiros 12 meses que tenha tido um impacto direto para Famalicão e para os famalicenses, qual destacaria e porquê?
SF: Destacaria o trabalho desenvolvido na área da saúde, porque é uma das dimensões em que a vida concreta das pessoas se sente com maior intensidade. Quando falamos de saúde estamos a falar de famílias, de idosos, de crianças, de doentes crónicos, de profissionais de excelência e de cidadãos que precisam de respostas no momento certo.
Famalicão precisa de um SNS forte, mas também de um SNS mais organizado, mais próximo e mais capaz de responder. Por isso, tenho procurado intervir numa lógica muito clara: defender o Serviço Nacional de Saúde, mas sem preconceitos ideológicos; exigir mais eficiência, melhor gestão, mais autonomia e maior articulação entre cuidados de saúde primários, hospitalares, continuados e sociais.
O impacto direto para os famalicenses está precisamente aí: quando defendemos melhores respostas de saúde, estamos a defender qualidade de vida, dignidade, segurança e confiança. E essa é uma causa que não é apenas nacional; é profundamente local.
NF: Nem sempre as diretrizes nacionais dos partidos coincidem com os interesses imediatos da região. Pode dar um exemplo de uma situação em que teve de lutar internamente na sua bancada parlamentar para que as especificidades de Famalicão – seja na indústria, saúde ou transportes – não fossem esquecidas?
SF: A política nacional olha, necessariamente, para o país através de grandes números, numa visão mais geral.
Mas os territórios não são todos iguais. Famalicão, por exemplo, é um concelho com uma forte base industrial, com elevada capacidade exportadora, com muitas PME, com uma rede social e associativa muito ativa, e com necessidades muito concretas em matéria de mobilidade, saúde, habitação e qualificação.
Dentro do Grupo Parlamentar do PSD tenho procurado fazer exatamente esse trabalho de mostrar que as políticas públicas não podem ser desenhadas apenas a partir ou para as grandes centralidades. Uma medida fiscal, uma alteração laboral, uma decisão sobre transportes, uma opção na saúde ou uma linha de financiamento europeu têm efeitos muito concretos em concelhos como Famalicão.
Dou-lhe um exemplo: quando discutimos competitividade, não podemos falar apenas de grandes empresas. Temos de falar das empresas de Famalicão que criam emprego, exportam, inovam, formam trabalhadores e sustentam muitas famílias. Essas empresas precisam de menos burocracia, melhores acessos, energia a preços competitivos, estabilidade fiscal e trabalhadores qualificados.
NF: Apesar das divergências ideológicas que separam o PSD, o PS e o Chega, existiu algum momento ou dossiê neste primeiro ano em que as três deputadas de Famalicão tenham trabalhado em conjunto ou convergido em prol de uma causa local?
SF: A política e os partidos têm muitas diferenças, e é saudável para a democracia que assim seja. Os partidos existem porque têm visões distintas para o país. Mas há matérias em que o território deve estar acima da disputa partidária.
Sempre que estejam em causa interesses estruturais — saúde, mobilidade, investimento público, valorização económica, coesão social, proteção civil ou instituições locais, e por maioria de razão as do Distrito de Braga e do concelho de Famalicão — eu estarei disponível para dialogar com todos os eleitos pelo concelho, procurando salvaguardar o superior interesse e a melhoria da vida das pessoas.
Se houver uma causa local justa, bem fundamentada e importante para os famalicenses, não tenho nenhum problema em trabalhar com as minhas colegas deputadas de outros partidos. Aliás, os cidadãos esperam isso de nós: firmeza nas convicções, mas capacidade de cooperação quando o interesse público o exige.
Famalicão ganha quando os seus representantes sabem distinguir combate político de defesa do território.
NF: Qual será a sua principal “bandeira” legislativa para o próximo ano de mandato para garantir que é uma voz de Famalicão em Lisboa?
SF: A minha principal bandeira legislativa será a de continuar a defender um modelo de desenvolvimento que garanta uma maior competitividade económica, melhores oportunidades para os jovens e mais qualidade de vida para todos os famalicenses.
Continuarei a ser uma voz ativa na promoção de políticas que liguem a saúde, a prevenção e a qualidade de vida, com uma aposta clara na saúde mental, no envelhecimento ativo e na proximidade dos cuidados e serviços públicos.
Ao mesmo tempo, continuarei empenhada em acompanhar matérias importantes para Famalicão, como as acessibilidades, a habitação e o fortalecimento dos serviços públicos de proximidade.
Ser deputada por Famalicão, é uma enorme responsabilidade, que visa garantir que as prioridades de Famalicão têm voz em Lisboa, levando as preocupações reais das pessoas para o centro da decisão política e transformar essas prioridades em soluções concretas.
Nota da redação: O NOTÍCIAS DE FAMALICÃO enviou às três deputadas de Famalicão à Assembleia da República o mesmo conjunto de questões. Além de Sofia Fernandes (PSD), Sandra Lopes (PS) também respondeu e a entrevista pode ler lida aqui. A deputada Lina Pinheiro (Chega) aceitou o convite para a entrevista, mas não respondeu às questões enviadas.


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