Não interessa o nome, o que importa é o fim

Criar um novo canal, manter o velho, ou fazer melhoramentos (uma vez mais não interessa o nome, mas o fim) financiado pelo erário público, sem pluralismo informativo e independência editorial, resulta numa democracia local empobrecida.

Comentários

2 min de leitura

O lançamento de um suporte de informação seja jornal/boletim/panfleto/caderneta de cromos tem um fim específico, e não interessa o nome que lhe damos. E a questão é esta, qual o fim do “efe”? O executivo PSD/CDS usa meios públicos para propaganda política?

A autarquia rejeita qualquer acusação de concorrência desleal. Outra coisa não seria de esperar. Estranho seria Mário Passos admitir que usa erário público para fazer “concorrência” a qualquer órgão de comunicação social.

Queria deixar claro a minha posição. Qualquer autarquia deve informar os seus munícipes sobre assuntos relevantes para a comunidade. Pena é que este executivo tenha há muito esquecido (duvido que tenha alguma vez conhecido) a diferença entre relevante/irrelevante, entre interesse público/interesse privado. Vejamos alguns exemplos.

- Publicidade -

Falta de habitação pública; aumento das vítimas de violência doméstica; destruição hortas no parque da Devesa; aprovação da instalação central fotovoltaica em Gemunde,Outiz; apoio à destruição de reserva ecológica nacional em Oliveira Santa Maria; descargas para o rio Pelhe; abate sistemático de árvores; milhões enterrados no centro da cidade que resultou num caos autêntico; …… penso que já dá para termos uma perspetiva sobre o que é interesse público e o que não é. E sobre a discussão pública que não se faz.

Sobre esta questão específica e o seu impacto na comunicação social, fui ao baú das lembranças, e dos registos (facilidades da era tecnológica).

Há sensivelmente 4 anos, Mário Passos foi questionado sobre um concurso público para atribuição de verbas para os Órgãos de Comunicação Social locais. Resposta que nunca deu. E tema que muitos ignoraram.

O que se passou há 4 anos (e antes destes, outros casos existiram) revela uma tendência. E revela as consequências.

Recordo um artigo de opinião que escrevi na altura, intitulado “Amordaçar a Imprensa em Vila Nova de Famalicão”. Um jornal local que já não existe. Hoje, outros jornais, com múltiplas dificuldades tentam manter vivos direitos fundamentais da nossa sociedade. Direito à informação, liberdade de imprensa, escrutínio público, direito contraditório, transparência informativa, independência e imparcialidade…..

Criar um novo canal, manter o velho, ou fazer melhoramentos (uma vez mais não interessa o nome, mas o fim) financiado pelo erário público, sem pluralismo informativo e independência editorial, resulta numa democracia local empobrecida. Mas condicionar o acesso a apoios financeiros também. Valha-nos o Carnaval, o Natal, e as Antoninas…

 

____________________

Os artigos de opinião publicados no NOTÍCIAS DE FAMALICÃO são de exclusiva responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

Comentários

Notícia anterior

PCP contacta trabalhadores e apela à participação na manifestação da CGTP

Notícia seguinte

Quando um Boletim se disfarça de Jornal 

- Publicidade -
O conteúdo de Notícias de Famalicão está protegido.