Democracia ou Populismo: o dilema presidencial

As presidenciais não são uma escolha entre partidos, mas sim entre personalidades. O ato eleitoral não é uma disputa entre o Chega e o Partido Socialista, mas sim entre AV e AJS.

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Domingo muitos irão às urnas. Passados oito dias, a esmagadora maioria segui-los-á.

No recato da cabine de voto, a ponta da esferográfica registará, de forma indelével, a vontade do eleitor.

Após uma primeira volta onde obteve uma vitória inequívoca, fruto de uma campanha serena, limpa e sem polémicas, António José Seguro (AJS) discutirá a presidência com André Ventura (AV).

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AJS apresenta-se ao eleitorado com alguns “defeitos” que lhe foram apontados, mas que colheram o apoio dos portugueses. As qualidades insossas e maçadoras que lhe atribuíram – como a sensatez, a moderação, o equilíbrio, a urbanidade, a simpatia e a decência – calaram fundo na decisão dos seus concidadãos.

Conseguiu uma vitória unipessoal. Arriscou, avançou e venceu. A exclusividade da vitória permite-lhe estar livre para o exercício do mandato. Não deve nada a ninguém!

As presidenciais não são uma escolha entre partidos, mas sim entre personalidades. O ato eleitoral não é uma disputa entre o Chega (CH) e o Partido Socialista (PS), mas sim entre AV e AJS.

Nos pratos da balança da decisão estarão tranquilidade, serenidade, ponderação e sobriedade versus perturbação, agitação, exaltação e descaramento. Decidiremos entre o binómio democracia e autocracia, entre o socialismo democrático e a direita radical. Entre um socialista da ala mais à direita do PS e um populista e demagogo.

Para lá dos resultados, existem uma série de outras questões que influenciarão os próximos tempos. Conseguirá AV, face aos resultados, reivindicar o estatuto de líder da direita? Montenegro (LM), ao assumir a posição de espetador em cima do muro, abdicou da liderança à direita do PS. O pecado capital da acédia cometido na noite eleitoral poderá ser mortal. LM assobia para o lado, espera tranquilo a vitória de AJS, mas terá AV a morder-lhe os calcanhares e a tentar liderar o seu espaço, já pulverizado pelo CH e pela Iniciativa Liberal. O taticismo sobrepôs-se ao “não é não”. Veremos no que dará…

Não existindo surpresas, AJS será o próximo Presidente, mas o seguro morreu de velho (ainda bem)!

 

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