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Vila Nova de Famalicão
Domingo, 31 Agosto 2025
Agostinho Fernandes
Agostinho Fernandes
Agostinho Fernandes foi Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão entre 1983 e 2002, eleito pelo Partido Socialista.

O meu contributo cívico para o futuro de Famalicão

Que as próximas eleições autárquicas sejam um momento de viragem, onde as ideias superem os slogans e os projetos falem mais alto do que os cartazes.

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Agostinho Fernandes
Agostinho Fernandes
Agostinho Fernandes foi Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão entre 1983 e 2002, eleito pelo Partido Socialista.

Famalicão

A cidade e o concelho de Vila Nova de Famalicão merecem mais, muito mais. Com as eleições autárquicas à vista, multiplicam-se os cartazes com sorrisos forçadamente perfeitos e poses ensaiadas, mas as ideias concretas e ajustadas, como os projetos inovadores, seguirão depois, se as houver, sem debate nem participação, que agora é só marketing hollywoodesco eleitoral.

Como cidadão atento e com intervenção pública, e com o conhecimento e a experiência de ter sido presidente da Câmara Municipal durante duas décadas, mas sem qualquer ambição política que não seja a de um cidadão atento, deixo aqui algumas sugestões para a gestão municipal para o quadriénio 2025-2029, num município que cresce a olhos vistos, dispensa os aventureiros e exige competências várias e que já concluiu globalmente grande parte das suas infraestruturas pesadas.

Este é o meu contributo cívico para o futuro de Vila Nova de Famalicão, a terra onde nasci e onde realizei praticamente os meus projetos de vida. A terra que tanto amo e à qual dediquei aqueles que, provavelmente, terão sido os melhores anos da minha existência, entre o ensino e a vida pública, foi mesmo uma escolha determinante e uma opção existencial.

O DESAFIO SOCIAL DA HABITAÇÃO

O futuro de Vila Nova de Famalicão não se constrói apenas com obras de fachada ou slogans eleitorais. É preciso enfrentar os assuntos candentes com coragem e visão. A habitação, por exemplo, continua a ser um dos maiores desafios sociais. Está umbilicalmente ligada à nossa felicidade em viver e, por isso, os sem-abrigo e os migrantes devem ser prioridades também. Famalicão pode ser um caso nacional se se mobilizar para esta frente de problemas que nos vão continuar a preocupar por muito tempo.

Em duas décadas (1980-2001), foram promovidas centenas de habitações com apoio do Estado, cooperativas e privados – como em Joane, Lameiras, Lousado, Gondifelos e Calendário – mas há mais de 20 anos que pouco se vê de novo. A ideia de que “o mercado resolve tudo” é uma falácia. Basta olhar para o escândalo do arrendamento e o aumento dos sem-abrigo, com dezenas de bairros de barracas aparecidos de novo nos arredores de Lisboa.

O mercado só resolve quando é regulado. E a habitação é demasiado importante para ser deixada ao sabor da especulação. O Estado e as autarquias devem intervir com projetos evolutivos e urgentes, aproveitando património municipal – como em antigas escolas primárias esbanjadas – para alojar prioritariamente, famílias carenciadas com dignidade ou erigir creches.

MOBILIDADE E ESTACIONAMENTO

A cidade precisa urgentemente de um parque de estacionamento subterrâneo junto à Fundação Cupertino de Miranda, com capacidade para 300 ou 400 lugares. Quem não percebe isso?… Vai custar muito dinheiro e mais sacrifícios aos nossos comerciantes, mas eles querem-no e precisam dele. Esta infraestrutura resolveria os problemas de estacionamento no centro urbano e revitalizaria o comércio local, sem comprometer os espaços verdes à superfície – tal como se faz em cidades europeias como Bilbao, Helsínquia ou Praga. E mais vale corrigir corajosamente o erro que lamentações e críticas eternas sem eco. Por isso, deve ser feito com urgência.

Outro parque subterrâneo é necessário na área envolvente ao hospital, entre as ruas Pinto de Sousa, Amadeu Mesquita e Avenida Carlos Bacelar. O automóvel reina em Famalicão, mas é tempo de o relegar para o seu devido lugar, libertando a cidade da paisagem de lata que nos sufoca.

Famalicão precisa de parques nos extremos e entradas da cidade para estacionamento de camiões TIR, caravanas, feiras, concertos e grandes eventos. Os parques públicos não devem ser abusados, e cada vila do município precisa também de um espaço multifuncional para atividades diversas: Joane, Riba de Ave e Ribeirão.

