O Parque de São Miguel-o-Anjo, inaugurado no passado sábado, 25 de julho, na União de Freguesias de Famalicão e Calendário, conta com cerca de 15 hectares e resulta de um conjunto de obras de valorização no Monte e Castro de São Miguel-o-Anjo.
Os trabalhos contemplaram o reperfilamento de caminhos já existentes, a criação de três miradouros – Miradouro da Fertilidade, Miradouro dos Vales e Miradouro de Vila Nova – e de novos percursos pedonais interpretativos e de contemplação, a instalação de passadiços metálicos em ferro e a criação de uma área de repouso, lazer e de atividades ao ar livre, de forma a promover a prática desportiva e o contacto com a natureza.
Em comunicado, a Câmara Municipal refere que a intervenção foi “projetada para ser minimalista, respeitando os vestígios arqueológicos e os valores naturais e paisagísticos existentes” e representa um investimento de cerca de 390 mil euros (com financiamento do programa NORTE 2030). O presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, fala num espaço “único e diferenciador” em todo o concelho.
Os vestígios arqueológicos encontrados revelam que o Monte de São Miguel-o-Anjo foi habitado desde a Idade do Bronze, há cerca de 3 mil anos. Mais tarde, durante a Idade do Ferro, ergueu-se aqui um pequeno castro, um povoado fortificado construído para proteger a comunidade e os seus bens.
Com a chegada dos romanos, o espaço terá sofrido algumas transformações, mas seria na Idade Média que voltaria a assumir um papel de destaque, com funções estratégicas de vigilância sobre a paisagem envolvente. Por volta de 1894, sabe-se que foi alvo de uma “exploração”, mas só na década de 1980 foi identificado e o seu valor arqueológico reconhecido, levando à sua classificação como Imóvel de Interesse Público em 1990, passo essencial para a sua preservação.


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