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Domingo, 9 Maio 2021
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Tabu da recandidatura de Paulo Cunha agita coligação PSD-CDS em Famalicão

A recandidatura de Paulo Cunha à Câmara de Famalicão é assunto tabu na coligação PSD-CDS. Nos dois partidos de direita cresce a impaciência e já há nomes para a sucessão.

4 min de leitura
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Famalicão

Tabu desfeito. Paulo Cunha não é candidato e deixa Famalicão em Outubro

A decisão do autarca foi oficializada esta semana numa reunião com os vereadores da coligação PSD-CDS.

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Em 1994, o então primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva lançou a palavra “tabu” na política portuguesa ao responder a um jornalista que o assunto da sua recandidatura à presidência do PSD num congresso que iria realizar-se dali a alguns meses de distância era “tabu”.

E o “tabu” de Cavaco manteve-se até ao momento de apresentar as candidaturas. Depois de duas maiorias absolutas consecutivas, foi aí que o PSD ficou órgão da liderança cavaquista e acabou por perder as eleições legislativas para o PS de António Guterres.

Desde então, diz-se que um político tem um tabu quando procura adiar uma decisão importante, como o anúncio de uma candidatura a qualquer eleição.

Em Vila Nova de Famalicão, a questão da recandidatura de Paulo Cunha a um terceiro mandato na Câmara Municipal está transformado no grande tabu das eleições autárquicas deste ano.

Imagem do plenário do PSD de Famalicão que decorreu na plataforma Zoom. Fotografia DR-PSDVNF

O PSD famalicense esteve reunido na semana finda em plenário de militantes, aprovou apenas com um voto contra o acordo de coligação com o CDS, mas os militantes não ficaram a saber quem é o candidato à presidência da Câmara Municipal.

Paulo Cunha falou, falou, mas não disse aos militantes que era candidato. Usando da palavra na abertura do plenário, teve tempo para analisar a situação política local, mas usou o seu tempo para atacar o Governo socialista de António Costa, por causa da forma como está a ser combatida a pandemia da convid-19, elogiando o trabalho dos presidentes da junta nesse combate, tendo colocado as juntas no mesmo patamar da Câmara Municipal e das instituições que integram a comunidade famalicense.

De resto, o presidente do PSD de Famalicão não fez qualquer abordagem ao processo autárquico, nem ao trabalho por si desenvolvido pela Câmara Municipal de Famalicão, não prestando nenhuma informação aos militantes – que também não foram ao plenário propriamente para fazer perguntas, mas para renovar a confiança no líder.

CDS PODE PERDER VICE-PRESIDÊNCIA

No meio da indecisão quanto à recandidatura sobram também dúvidas quanto aos lugares que o CDS terá na lista de candidatos à Câmara. Alguns setores do PSD consideram que o acordo que tem sido seguido é muito favorável aos centristas, indo muito para além da sua representatividade junto do eleitorado.

De tal forma que fontes próximas da coligação de direita revelaram ao NOTÍCIAS DE FAMALICÃO que as posições do CDS estão em perigo na lista da coligação, admitindo-se que o primeiro vereador, que atualmente é vice-presidente da Câmara Municipal, possa cair de segundo para o quarto lugar na lista de candidatos.

Neste quadro, o segundo candidato do CDS a vereador poderia ir em lugar não elegível, pois no núcleo duro da coligação de direita considera-se extremamente difícil manter a fasquia de 8 vereadores num executivo de 11, como atualmente acontece.

Isto no caso de Paulo Cunha ser mesmo candidato a um terceiro mandato de quatro anos, que, como toda a gente comenta nos corredores municipais, dificilmente irá cumprir até ao fim, dado que pretende mudar-se para Lisboa.

AS TRÊS ALTERNATIVAS

O tabu de Paulo Cunha conjugado com o anúncio da candidatura independente de um militante do PSD está a inquietar as hostes do poder da coligação famalicense.

Fontes sociais-democratas bem informadas afiançam que Paulo Cunha já terá comunicado a Rui Rio que não será candidato e qual o candidato que o ainda presidente quer ver como futuro presidente nos Paços do Concelho.

Assim, o preferido de Paulo Cunha seria o vereador Augusto Lima, um antigo quadro do CITEVE que desenvolveu o projeto Famalicão Made IN e genro de Xavier Forte, antigo presidente da Junta de Vermoim.

Acontece que Augusto Lima tem anticorpos no partido, pois raramente frequentou a sede do partido e não tem jeito para os meandros partidários.

Nas últimas semanas, Augusto Lima, até agora discreto nas redes sociais, tem-se multiplicado em fotografias com a mulher às portas das igrejas do concelho, publicando-as no Facebook, o que alguns interpretam como ações de promoção pré-eleitoral.

Aliás, as aparições de vereadores nas redes sociais são um tema sensível. Já houve casos de repreensão a quem “aparecia demais”, com a justificação de que poderia ofuscar a visibilidade do presidente.

A ligação às freguesias é um dos trunfos de Mário Passos, uma das hipóteses para suceder a Paulo Cunha como candidato da coligação PSD-CDS. Fotografia CMVNF/ARQUIVO

Outra hipótese presidenciável é Mário Passos, um antigo professor da Universidade do Minho que deixou o ensino superior para ser assessor do vereador das Freguesias, nos primeiros anos da gestão de Armindo Costa. Passos tem como trunfo a sua forte ligação aos presidentes das freguesias.

Parece haver ainda um terceiro candidato à sucessão de Paulo Cunha que, a confirmar-se, seria um regresso à base: Jorge Paulo Oliveira, que foi vice-presidente da Câmara no primeiro mandato de Armindo Costa, há 20 anos, já tem 10 anos como deputado do PSD à Assembleia da República e vai sendo tempo de pensar em dar o lugar da concelhia de Famalicão a outro candidato. Até porque Rui Rio defende a limitação de mandatos dos deputados.

A verdade é que, tendo já a aprovação tácita de Rui Rio, Paulo Cunha não confirmou que era candidato. Em declarações à comunicação social, Paulo Cunha afirmou ser bem-vindo o aval da direção nacional do partido para a recandidatura dos atuais presidentes, mas afastou para “depois” um eventual anúncio de recandidatura.

Se muitos não compreendem que Paulo Cunha não avance para um terceiro mandato, há quem lhe elogie “a coragem” para, “de forma desprendida”, surpreender tudo e todos.

Também lhe elogiam “a visão estratégica” de, como líder social-democrata concelhio e distrital, apostar na construção de um novo ciclo de 12 anos com uma cara nova à frente da Câmara de Famalicão, enquanto segue ele próprio a ambição nacional que o move dentro do PSD.

Paulo Cunha e os seus mais próximos na coligação PSD-CDS estão convencidos que a máquina da maioria de direita está tão bem oleada no concelho de Famalicão que qualquer candidato que seja apresentado vencerá as eleições.

Lembramos que José Silvano, coordenador autárquico do PSD nacional, revelou que há quatro municípios que “têm os candidatos escolhidos, mas que por estratégia política da nacional e deles próprios não vão ser