Sandra Lopes: “O meu propósito é garantir que o crescimento de Famalicão é acompanhado por um investimento público adequado”

Entrevista com Sandra Lopes, deputada do Partido Socialista à Assembleia da República.

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No dia em que se assinala um ano desde a sua eleição como deputada à Assembleia da República, a famalicense Sandra Lopes (PS), natural de Lousado, faz um balanço do primeiro ano de mandato, fala sobre a sua atuação no Parlamento e traça as prioridades para o próximo ano.

 

NOTÍCIAS DE FAMALICÃO (NF): As eleições de 18 de maio de 2025 ditaram uma representação feminina inédita para Vila Nova de Famalicão. Decorrido quase um ano, qual foi a vitória legislativa de que mais se orgulha e que tem impacto direto para o concelho e a vida dos famalicenses?

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SANDRA LOPES (SL): Decorrido quase um ano de mandato, importa reconhecer que o processo legislativo tem o seu ritmo, o que limita resultados e impactos imediatos. Ainda assim, procurei desde a primeira hora honrar a confiança que os eleitores em mim depositaram, dando voz às prioridades de Vila Nova de Famalicão. Exemplo disso são as questões que coloquei ao Governo sobre a falta de médicos no Centro de Saúde de Lousado, a necessidade de uma solução para a travessia da Lagoncinha e a existência de estudos de impacte ambiental em zonas sensíveis do concelho

Mais recentemente, e na sequência das preocupações apresentadas por órgãos de comunicação social locais, desenvolvemos trabalho no sentido de escrutinar práticas de comunicação institucional, tendo já questionado o Governo sobre esta matéria e estando em preparação uma iniciativa legislativa que visa assegurar uma clara separação entre comunicação institucional e comunicação social.

Em paralelo, tenho desenvolvido um trabalho de proximidade com o território, em articulação com autarcas e ministérios. Mais do que uma medida isolada, destaco este trabalho contínuo de representação, fiscalização e preparação de soluções para os portugueses e para os famalicenses, em particular.

 

NF: Se tivesse de escolher uma única iniciativa, intervenção ou votação nestes primeiros 12 meses que tenha tido um impacto direto para Famalicão e para os famalicenses, qual destacaria e porquê?

SL: Destaco, antes de mais, que o meu papel é o de deputada da nação, trabalhando para o interesse geral, ainda que com atenção particular ao território pelo qual fui eleita. Por outro lado, as decisões nacionais têm sempre tradução local, como é o caso do trabalho que desenvolvo diariamente na Comissão de Educação – seja na defesa de uma escola pública de qualidade, na promoção de uma escola verdadeiramente inclusiva ou na valorização dos diferentes modelos de ensino, incluindo o ensino profissional.

Se tiver de escolher uma iniciativa concreta, sublinharia a apresentação e defesa, em plenário, de um projeto de resolução para atualizar o financiamento das escolas profissionais e de outras com contratos de cooperação, associação e patrocínio. Esta medida é especialmente relevante para Famalicão, onde o ensino profissional tem forte expressão e ligação ao tecido empresarial, sendo essencial para as oportunidades dos jovens.

Paralelamente, tenho acompanhado de perto o setor e trabalhado também, como já referi, na área da transparência na comunicação pública, de forma a garantir uma distinção clara entre comunicação institucional dos municípios e comunicação social. No essencial, procuro que cada intervenção ou iniciativa tenha utilidade concreta na vida das pessoas.

 

NF: Nem sempre as diretrizes nacionais dos partidos coincidem com os interesses imediatos da região. Pode dar um exemplo de uma situação em que teve de lutar internamente na sua bancada parlamentar para que as especificidades de Famalicão (seja na indústria, saúde ou transportes) não fossem esquecidas?

SL: Até ao momento, não tive qualquer situação de conflito entre orientações nacionais e os interesses de Famalicão. Isso também resulta do facto de o Partido Socialista ter um conhecimento profundo do território e da relevância estratégica do concelho, nomeadamente ao nível do seu contributo para o emprego, para as exportações e para o valor acrescentado bruto nacional.