Os passeios e pisos da cidade e vilas exigem revisão meticulosa e modernizada. Carrinhos de bebé, cadeiras de rodas e cidadãos com mobilidade reduzida enfrentam obstáculos diários. Mais bancos, mais sombra, mais cultura e mais civismo são urgentes. A cidade precisa de conforto, sensibilidade urbana e fiscalização atenta e transparente. A rua é a maior escola pública em qualquer parte do mundo.

A ciclovia entre a estação da CP e a zona escolar, mal localizada e pouco utilizada, deve ser repensada. Em vez disso, seria mais útil uma ligação ciclável entre o Vinhal e a Póvoa de Varzim. E por que não sonhar com um metropolitano entre Trofa, Famalicão e Póvoa? O futuro exige visão e coragem. Já celebramos os 50 anos do 25 de Abril de 1974 e a democracia nunca faz o pleno, como escreveu Lídia Jorge, há dias.

Mais. É um regime que dificilmente reconhece quem faz bem, mas reconhece muito bem ao nível autárquico quem faz mal ou pior, prometendo melhor futuro depois de contar 20 anos de vereador apagado e quatro de Presidente que não sabe ou quer arregaçar as mangas, valendo-nos o alto grau de empreendedorismo que temos e a nossa tradição industrial de peso e mão de obra qualificada.

PLANEAMENTO, TRANSPARÊNCIA E PARTICIPAÇÃO

O planeamento urbano deve ser debatido e plural, transparente e participado. É essencial envolver autarcas, técnicos, associações, proprietários, empresas e instituições locais. Nada de negociatas nem intermediários obscuros. A cidade merece projetos sérios, com concursos públicos abertos e construtores experientes, e não soluções improvisadas que apenas servem interesses privados ocasionais e partidários, gente pouco séria, em geral, e em que se juntam a fome e a vontade de comer.

A zona nascente da cidade – Moço Morto, Cemitério Municipal, Devesa – e a área mais a sul – Ribaínho, Meães, Alto da Vitória e Lousado – precisam de um corredor viário urgente e rápido que alivie o tráfego nas principais vias de entrada e saída, como a EN206 e a EN14, onde as filas já se estendem até à Cruz de Pelo.

A cidade de Vila Nova de Famalicão está em expansão, e com ela cresce a necessidade de planeamento circular e estratégico, investimento em equipamentos públicos e uma gestão municipal mais eficiente, dialogante e transparente.

A zona norte, onde nasceu a velha Vila Nova e a cidade – Mões, Talvai, Sinçães Norte, Gavião – apresenta-se como o território natural para o crescimento urbano, por ser mais elevado, arejado e saudável. Prestigiados e premiados urbanistas/arquitetos como Nuno Portas, falecido infelizmente há poucos dias, Noé Dinis, Manuel Ferreira, Fernandes de Sá e o mestre Siza sempre defenderam e sustentaram esta orientação. E o que se vem observando aceleradamente extramuros da convencional Devesa é altamente preocupante e já cheira a “gueto”, mas ao contrário: condomínio fechado para defender os mais sortudos (?…) dos bárbaros do exterior. Não é assim que se trabalha: projetos há que voam e outros nunca saem do papel. Menos clientelismo e mais profissionalismo e rigor no planeamento e gestão. E mais respeito pelo cidadão também.

Impõe-se, entretanto, a construção de um pavilhão de congressos e polivalente, amostras ou multiusos digno na zona norte da cidade e do concelho, podendo ser também a sul da mesma, atentos os eixos viários principais e o problema automóvel e seu aparcamento.

O comércio tradicional deve ser protegido e incentivado, que lojas seculares já existem, mesmo perante a concorrência feroz das grandes superfícies que já abundam. Toda a gente sabe disso, sem falar em dispersas pelo território municipal. Cidades como Madrid, Barcelona ou Londres mostram que é possível manter um tecido comercial local tradicional robusto e vibrante.

Outras propostas estruturantes incluem: 1) o prolongamento da VIM desde Joane até aos arredores de Braga (Veiga de Penso/Lomar); 2) uma nova variante entre Vermoim, Mogege e Silvares/Guimarães e a reabilitação do histórico Externato Delfim Ferreira, com fins sociais como clínica, lar geriátrico de qualidade ou até colégio ou museu têxtil em homenagem a Narciso Ferreira, destino óbvio e natural. Continuar assim é que não. Basta o almejado cemitério, em espera há anos largos.

