A Casa-Museu de Camilo Castelo Branco vai recriar, este sábado, 20 de junho, a partir das 15h00, um tradicional abadessado, devolvendo vida a um dos mais singulares rituais culturais dos conventos femininos portugueses.
A iniciativa, que decorre nos jardins do museu, distingue-se por ser aberta à participação livre de todas as pessoas interessadas, convidando o público a mergulhar numa experiência cultural rara, evocativa e profundamente ligada ao universo camiliano.
Os abadessados eram saraus poéticos realizados aquando da eleição de uma nova abadessa, reunindo familiares, amigos e poetas que, a partir dos motes lançados pelas freiras através das grades das janelas, compunham versos num ambiente simultaneamente espiritual e festivo.
Camilo Castelo Branco participou em vários destes encontros, que marcaram a sua vivência social e literária. A recriação contará com a presença de Aurelino Costa, um “disseur” (palavra francesa que em português significa declamador), que dará voz a textos camilianos, recriando a atmosfera poética que caracterizava estes momentos.
Durante a tarde, o público poderá ainda provar vinhos da Vinevinu (empresa de Requião especializada na produção de vinho da casta Alvarinho), e da Adega Casa da Torre, do Louro, o licor de Singeverga e a doçaria tradicional das freiras de Cruz de Pêlo (Vale S. Martinho), Roriz e Vila das Aves, elementos que historicamente acompanhavam estes encontros onde, como se dizia, “a alma se alimentava de versos e o corpo de doces e vinho”.
A Casa de Camilo promete uma tarde memorável, celebrando a memória cultural dos conventos femininos e a presença de Camilo nesses espaços de sociabilidade literária.


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