Dois ex-autarcas da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e uma técnica municipal estão a ser julgados no Tribunal de Braga pelo crime de “recebimento indevido de vantagem” por terem aceite ir, em 2015, à Turquia, com despesas pagas, a convite de uma empresa de informática. A viagem aconteceu durante o primeiro mandato de Paulo Cunha.
No que diz respeito ao Município de Vila Nova de Famalicão estão a ser julgados Ricardo Mendes (à época dos factos vice-presidente da autarquia), Pedro Sena (na altura vereador do Ambiente), ambos do CDS, e uma arquiteta do departamento de Urbanismo. No total, o julgamento tem 20 arguidos entre ex-autarcas e técnicos camarários.
São acusados do crime de “recebimento indevido de vantagem” por terem participado numa viagem à Turquia, com as despesas a terem sido “totalmente suportadas” pela empresa Ano – Sistemas de Informação e Serviços, fornecedora do município famalicense. O empresário Manuel Amorim, sócio-gerente da empresa e residente no concelho de Famalicão, também está a ser julgado.
O Ministério Público pede como pena a perda de mandato de Ricardo Mendes, além do pagamento de uma multa. A Pedro Sena e à funcionária municipal, o Ministério Público pede o pagamento de uma multa. O valor da multa é de 885 euros.

“Não cometi crime nenhum. Fui naquela viagem, mas não fui em representação da Câmara Municipal. Estava de férias e fui convidado na qualidade de utilizador da nova plataforma informática que a autarquia iria utilizar”, afirmou Ricardo Mendes, em declarações ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, em 2021, altura em que foi constituído arguido. O antigo vereador Pedro Sena, também ouvido pelo NOTÍCIAS DE FAMALICÃO na altura, afirmou estar “de consciência tranquila”. [ver notícia Vice-presidente da Câmara de Famalicão pode perder o mandato. Vereador também acusado].
Além dos autarcas de Vila Nova de Famalicão, “foram também convidados e participaram na viagem vários elementos de outros” 15 municípios, além de membros da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela e de empresas municipais de Almada (ECALMA) e de Guimarães (VIMÁGUA).
O jornal O MINHO avança que o julgamento já vai ter a quinta audiência e que a acusação alega que a empresa Ano elaborou plano para influenciar e aliciar as vontades dos envolvidos através de uma viagem sem despesas para os participantes e com estadia em hotel de luxo com vista para a zona histórica de Istambul.


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