A Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda (BE) de Vila Nova de Famalicão manifestou a sua “profunda solidariedade” com os cerca de 40 trabalhadores da Bracar, empresa transformadora de carnes sediada em Gavião, que enfrentam um processo de insolvência. Em comunicado, o partido classifica a atuação da administração como “desumana e opaca”, acusando a empresa de esconder a situação real de quem ali trabalha.
Segundo o Bloco, os funcionários foram confrontados com o processo de insolvência apenas após este já estar em curso, tendo passado as últimas duas semanas numa “paralisia forçada” por falta de matéria-prima. O partido denuncia relatos de que, durante este período de incerteza, “máquinas essenciais eram retiradas da fábrica sem qualquer esclarecimento”, enquanto os trabalhadores continuavam a apresentar-se nos seus postos de trabalho.
A situação agrava-se com o incumprimento salarial. O BE afirma que os vencimentos em atraso e o remanescente do subsídio de Natal, prometidos para o final de março, não foram pagos, deixando várias famílias em situação de “carência imediata”.
“É inaceitável que uma empresa encerre as portas deixando dezenas de pessoas ao abandono, sem informações sobre o seu futuro e sem os rendimentos que lhes são devidos por direito”, lê-se no comunicado.
Face ao que considera um “atropelo aos direitos laborais”, o Bloco de Esquerda exige uma intervenção célere do Ministério do Trabalho, Solidariedade e da Segurança Social para garantir apoios de emergência. O partido defende ainda que o pagamento de salários e indemnizações deve ter prioridade absoluta no processo de insolvência.
A nível local, o BE apela a uma postura ativa da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão. O partido insta a autarquia a mediar soluções junto do tecido empresarial concelhio para a “reacolocação imediata” destes trabalhadores, aproveitando a sua experiência e evitando o desemprego de longa duração.
Para a estrutura local do Bloco, o caso da Bracar não é isolado, mas sim um “sintoma alarmante” de uma tendência de insolvências inesperadas no Vale do Ave. O partido deixa um alerta às autoridades para que exerçam uma vigilância apertada, impedindo que as empresas utilizem mecanismos legais para “esvaziar ativos” à revelia dos colaboradores.
O comunicado termina com uma saudação à “resistência” dos trabalhadores que permanecem no local de trabalho em busca de esclarecimentos, garantindo que o Bloco de Esquerda acompanhará de perto a luta pela “justiça e dignidade” destas 40 famílias.


Comentários