Ainda assim, o trabalho numa bancada parlamentar faz-se muitas vezes de forma menos visível, através de articulação, sensibilização e construção de consensos. Nesse plano, tenho procurado garantir que as especificidades de Famalicão estejam sempre presentes nas discussões internas, seja em matérias ligadas à indústria, à qualificação profissional ou às necessidades ao nível das infraestruturas e serviços públicos.

Mais do que “lutar contra” orientações, aquilo que faço é um trabalho contínuo de valorização do território, contribuindo para que as decisões nacionais tenham em conta realidades locais concretas. Estou convicta de que, sempre que o concelho de Famalicão precisar, encontrará na bancada do Partido Socialista – e em mim em particular – uma voz ativa e empenhada na defesa dos seus interesses.

 

NF: Apesar das divergências ideológicas que separam o PSD, o PS e o Chega, existiu algum momento ou dossiê neste primeiro ano em que as três deputadas de Famalicão tenham trabalhado em conjunto ou convergido em prol de uma causa local?

SL: A relação institucional entre as três deputadas eleitas por Famalicão é cordial e respeitosa, não obstante as diferenças ideológicas que naturalmente nos separam. Não tendo havido ainda uma iniciativa formal conjunta subscrita pelas três deputadas, posso afirmar que todas convergimos na importância de defender projetos estruturantes para Famalicão, nomeadamente em áreas como a saúde, as infraestruturas e a educação, onde há preocupações comuns identificadas no território.

Da minha parte, encaro com total abertura a possibilidade de, sempre que estejam em causa interesses concretos dos famalicenses, podermos trabalhar em conjunto, independentemente das cores partidárias. Aliás, há matérias que pretendo desenvolver futuramente em que procurarei esse diálogo. No essencial, mais do que a divergência política – que é natural e saudável – temos de privilegiar o diálogo para que, nos momentos-chave, possamos colocar Famalicão em primeiro lugar.

 

NF: Qual será a sua principal “bandeira” legislativa para o próximo ano de mandato para garantir que é uma voz de Famalicão em Lisboa?

SL: O meu propósito é continuar a colocar Famalicão como território de referência ao nível da qualidade de vida, da competitividade económica e da coesão territorial, garantindo que o seu crescimento é acompanhado por investimento público adequado. Nesse sentido, há três prioridades muito concretas: a defesa da construção de uma ponte alternativa à Lagoncinha, a requalificação dos postos da GNR de Vila Nova de Famalicão e de Riba de Ave, e a valorização do ensino e da qualificação, com especial atenção ao ensino profissional.

Defendo a construção de uma ponte alternativa à Lagoncinha, uma solução que permita, por um lado, preservar e valorizar este património histórico, potenciando a sua fruição pedonal, e, por outro, melhorar de forma significativa as ligações a Santo Tirso. Esta intervenção será ainda mais relevante face ao impacto esperado da instalação da Medway em Lousado, que exigirá melhores acessibilidades e capacidade de resposta ao aumento de fluxos.

A requalificação dos postos da GNR de Vila Nova de Famalicão e de Riba de Ave, garantindo melhores condições para os profissionais e reforçando a proximidade e eficácia da resposta em matéria de segurança, que é uma dimensão essencial da qualidade de vida das populações.

A valorização do ensino e da qualificação, com especial atenção ao ensino profissional, que tem em Famalicão uma expressão muito relevante e uma ligação direta ao tecido empresarial. Garantir melhores condições para estas instituições é investir no futuro dos jovens e na competitividade da economia local.

Em suma, mais do que trabalhar em medidas isoladas, esta é uma estratégia integrada: criar melhores acessibilidades, reforçar a segurança e apostar na qualificação. É assim que se constrói um concelho mais forte e uma voz firme de Famalicão em Lisboa.

 

Nota da redação: O NOTÍCIAS DE FAMALICÃO enviou às três deputadas de Famalicão à Assembleia da República o mesmo conjunto de questões. Além de Sandra Lopes (PS), Sofia Fernandes (PSD) também respondeu e a entrevista pode ler lida aqui. A deputada Lina Pinheiro (Chega) aceitou o convite para a entrevista, mas não respondeu às questões enviadas.

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