A Comissão Política Nacional do PSD interveio diretamente na crise entre Mário Passos e a estrutura local do partido, convocando uma reunião de emergência que travou, pelo menos por agora, a retirada de confiança política ao presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.
O encontro decorreu na manhã de 20 de julho, três dias depois da retirada da confiança política, na sede distrital do PSD em Braga, e juntou o secretário-geral da Comissão Política Nacional, o coordenador autárquico nacional, o presidente da Comissão Política Distrital de Braga, o próprio Mário Passos e o presidente da Comissão Política Concelhia de Famalicão, Paulo Reis. As conclusões foram tornadas públicas em comunicado enviado às redações ontem à noite.
Segundo o texto do PSD, a Comissão Política Nacional reafirmou “total e inequívoca confiança” no executivo municipal liderado por Passos, eleito pela coligação PSD/CDS-PP “Mais Ação, Mais Famalicão”.
A solução encontrada pela Nacional do PSD para o diferendo entre Mário Passos e a concelhia passou por um compromisso do presidente da Câmara: contactar todos os antigos presidentes da Câmara, ou os seus representantes, para auscultar a vontade de cada um quanto à eventual atribuição do seu nome a vias, espaços ou equipamentos municipais, e submeter depois uma proposta nesse sentido ao executivo.
Recorde-se que a rutura entre Mário Passos e o PSD-Famalicão desencadeou-se depois de o autarca ter votado contra a proposta do PS para atribuir o nome de Armindo Costa ao Parque da Devesa e o de Agostinho Fernandes à Casa das Artes, contrariando uma orientação de voto favorável que a própria Comissão Política Concelhia do PSD tinha aprovado por unanimidade.
Inicialmente, o autarca recusou agendar a proposta socialista em duas reuniões consecutivas, tendo sido obrigado, por força da lei, a agendar numa reunião camarária extraordinária de 3 de julho. Recorde-se que Mário Passos não só votou contra esta proposta como levou uma proposta alternativa [ver notícia Mário Passos leva proposta própria à reunião marcada por exigência pelo PS].
Ainda a propósito da proposta apresentada pelo PS, Mário Passos mostrou-se contrário a atribuição de nomes de pessoas a equipamentos públicos, afirmando preferir a “escola institucional” dos seus antecessores, deixando claro que não pretendia rebaptizar nem associar nomes individuais às grandes infraestruturas do concelho.
Mário Passos pede apoio aos presidentes de junta
De acordo com uma fonte ligada ao processo ouvida pelo NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, o acordo alcançado em Braga esteve, ainda assim, em risco de não se concretizar: horas depois de o firmar com as estruturas local, distrital e nacional do PSD, Mário Passos terá reunido com os presidentes de junta do concelho para lhes pedir apoio na recusa do que fora decidido nessa manhã.
Segundo a mesma fonte, o apoio dos presidentes de junta não foi suficiente para demover a decisão tomada pelas comissões políticas nacional e pela distrital do partido na reunião, horas antes, em Braga. A decisão da nacional manteve-se inalterada, dando origem ao comunicado enviado ontem às redações.
Uma tensão anterior à questão da homenagem
Importa notar que, apesar de o comunicado do PSD ter apontado exclusivamente a disputa sobre a homenagem aos antigos autarcas como motivo da retirada de confiança, essa questão surge no rasto de um desgaste mais antigo entre Mário Passos e a estrutura partidária local.
Os episódios de atrito do autarca com o PSD-Famalicão não são recentes. A tensão ficou mais evidente a partir de 2024, quando Mário Passos foi derrotado nas eleições internas da concelhia por Sofia Fernandes [ver notícia Sofia Fernandes vence Mário Passos e Paulo Cunha e conquista PSD-Famalicão com vantagem esmagadora].
Seguiram-se os choques na definição das listas autárquicas em setembro de 2025, com Mário Passos a convidar candidatos a vereadores sem ouvir o PSD e também a excluir nomes indicados pela concelhia da lista de candidatos à Assembleia Municipal, incluindo o da própria Sofia Fernandes.
Assim, o que resulta, para já, deste episódio é uma trégua negociada pela cúpula nacional do PSD.
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