Carlos Figueiredo distinguido pela Ordem dos Farmacêuticos no Porto

A Secção Regional do Norte da Ordem dos Farmacêuticos distinguiu Carlos Figueiredo, fundador da Farmácia Gavião, pelas mais de quatro décadas de liderança, associativismo e intervenção cívica.

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Carlos Jorge Figueiredo, farmacêutico e figura de referência em Vila Nova de Famalicão, foi distinguido pela Secção Regional do Norte da Ordem dos Farmacêuticos na cerimónia que assinalou o “Dia da Secção Regional Norte”, realizada no passado dia 20 de junho, no Porto.

A iniciativa, instituída pela direção regional da Ordem dos Farmacêuticos, pretende valorizar o papel dos farmacêuticos na sociedade e distinguir profissionais cujo impacto vai além do balcão da farmácia. Carlos Figueiredo foi um dos seis homenageados numa cerimónia que combinou reconhecimento profissional, cultura e convívio.

Na homenagem a Carlos Figueiredo, a Ordem dos Farmacêuticos reconheceu “um percurso marcado pela liderança, pelo associativismo e pela intervenção cívica”, destacando que “ao longo de décadas, contribuiu ativamente para a valorização da profissão, com especial destaque para a mobilização das novas gerações de farmacêuticos e para a criação de estruturas associativas relevantes”.

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O percurso de Carlos Jorge Figueiredo começa em Anadia, numa infância entregue aos cuidados da avó enquanto os pais emigravam para França. Foi o primeiro da família a chegar à universidade, licenciando-se em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Coimbra, onde cofundou a Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos (APJF), estrutura que contribuiu decisivamente para a valorização da profissão em Portugal e da qual foi o primeiro presidente.

Antes de se fixar em Famalicão, passou ainda pelo serviço público como diretor regional de Braga do Instituto Português da Juventude. Em 2003, abriu a Farmácia Gavião, então na Rua 20 de Junho, na freguesia de Gavião, e que, em 2009, se instalou na Avenida Eng. Pinheiro Braga, em Vila Nova de Famalicão, junto à Rotunda de Santo António. Hoje, a farmácia conta com uma equipa formada por uma dezena de profissionais.

Para Carlos Figueiredo, o trabalho quotidiano sempre foi inseparável de uma missão mais ampla: “Mais que lidar com medicamentos, lidamos com pessoas. Temos um papel social muito importante, principalmente no apoio às pessoas mais idosas, que muitas vezes precisam de conversar e nos procuram na farmácia ou por telefone”, afirmou, em entrevista publicada pelo Notícias de Famalicão [ver entrevista “Temos um papel social muito importante, principalmente no apoio às pessoas mais idosas”].

Esse envolvimento comunitário concretizou-se também em gestos como a doação de medicamentos a refugiados ucranianos na Polónia, no início da guerra, e na adoção de medidas de redução do consumo energético.

UM LIVRO QUE É “TESTEMUNHO DE VIDA”

A trajetória de Carlos Figueiredo foi recentemente vertida em livro. “Testemunho de Cidadania”, autobiografia escrita pelo jornalista e consultor de comunicação Luís Paulo Rodrigues, foi apresentada em maio do ano passado no auditório da Fundação Cupertino de Miranda, em Famalicão [ver notícia Carlos Jorge Figueiredo conta em livro como valorizou a profissão de farmacêutico em Portugal].

A obra, que a sinopse descreve como o retrato de “um português comum com uma história de vida extraordinária, dividida entre Anadia, Coimbra e Vila Nova de Famalicão”, conta com prefácio de Álvaro Beleza, presidente da Sedes, e posfácio do jurista Mário Frota, além de testemunhos da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e de antigos colegas da Universidade de Coimbra.

Carlos Jorge Figueiredo com Luís Paulo Rodrigues, autor do livro “Testemunho de Cidadania”.

“Olhando para trás, tenho motivos para celebrar mais de 40 anos de cidadania e de ativismo político e social”, escreveu Figueiredo, acrescentando que contar a sua história é “partilhar um testemunho de vida” que espera sirva “de legado inspirador para as novas gerações”.

A distinção agora atribuída pela Ordem dos Farmacêuticos surge, assim, como um reconhecimento institucional de um percurso que – entre a farmácia de bairro, o associativismo universitário e o serviço público – nunca deixou de ter como centro as pessoas.

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