As zonas ribeirinhas do rio Pele – de Joane a S. Miguel de Ceide em lugar de pouco siso como a do Pelhe por S. Martinho do Vale, parque municipal da Devesa, Esmeriz – merecem atenção especial. O rio Pelhe, único curso de água que nasce e desagua no concelho, adquirido na sua nascente pela Câmara Municipal há cerca de 30 anos, é um património natural que deve ser protegido e valorizado, com espaços verdes, trilhos e zonas de lazer.

A poluição dos cursos de água exige tolerância zero: é preciso fiscalização rigorosa, cobrança de infrações e menos burocracia digital – mais ação no terreno e menos títulos na imprensa, que ela toda deve ser plural e livre, respeitada e tratada com igualdade. São todos parceiros da democracia.

Pateiras do Ave.
Pateiras do Ave. Fotografia DR/CMVNF

O caso das Pateiras do Ave, na freguesia de Fradelos, exige esclarecimento e inversão radical. A zona, rica em potencial agrícola e paisagístico, merece um museu dedicado à agricultura minhota – e não a ocupação desregrada a ferir a paisagem. Basta olhar as margens do Ave do lado da jovem Trofa e verificar as profundas diferenças entre nós.

Muitos prédios da cidade precisam de obras obrigatórias em telhados e fachadas. Um simples edital, com base no Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU), pode mobilizar condomínios e devolver espaços com dignidade urbana, impondo-se essa ação reabilitante e pedagógica urgente. Há edifícios na cidade que são como rostos iluminados entre nós e merecem atenção mais que urgente, mas é preciso que as urgências funcionem na saúde ou na pólis.

INFRAESTRUTURAS DESPORTIVAS E CULTURAIS

A área escolar e desportiva da cidade, consagrada desde o primeiro plano de urbanização da vila (1945-1948), em cima da segunda guerra mundial, não pode continuar a ser sobrecarregada com intervenções improvisadas. Álvaro Marques ou Arménio Losa e, mais tarde, Lúcio Miranda, ficariam abismados com a ausência de rumo urbanístico perdido e nada claro nos tempos de hoje.

O estádio municipal precisa de uma renovação profunda – não de delírios nem de arrasos. Um novo estádio, moderno e funcional, pode elevar o espírito cívico e apoiar a equipa azul famalicense com segurança e conforto. O desporto, como a música, a dança e a leitura, é essencial para a doçura citadina. Mens sana in corpore sano.

É urgente construir novas piscinas na cidade a norte e pavilhões desportivos/piscinas em freguesias como Louro, Nine, Vale S. Cosme e Landim. Estes equipamentos são essenciais para responder à crescente procura e para garantir que Famalicão se mantém competitivo face aos municípios mais empreendedores da região. Famalicão não pode ficar atrás dos concelhos mais destacados no quadrilátero urbano de que fazemos parte.

Deixo outras pistas para o futuro: porque não sonhar com uma lagoa a meio do rio Este, a norte da ponte de S. Veríssimo em Cavalões, ou com um aproveitamento turístico e ambiental em Penices ou do parque de campismo em Gondifelos? Um campo de golf em S. Martinho do Vale, serpenteando o Pelhe, desde Aldeia Nova/S. Tiago da Cruz às traseiras do mosteiro das Clarissas?… São ideias que valorizam o território e promovem o lazer e o contacto com a natureza e com o nosso rio.

GESTÃO MUNICIPAL: EFICIÊNCIA E TRANSPARÊNCIA

Famalicão dispõe de um orçamento robusto, mas a sua gestão exige rigor. O número de funcionários municipais ultrapassa os 1.950 – mais do dobro do que existia há 20 anos. Este crescimento descontrolado levanta questões sobre eficiência, transparência e meritocracia. Há relatos de avençados em teletrabalho cuja função é desconhecida, e outros que parecem servir mais os interesses partidários do que os da população. São mais de 20 milhões de euros/mês. Leram… e ouviram bem?!…Haverá Câmaras Municipais neste país que não arrecadam isso por ano!

A partidarização da máquina autárquica é um problema sério, escandaloso e no limite. É preciso cortar com o vício da dependência política, da miragem do poder pessoal e eterno, Promover concursos públicos justos e valorizar quadros qualificados. Os cidadãos são todos munícipes iguais e merecem igual respeito e tratamento. As novas tecnologias exigem competências específicas, não excesso de meios humanos. Com inteligência na gestão de fundos europeus e parcerias bem desenhadas, é possível fazer muito mais com menos. Exige-se quem faça mais e melhor é mais que possível.

