Engenho celebra 32 anos com cultura, solidariedade e apelo a um “novo olhar”

O aniversário serviu de mote para agraciar e distinguir a dedicação dos trabalhadores com uma carreira mais longa.

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Associação Engenho celebra 32 anos com cultura, solidariedade e apelos

 

A Engenho – Associação de Desenvolvimento Local do Vale do Este celebrou, no dia 30 de maio o seu 32º aniversário com uma sessão solene que ficou marcada pelo reconhecimento do passado, pelo reforço das parcerias locais e por um forte apelo à reforma legislativa e à sustentabilidade das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) no atual contexto demográfico.

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Fundada oficialmente a 27 de maio de 1994, a partir de um compromisso coletivo focado no desenvolvimento comunitário, a Engenho cresceu significativamente ao longo das últimas três décadas. Atualmente, a instituição presta apoio direto a cerca de 300 utentes através de diversas valências e empregando quase 100 colaboradores.

“PINTAR POR UMA CAUSA”

A Engenho lançou, nesta sessão solene a primeira edição da iniciativa solidária “Pintar por uma Causa” assumindo o “objetivo de se abrir cada vez mais à cultura, à terra e à sua história”. O projeto reuniu um grupo de 11 artistas e pintores amadores –  Amélia Pereira, David Lopes, Fernando Fernandes, Filomena Fonseca, Lurdes Rodrigues, Madalena Macedo, Maria de Brito, Maria José Pinto, Mariana Ferreira, Pierre-Michel de Keyn e Rosário Pedro – que criou obras ao vivo ao som de momentos musicais e de declamação de poesia por Maria Simões e Filomena Fonseca.

Os quadros desenvolvidos integrarão, a curto prazo, uma exposição pública, sendo que as receitas resultantes reverterão integralmente a favor dos projetos e iniciativas sociais desenvolvidos pela Engenho.

LEI DE BASES DA ECONOMIA SOCIAL

No plano institucional, as comemorações serviram para lançar uma reflexão sobre os desafios do envelhecimento populacional e o isolamento dos idosos. No seu discurso, Manuel Augusto de Araújo, presidente da direção da Engenho, sublinhou a importância do trabalho em rede estabelecido desde a génese da associação com o Município de Vila Nova de Famalicão, as juntas de freguesia e o tecido empresarial, mas alertou para a necessidade de um “novo olhar” por parte dos poderes instituídos.

O dirigente defendeu que a Lei de Bases da Economia Social, que remonta a 2013, necessita urgentemente de ser regulamentada e adaptada à realidade atual. “Este tempo exige um enquadramento jurídico ajustado às realidades que as instituições e as comunidades enfrentam. Há aqui grandes problemas, desde logo um que passa despercebido, que tem a ver com o envelhecimento da população, isolamento de idosos, que são grupos cada vez mais vulneráveis. A esperança média de vida aumentou, de facto, mas a esperança média de vida não tem tido acompanhamento de qualidade de vida. Há idosos ainda isolados, há idosos em solidão”, alertou Manuel Augusto de Araújo.

Na sua intervenção o responsável defendeu ainda a revisão das carreiras profissionais e dos salários dos trabalhadores do setor social, cujo trabalho descreveu como “altamente exigente a nível físico e emocional”. “É importante que estes trabalhadores vejam as suas carreiras profissionais reconhecidas, os seus salários ajustados ao trabalho que fazem”.

“Está-se num tempo em que, mais do que nunca, as Instituições Particulares de Solidariedade Social merecem, de uma vez por todas, por parte dos poderes instituídos, terem um reconhecimento tendo em conta a sua importância, no sentido de dar respostas emergentes e rápidas à população”.

Manuel Augusto de Araújo nāo esqueceu os empresários presentes na cerimónia e todos os que têm sido verdadeiros parceiros no projeto da instituição, e que colocam em prática uma real responsabilidade social.

O posicionamento de valorização do trabalho das IPSS foi corroborado pelo diretor do Centro Distrital de Braga do Instituto da Segurança Social, João Ferreira, que destacou a qualidade dos serviços prestados pela Engenho através dos acordos de cooperação, que abrangem desde a infância até à terceira idade. João Ferreira apontou que o futuro das políticas sociais passa pela aposta em novas respostas que evitem a institucionalização precoce, mantendo as pessoas nas suas próprias casas através de projetos inovadores voltados para a saúde e proximidade.

Por sua vez, a vereadora da Solidariedade Social da Câmara de Famalicão, Susana Pereira, reafirmou o orgulho do município em ter no território instituições com o dinamismo da Engenho, cujo trabalho contribui diretamente para a coesão social e territorial, garantindo a continuidade do apoio municipal a estas respostas essenciais.

Como já é tradição na instituição, o aniversário serviu de mote para agraciar e distinguir a dedicação dos trabalhadores com uma carreira mais longa. Este ano, as colaboradoras Maria Amélia Costa, Josefina Pinto e Natália Rodrigues foram distinguidas ao completarem 25 anos de serviço contínuo e dedicação à Engenho.

O dia festivo ficou também marcado pela inauguração de uma nova carrinha adaptada, um equipamento essencial para reforçar o apoio logístico e a proximidade das respostas sociais que a associação assegura diariamente à comunidade.

No final cantaram-se os parabéns e cortou-se o bolo de aniversário.

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