Neste 25 de abril de 2026, tive a honra de ser o 1º representante da Iniciativa Liberal a usar da palavra numa Assembleia Municipal comemorativa. Sendo este texto uma adaptação do meu discurso, em que tento mostrar o que podemos fazer a partir de Famalicão para manter os valores de abril bem vivos.
Liberdade, Liberdade, Liberdade. Existe alguma palavra que melhor caracterize o 25 de abril de 1974?
Esta data, em que um grupo de militares se cansou do estado a que tínhamos chegado, decidindo que era hora de mudar e conquistar mais liberdade. Não que se tenha estalado os dedos e ela tenha surgido do nada, mas este foi o dia que marcou o início de um caminho, com avanços e recuos, mas que culminou numa aproximação ao estilo de vida democrática europeu.
Liberdade Política, Liberdade Económica e Liberdade Social, são estes os 3 pilares que quem decide fazer parte da Iniciativa Liberal se compromete a defender.
LIBERDADE ECONÓMICA
Na liberdade Económica, Famalicão é um polo económico fundamental para o nosso país, somos o 3º exportador nacional (o maior a Norte de Lisboa), um concelho amigo do Investimento Direto Estrangeiro, aberto ao mundo e dependente do Comércio Internacional. Por isto mesmo, temos de ser adversários de quem defende políticas de incremento de tarifas e continuar a defender o Comércio Internacional. Se não for por razões teóricas, que seja por a nossa economia local e qualidade de vida dependerem disto.
Contudo, este dinamismo económico não pode ser desculpa para que um executivo municipal vire despesista e todos sabemos que vivemos uma política de maior orçamento de sempre a cada ano, ou seja, o despesismo tem saído vencedor.
O último capítulo desta política ocorreu esta semana com a aprovação do novo organigrama municipal, em que o número de cargos de direção foram duplicados, o que em conjunto com o objetivo de alcançar 2300 funcionários e o aproximar das despesas de pessoal dos 50 milhões de euros anuais, me obriga a deixar aqui um alerta sério:
A despesa corrente do nosso município tem de ser controlada.
LIBERDADE SOCIAL
Na Liberdade Social, uma das grandes conquistas de abril foi o fim da necessidade das mulheres dependerem da autorização do pai ou marido para viverem a sua vida. Esta foi uma conquista fundamental, mas muito ainda tem de ser feito para que exista igualdade de oportunidade entre homens e mulheres.
Também por isto, tenho insistido na necessidade de reforçar investimento na educação nos primeiros anos de vida, garantindo que creches e jardins de infância conseguem ajudar ao desenvolvimento das crianças e facilitam o regresso da mulher à sua profissão, um dos maiores entraves a que salários de homens e mulheres sejam mais equiparados.
LIBERDADE POLÍTICA
Na Liberdade Política, aquela que mais evolui com o 25 de abril de 1974, em que passamos a ter um sistema com vários partidos, eleições livres e o fim da censura, gostava de salientar o papel da comunicação social livre.
Aqui não posso continuar sem referenciar o Opinião Pública e principalmente o Notícias de Famalicão, que me permitiram escrever livremente ao longo dos últimos anos, sem censura e mesmo sabendo que só o facto de dar voz à oposição é sujeito a represálias.
Represálias, como perseguir judicialmente um jornal, que aconteceu no anterior mandato autárquico, por simplesmente ter publicado uma notícia que foi classificada como verdadeira em tribunal. Estas represálias atentam contra os valores de abril e é pena não ter existido mais resistência na sociedade famalicense.
Por outro lado, permitir que o gabinete municipal de comunicação cresça ao ponto de nos conseguir fazer chegar as notícias a casa, editadas pelo próprio Presidente, também não pode passar em claro. Os nossos impostos não podem estar ao serviço da construção da narrativas de nenhum presidente.
Esta tendência não é exclusiva de Famalicão, lembremo-nos do “Abrantes” que acaba de ser rejeitado para Provedor de Justiça, da nova ferramenta de Inteligência Artificial do Governo, que permite controlar jornalistas e redes sociais, ou da Presidente da Câmara de Coimbra que retirou a confiança a um jornalista.
É importante deixar claro que estas atitudes subvertem abril, vão contra aquilo que nessa data foi conquistado e tenho de dizer sem rodeios aos famalicenses, que quando validam com o seu voto estas atitudes estão a colocar em causa:
A Liberdade,
Sem a qual não somos nada
a Liberdade,
Que tanto demorou a ser conquistada!
Liberdade, liberdade, liberdade
Para quê esta rua seja sempre do Povo
E jamais de Moscovo,
Nem tão pouco de quem quer de volta o Estado Novo!
Liberdade,
Para que hoje e sempre celebremos e gritemos
Viva a Iniciativa dos Militares de Abril.
25 de abril sempre, ditaduras nunca mais!


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