Cerca de um milhão para as Festas Antoninas de Vila Nova de Famalicão pelo segundo ano consecutivo (enquanto grandes festas nos concelhos vizinhos – São João, Festa das Cruzes, Gualterianas – custam bem menos). Centenas de milhares de euros para outras festas cujos orçamentos não param de aumentar ano após ano.
Dois milhões por ano para a duplicação de chefias na Câmara Municipal. As chefias intermédias passam de 43 para 95, um acréscimo de 52 lugares. Além dos chefes de 1º, 2º e 3º grau, foi criado o chefe de 4º grau, que até agora nunca existiu na autarquia famalicense.
Curiosamente, é a primeira vez, em muito, muito tempo, que há registo negativo na conta de exploração (resultado) municipal. São cerca de três milhões de euros. Sinal de alerta?
Outro ponto importante: o orçamento municipal vai encolher, não tarda. Está inflado por causa dos fundos comunitários destinados a obras em curso no concelho. Mas os fundos europeus não são eternos.
No entanto, isso parece não interessar. Estamos no segundo fim de semana da Festa da Flor, mais um evento que não se sabe quanto custa. O orçamento não é apresentado na reunião camarária. No entanto, com a maioria no executivo, Mário Passos sabe que apresentar programas e orçamentos nas reuniões camarárias é mera formalidade.
A oposição queixa-se de falta de respeito institucional. Os artistas contratados, por exemplo, costumam ser anunciados com antecedência nas redes sociais de Mário Passos. As redes sociais de Mário Passos – e não as do Município de Famalicão – costumam trazer em primeira mão vários assuntos. E por que isso importa? Para começar porque há diferenças entre perfil institucional e perfil pessoal, coloca-se a questão do uso de recursos, etc.

Deixando as festas e os chefes de lado, vamos a questões que dão menos foguetório, mas são mais importantes para a qualidade de vida dos famalicenses e para a valorização do território. Aqui ao nosso lado, municípios como Barcelos, Braga ou Guimarães anunciam grandes investimentos em infraestruturas públicas que interessam às pessoas.
Enquanto isso, hoje, 16 de maio de 2026, há rede de água e saneamento em todo concelho? Não. A rede viária municipal está em boas condições? Não. Por mais voltas ao assunto e nomes pomposos que se possam utilizar, a resposta é não. Aliás, nomes pomposos, especialmente em inglês, costumam causar impacto. Vejamos o “Famalicão Created in” (que nos mandatos de Paulo Cunha se chamava Famalicão Made in”) que não é nada mais do que visitar empresas.
E por falar em visitas… Visitar é recorrente no vocabulário autárquico. Visita-se empresas, escolas, IPSS e outras instituições. O périplo inclui espetáculos, procissões, feiras, romarias, eventos desportivos… E graças a uma multifacetada equipa de comunicação, os conteúdos estão rapidamente disponíveis em múltiplas plataformas e em diferentes formatos, todos os dias da semana, independentemente do horário.
Quanto aos conteúdos, não há explicação plausível para justificar algumas publicações, como, por exemplo, de uma fotografia do presidente da Câmara ao lado de crianças à hora do almoço num jardim-de-infância acompanhada de uma legenda a desejar boa tarde. Por isso não ficarei espantada se o Município vier a ser processado. Nunca viram pais a comentar as publicações de Mário Passos reclamando sobre o uso da imagem dos filhos sem o seu consentimento? Eu já vi (Há quem fique contente? Sim. Isto invalida a existência de regras sobre o assunto? Não).

A iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança tem falado sobre o assunto, citando fontes importantes como o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados e a Comissão Nacional de Proteção de Dados. Para quem tiver interesse no tema, sugiro a leitura deste texto: A imagem da sua criança nas redes sociais da autarquias portuguesas: tem o direito de dizer não. O assunto, no entanto, não se aplica exclusivamente às crianças. Todos têm direito sobre a sua imagem e isso deveria ser especialmente salvaguardado quando estão em causa menores, pessoas em situação de vulnerabilidade, etc.
No caso de ser condenado a pagar indemnizações a eventuais queixosos, a despesa provavelmente será paga pelos cofres municipais, certo? Ou seja, por todos nós (e isso explica porque – ao contrário do que tanta gente esperava e achava que deveria ter feito – não processei o presidente da Câmara, quer em resposta ao injusto processo que moveu contra o NOTÍCIAS DE FAMALICÃO e perdeu, quer sobre as calúnias que proferiu publicamente sobre o jornal).

E por falar em fotos, enquanto abundam fotos do presidente Mário Passos nos mais diversos contextos (nas reuniões, nos eventos oficiais, a jogar à bola, a tocar instrumentos, ao lado de artistas), houve um enorme “buraco negro” no banco de imagens da página oficial da Câmara Municipal na Internet, que disponibilizava um vasto acervo fotográfico com registos de atividades e espaços municipais ao longo de vários anos.
Em 2021, passaram a estar disponíveis apenas fotografias com datas posteriores a 10 de outubro de 2021, ou seja, após a tomada de posse de Mário Passos no primeiro mandato. As imagens dos mandatos de Paulo Cunha e de Armindo Costa foram removidas do site oficial do Município. Na mesma ocasião despareceram fotografias de eventos, equipamentos (Casa das Artes, etc.) e paisagens do concelho. Ou seja, uma boa parte da história recente de Famalicão foi à vida, ficou impossível de ser consultada.
Desengane-se quem acha que é por causa do novo site, que entrou em funcionamento há dias. Já há mais de dois anos o NOTÍCIAS DE FAMALICÃO questionou a assessoria de comunicação de Mário Passos. Uma das perguntas foi se as imagens anteriores a outubro de 2021 estarão novamente disponíveis ao público. Recentemente, após entrar em funcionamento o novo site, voltamos a questionar o Gabinete de Apoio à Presidência. Até ao momento não recebemos resposta.
Infelizmente, para o NOTÍCIAS DE FAMALICÃO, não receber respostas a perguntas e pedidos de esclarecimento enviados à Câmara Municipal tem sido a regra. As exceções são raras. Há vários anos que fazemos perguntas à Câmara Municipal sem obter resposta. Os assuntos? São vários e de interesse público.
Todos as perguntas e pedidos de informação são legítimos e feitos para que possamos desempenhar bem a nossa função de noticiar informação de relevante interesse público. Infelizmente, em alguns casos, a ausência de resposta por parte da assessoria de comunicação de Mário Passos, acaba por inviabilizar a publicação de notícias que são relevantes para a população, para o território e para a defesa do interesse público.
Post Scriptum: O lançamento do “Efe”, novo jornal municipal, tem suscitado muita polémica. O “Efe” não é a “doença”, é um “sintoma”. Muita gente parece só ter despertado agora… Mas, como diz o ditado: antes tarde do que nunca.


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