SAÚDE, PESSOAS E EQUIPAMENTOS PÚBLICOS

A requalificação e ampliação do hospital é urgente, mas não pode comprometer os terrenos disponíveis nas suas proximidades com mais comércio e estacionamento a não ser que VNF. e Santo Tirso se entendam no planeamento. O que falta é um novo pavilhão municipal de desportos nos arredores – o atual tem mais de 50 anos e está obsoleto. O râguebi, o atletismo e outras modalidades merecem instalações à altura da ambição das camadas jovens.

O destino do Seminário dos Combonianos deve ser acompanhado de perto e desde já. Pode ser uma alavanca forte e séria para resolver problemas de habitação, turismo, cultura ou logística urbana. O mesmo se aplica à antiga Cegonheira, que hoje acolhe apenas a Artave. E a Cior, a Forave e o ensino profissional voltado para as empresas? A Arteduca, apesar de condecorada, continua ignorada e sem apoios adequados. É preciso evitar que a cultura se transforme numa coutada elitista – a cidade merece uma política cultural plural e inclusiva.

Um plano de urbanização pormenorizado ao metro detalhado já devia estar em marcha acelerada em freguesias como Nine, Ribeirão, Lousado, Joane, Vermoim, Riba de Ave, Bairro e Landim – zonas estratégicas de entrada e saída de autoestradas e com parques industriais como Jesufrei e Castelões. A política do betão pode estar superada, mas há muito por fazer em matéria de creches, escolas, espaços lúdicos e atividades para os mais velhos. Dormir e comer não basta – é preciso ocupar a mente e o corpo com dignidade.

Porque não levar os seniores à beira-mar até outubro/novembro, criar pequenas bibliotecas, jogos de mesa, jacuzzis, cinema, matraquilhos e ténis de mesa nos bairros e centros comunitários? Por trás de cada idoso está uma história de trabalho, sacrifício e resiliência que merece respeito e atenção… que ninguém escolhe o lugar e o tempo de nascer.

FREGUESIAS: OUVIR TODAS… INVESTIR E CUIDAR

Famalicão tem 49 comunidades – e todas continuam a existir, como diria Galileu. É essencial ouvir os autarcas das freguesias e as populações, porque há muito por concretizar: habitação, água, saneamento, vias, passeios, escolas, creches, transportes e saúde. As necessidades básicas ainda tardam em muitas zonas.

É urgente renovar estradas e caminhos municipais, dotá-los de passeios, iluminação e sinalização. Acabar com cangostas, veredas perigosas, pontes derrubadas e caminhos sem segurança. Um novo plano geral rodoviário é essencial – sem passagens de nível pedonais improvisadas nem trotinetes descontroladas, que são uma ameaça para os mais velhos.

SUSTENTABILIDADE, MEMÓRIA E IDENTIDADE

Por entre os muitos desafios que Vila Nova de Famalicão enfrenta, há temas que estão na mira de todos e exigem ação imediata. A transição energética, por exemplo, não pode continuar a justificar o abate irracional de árvores e a destruição de áreas verdes.

As instalações fotovoltaicas devem ser colocadas em zonas já impermeabilizadas – como os telhados de fábricas, parques industriais e edifícios públicos. O edifício da Câmara Municipal devia ser exemplo nesse sentido. O sol é democrático: bafeja todos, e não deve ser desculpa para ferir a paisagem.

A memória coletiva também merece respeito. A acácia do Jorge, o carvalho atrás do antigo tribunal, a árvore do Nobel e a romãzeira florida no belo jardim de Januário Godinho e com frutos – são símbolos vivos da nossa história e identidade. A bandeira do município exibe romãs, mas onde estão elas na cidade? A natureza é cultura, e a cultura é respeito.

à frente vê-se a árvore conhecida como Acácia do Jorge e atrás da árvore a casa de Camilo.

A comissão de honra aprovou uma memória dos 50 anos do 25 de Abril entre nós, mas não sei se há fumo por entre tanta festa, que quanto ao bicentenário de Camilo foi muito mais bem agarrado por dezenas de municípios e regiões do País e elites, que não entre nós e para nossa vergonha. É o que penso, mas vou provar o que escrevi. Por outro lado, o bom senso impõe a aquisição imediata da faixa de terreno belamente arborizado e da casa sufragânea e próxima da BM.CCB e da antiga quinta de Sinçães à sua entidade proprietária atual. Só não vê quem quer.

A investigação arqueológica no concelho parece ter estagnado. Locais como Jesufrei, Gondifelos, Delães, Perrelos, Pedra Formosa e Monte das Eiras merecem atenção. A democratização da cultura não pode esgotar-se nem o estudo aturado do nosso passado. A Casa das Artes, apesar de elogiada, precisa de elevar o seu repertório e acolher produções sinfónicas de qualidade, aproveitando o talento musical e teatral local.

ÁGUA, RESÍDUOS E UM DESAFIO SOCIAL

A chegada da água à cidade, vinda de Areias de Vilar (Barcelos) a 6 de maio de 1996, foi um marco histórico. Sem ela, Famalicão não seria o que é hoje – o terceiro concelho mais exportador do país. A data merece ser assinalada, talvez numa fonte entre as ruas Narciso Ferreira, Alves Roçadas e S. João de Deus. Foi uma obra ciclópica, decidida no gabinete da Presidência da Câmara, com figuras como Vieira de Carvalho, Manuel Vaz, Valente de Oliveira e Elisa Ferreira. Repito… foi o problema mais importante e transcendente que me coube ajudar tenazmente a resolver em termos de VNF e região do Vale do Ave em quase 20 anos de governação local e demorou muito mais tempo a chegar que os longos 10 anos da Guerra de Tróia da antiguidade!

Mas ainda há zonas sem abastecimento pleno. E a gestão de resíduos continua a enfrentar impunidades, com lixo queimado em locais isolados. A fiscalização tem de ser constante e eficaz.

Um desafio final em nome da justiça social. Fica a proposta: que a Câmara Municipal consigne 1 milhão de euros anuais – poupando em festejos supérfluos ou na receita mal explicada do estacionamento – e o entregue à Associação Dar as Mãos. Com esse valor, seria possível apoiar 250 famílias por mês com parte da renda de casa, distribuídas pelas freguesias. É preciso mais trabalho e dedicação, mais compaixão e mais justiça social e nunca, mas nunca, se justificariam tantos senhores vereadores a tempo inteiro desde 2001 até hoje, como se sabe: um verdadeiro banquete à rei Baltazar! E de que são já até percetíveis alguns dos seus frutos. Fantástico, Mike!…

CINCO IDEIAS A RETER

1 – Vivemos tempos de degradação humana acelerada, num mundo dominado por bilionários excêntricos e fora das leis. Mas há sempre espaço para sonhar, para agir e para contribuir. Como disse o Papa Francisco, no Encontro Mundial da Juventude, em Lisboa: ninguém deve ser excluído. Que os candidatos autárquicos assumam essa missão com humildade, audácia e uma pitada de loucura criativa.

2 – Famalicão tem tudo para ser uma cidade modelo: centralidade estratégica, capacidade de atrair investimento e uma comunidade criativa e empreendedora. Mas para isso, é preciso coragem, pragmatismo e lucidez. Que as próximas eleições sejam mais do que um desfile de vaidades. Que sejam um momento de verdadeira escolha e compromisso com o futuro e em que os eleitores mais jovens não podem assobiar para o lado…

3 – As vilas do concelho e as freguesias merecem mais do que foguetório: precisam de propostas com futuro, redes viárias funcionais e soluções efetivas de equipamentos e apoios…

4 – Famalicão tem potencial para ser uma referência nacional em urbanismo, ambiente e gestão pública. Mas para isso, é preciso coragem política, visão estratégica e compromisso com o bem comum. Que as próximas eleições autárquicas sejam um momento de viragem, onde as ideias superem os slogans e os projetos falem mais alto do que os cartazes. Apesar do bombardeamento diário dos sucessos e novidades em cartaz e redes sociais não reconhecemos capacidades na equipa atual para nela confiarmos.

5 – Famalicão tem os recursos, a centralidade e a capacidade para ser um exemplo nacional de desenvolvimento equilibrado. Mas para isso, é preciso ouvir, planear e agir com inteligência e respeito pelas pessoas. O futuro não se constrói com slogans – constrói-se com projetos sérios e compromisso com o bem comum, a bem de todos, mas todos os cidadãos! A democracia assim o impõe, exige, espera… E bom é que cumpra os compromissos que sela com os seus concidadãos.

 

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Agostinho Fernandes foi Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão entre 1983 e 2002, eleito pelo Partido Socialista.
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